{"id":7973,"date":"2023-03-09T23:13:32","date_gmt":"2023-03-10T02:13:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7973"},"modified":"2023-03-09T23:13:56","modified_gmt":"2023-03-10T02:13:56","slug":"quem-cuida-da-nossa-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/03\/09\/quem-cuida-da-nossa-cultura\/","title":{"rendered":"QUEM CUIDA DA NOSSA CULTURA?"},"content":{"rendered":"<p>CARTA ABERTA<\/p>\n<p>Numa troca de ideias sobre a situa\u00e7\u00e3o em que vive a nossa cultura em Vit\u00f3ria da Conquista, um grupo de artistas se reuniu e, de forma sensibilizada e indignada, resolveu fazer uma carta aberta \u00e0s autoridades, relatando os pontos mais graves que atualmente atravessa o setor em nosso munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Esta carta est\u00e1 circulando nas principais redes sociais para ser assinada por artistas e demais pessoas da sociedade para ser entregue ao poder p\u00fablico, principalmente ao legislativo e ao executivo. Infelizmente, como se tudo estivesse a mil maravilhas, poucos at\u00e9 agora aderiram \u00e0 proposta. Fica, ent\u00e3o, uma pergunta: Quem cuida da nossa cultura?<\/p>\n<p>CARTA<\/p>\n<p>Vit\u00f3ria da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, com mais de 300 mil habitantes, ber\u00e7o de Glauber Rocha e Elomar Figueira, precisa com urg\u00eancia romper essa in\u00e9rcia na cultura que j\u00e1 viveu seus tempos de efervesc\u00eancia em todas linguagens art\u00edsticas, principalmente entre os anos 50, 60 e 70. Com tantos movimentos, chegou a ganhar a fama de cidade politicamente cultural.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, tudo isso virou mito. Os artistas de um modo geral dos setores da m\u00fasica, do teatro, da dan\u00e7a, da literatura, das artes pl\u00e1sticas, do audiovisual, da fotografia, artes\u00e3os e demais express\u00f5es se sentem decepcionados e desesperan\u00e7osos com essa in\u00e9rcia do presente e de um futuro incerto desanimador.<\/p>\n<p>Diante do exposto, em forma de manifesto, conclamamos todos artistas conquistenses a formarem uma frente \u00fanica nesta carta aberta \u00e0 sociedade em defesa da nossa cultura que tanto gera emprego e renda, e ainda devolver\u00e1 \u00e0 Vit\u00f3ria da Conquista o t\u00edtulo de cidade cultural, com a volta dos festivais de m\u00fasica, teatro, dan\u00e7a, sal\u00f5es de fotografia e artes pl\u00e1sticas e feiras liter\u00e1rias.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a desse cen\u00e1rio de in\u00e9rcia come\u00e7a por essa mobiliza\u00e7\u00e3o dos artistas, subscrevendo este documento, divulgando seus anseios na m\u00eddia, em manifesta\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 imprescind\u00edvel o est\u00edmulo e apoio direto do poder p\u00fablico em suas atribui\u00e7\u00f5es legais de promover e realizar eventos culturais t\u00e3o escassos em nossa cidade, hoje uma capital do sudoeste baiano.<\/p>\n<p>Nesse conjunto de esfor\u00e7os para soerguer a nossa cultura, \u00e9 importante tamb\u00e9m que o setor privado, as empresas em geral, se juntem a n\u00f3s, acreditando que cultura \u00e9 um investimento com retorno no turismo e proporcionando benef\u00edcios para as \u00e1reas do com\u00e9rcio e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Vivemos em tempos de acomoda\u00e7\u00e3o e des\u00e2nimo. Um exemplo disso \u00e9 que hoje nossa Conquista, como bem expressam os m\u00fasicos, vive limitada aos bares como op\u00e7\u00e3o de entretenimento e precisa retomar o caminho do crescimento cultural, a exemplo de outras cidades, at\u00e9 menores, onde acontecem festivais, eventos nas pra\u00e7as, feiras e centros culturais movimentados.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que a nossa cultura hoje se resume aos calend\u00e1rios do S\u00e3o Jo\u00e3o e do Natal que ilumina bastante a pra\u00e7a e muito pouco a arte. \u00c9 s\u00f3 vazio nos restantes dos outros meses. Necessitamos urgentemente preencher essa lacuna.<\/p>\n<p>Para piorar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o, os equipamentos municipais, como o Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho, est\u00e3o fechados sem defini\u00e7\u00e3o de reformas e reabertura, sem falar na Pra\u00e7a C\u00e9us (J. Murilo) no Alto Maron, que funciona de forma prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Sem muitos exageros, \u00e9 um quadro desolador. Para reverter essa situa\u00e7\u00e3o, queremos a reativa\u00e7\u00e3o desses pontos ou a constru\u00e7\u00e3o de um centro cultural \u00e0 altura da nossa cidade para a constante realiza\u00e7\u00e3o de eventos.<\/p>\n<p>N\u00f3s, abaixo-assinados desta carta, queremos tamb\u00e9m a implanta\u00e7\u00e3o de um Plano Municipal de Cultura que sirva de diretrizes b\u00e1sicas para o estabelecimento em lei de uma pol\u00edtica cultural do poder p\u00fablico, que ocupe de vez esse vazio cultural.<\/p>\n<p>Queremos t\u00e3o somente o que nos \u00e9 de direito constitucional que \u00e9 o conhecimento, o saber, o fomento \u00e0 cultura e o est\u00edmulo \u00e0 diversidade art\u00edstica de uma terra t\u00e3o rica e talentosa nas artes, as quais, infelizmente, se encontram adormecidas. Queremos sair dessa inercia cultural.<\/p>\n<p>Queremos o apoio de todos artistas, da sociedade em geral, dos jovens estudantes, professores, intelectuais, da C\u00e2mara Municipal de Vereadores, promotores culturais e demais interessados na subscri\u00e7\u00e3o dessa carta, t\u00e3o fundamental para o desenvolvimento cultural e art\u00edstico da nossa cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARTA ABERTA Numa troca de ideias sobre a situa\u00e7\u00e3o em que vive a nossa cultura em Vit\u00f3ria da Conquista, um grupo de artistas se reuniu e, de forma sensibilizada e indignada, resolveu fazer uma carta aberta \u00e0s autoridades, relatando os pontos mais graves que atualmente atravessa o setor em nosso munic\u00edpio. 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