{"id":7937,"date":"2023-02-24T23:13:32","date_gmt":"2023-02-25T02:13:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7937"},"modified":"2023-02-24T23:13:53","modified_gmt":"2023-02-25T02:13:53","slug":"fluxo-e-refluxo-xix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/02\/24\/fluxo-e-refluxo-xix\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221; XIX"},"content":{"rendered":"<p>\u201cBahia, 1810-35: Rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico-filantr\u00f3picas anglo-portuguesas e sua influ\u00eancia no tr\u00e1fico de escravos no Brasil\u201d<\/p>\n<p>Nesse cap\u00edtulo da sua obra \u201cFluxo e Refluxo\u201d, o etn\u00f3logo e fot\u00f3grafo Pierre Verger assinala que dois acontecimentos mudaram as condi\u00e7\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es comerciais entre a Bahia e a Costa da Mina (Golfo do Benin).<\/p>\n<p>Um deles ocorreu em 27 de novembro de 1807 quando o pr\u00edncipe regente de Portugal D. Jo\u00e3o VI, acompanhado da sua esposa Carlota Joaquina e sua m\u00e3e, a rainha D. Maria, a louca, embarcou de Lisboa para o Rio de Janeiro, fugindo das tropas francesas de Napole\u00e3o.<\/p>\n<p>Seguiram o pr\u00edncipe mais de 13 mil pessoas nos navios da esquadra e outras embarca\u00e7\u00f5es mercantes dispon\u00edveis. Entre a alian\u00e7a com a Fran\u00e7a e a Inglaterra, D. Jo\u00e3o foi obrigado a optar pelos brit\u00e2nicos que amea\u00e7aram ocupar o Brasil por quest\u00e3o de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Conforme Verger, o pr\u00edncipe regente ficou na Bahia entre 22 de janeiro a 26 de fevereiro, acolhido pelo governador Jo\u00e3o Saldanha da Gama Melo e Torres, quando decidiu abrir os portos brasileiros aos navios estrangeiros (decreto de 28 de janeiro).<\/p>\n<p>Com essa medida, a Inglaterra foi a principal benefici\u00e1ria e passou a exercer press\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas sobre o Brasil, desorientando os comerciantes brasileiros.<\/p>\n<p>Com a entrada da era industrial no final do s\u00e9culo XVIII, substituindo a \u00e9poca comercial, o neg\u00f3cio de escravos se tornou antiquado para a Inglaterra devido aos r\u00e1pidos progressos tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>O segundo acontecimento foram as campanhas abolicionistas de Wilberforce, visto que os fins humanit\u00e1rios atendiam os interesses das ind\u00fastrias. A extin\u00e7\u00e3o do asiento ingl\u00eas do fornecimento de escravos \u00e0s \u00cdndias de Castela, a revolta das col\u00f4nias norte-americanas, a declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia dos Estados Unidos, em 4 de julho de 1776 e a guerra at\u00e9 o Tratado de Versalhes, em 1783, deram um duro golpe no comercio de escravos dos ingleses.<\/p>\n<p>As col\u00f4nias espanholas se tornaram independentes, com exce\u00e7\u00e3o de Cuba, que manteve o tr\u00e1fico at\u00e9 1864. Somente Brasil e Cuba tinham ainda sua economia baseada no antigo sistema agr\u00e1rio-comercial.<\/p>\n<p>Na primeira metade do s\u00e9culo XIX, a Inglaterra procurou garantir, atrav\u00e9s da pol\u00edtica de livre com\u00e9rcio, a sa\u00edda de seus produtos manufaturados, o que terminou por afetar os interesses da Bahia e suas rela\u00e7\u00f5es com o Golfo do Benin.<\/p>\n<p>Os dinamarqueses foram os primeiros a abolir o tr\u00e1fico de escravos, em 1802, seguidos dos Estados Unidos, em 1807. Dias depois, no mesmo ano, foram os ingleses que tornaram a medida efetiva em janeiro de 1808, no momento em que D. Jo\u00e3o VI viajava para o Brasil, que se tornou reino.<\/p>\n<p>Para obter sua liberdade econ\u00f4mica, o Brasil tinha mais que lutar contra a Inglaterra do que com Portugal. As teorias abolicionistas contrariavam as necessidades de m\u00e3o-de-obra servil. A partir da\u00ed vieram os conflitos diplom\u00e1ticos em torno de assinaturas de tratados, bem como aprisionamento de navios traficantes brasileiros.<\/p>\n<p>Nessa quest\u00e3o do tr\u00e1fico negreiro, a Inglaterra assinou uma s\u00e9rie de tratados e conven\u00e7\u00f5es com Portugal e o Brasil entre 1810 e 1826. O Brasil, de acordo com Pierre Verger, os complementou por meio de leis, em 1831 (lei para ingl\u00eas ver), e 1850.<\/p>\n<p>Esse conjunto de atos teve a mais profunda influ\u00eancia sobre a situa\u00e7\u00e3o da Bahia e modificou o car\u00e1ter de suas rela\u00e7\u00f5es com o Golfo do Benin. Houve um corte das rela\u00e7\u00f5es comerciais instauradas desde v\u00e1rios s\u00e9culos entre a Bahia e Benin. Mesmo assim, o tr\u00e1fico manteve-se ativo at\u00e9 1851, como relata Pierre Verger em seu livro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cBahia, 1810-35: Rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico-filantr\u00f3picas anglo-portuguesas e sua influ\u00eancia no tr\u00e1fico de escravos no Brasil\u201d Nesse cap\u00edtulo da sua obra \u201cFluxo e Refluxo\u201d, o etn\u00f3logo e fot\u00f3grafo Pierre Verger assinala que dois acontecimentos mudaram as condi\u00e7\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es comerciais entre a Bahia e a Costa da Mina (Golfo do Benin). 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