{"id":7885,"date":"2023-02-10T22:56:49","date_gmt":"2023-02-11T01:56:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7885"},"modified":"2023-02-10T22:57:09","modified_gmt":"2023-02-11T01:57:09","slug":"fluxo-e-refluxo-vii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/02\/10\/fluxo-e-refluxo-vii\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221; VII"},"content":{"rendered":"<p>OS INGLESES E A QUEST\u00c3O RELIGIOSA NA COSTA DA MINA OU COSTA A SOTAVENTO<\/p>\n<p>Como j\u00e1 tratamos em coment\u00e1rios anteriores em nosso blog, o livro \u201cFluxo e Refluxo, do etn\u00f3logo e fot\u00f3grafo Pierre Verger, uma pesquisa de 20 anos de trabalho, \u00e9 um intricado de conflitos e guerras na regi\u00e3o do Golfo de Benin entre portugueses do Brasil, ingleses, franceses, holandeses e os reis de Daom\u00e9 durante o tr\u00e1fico negreiro.<\/p>\n<p>A disputa era acirrada por cativos, e o tabaco era a moeda mais cobi\u00e7ada pelos pa\u00edses. Os holandeses detinham praticamente o monop\u00f3lio com o dom\u00ednio do Castelo de S\u00e3o Jorge (Elmina) e exigiam dos portugueses da Bahia e do Brasil que negociassem com eles com o pagamento de uma taxa de 10% sobre tudo que era comercializado e trocado.<\/p>\n<p>As outras na\u00e7\u00f5es n\u00e3o gostavam nada disso e tentavam atrair os portugueses para outros portos e fortifica\u00e7\u00f5es (Porto Novo, Badagri e Onim \u2013Lagos), como ocorreu no final do s\u00e9culo XVIII onde os ingleses procuraram proteger os capit\u00e3es e navios vindos da Bahia com o cobi\u00e7ado tabaco, que n\u00e3o era de t\u00e3o boa qualidade, mas os negros o apreciavam.<\/p>\n<p>Pierre Verger cita que uma das consequ\u00eancias da lei de 30 de mar\u00e7o de 1756, destinada a tornar o com\u00e9rcio da Costa da Mina livres para todos, foi control\u00e1-lo no Porto de Uid\u00e1 ou Ajud\u00e1, onde o diretor da fortaleza devia fazer respeitar as ordens do rei de Portugal, ou seja, um navio de cada vez, mas sempre essa norma era desobedecida.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os capit\u00e3es procuravam outros portos. Os holandeses concediam quatro na Costa a Sotavento, como Popo, Ajud\u00e1, Jaquim e Ap\u00e1. Em seguida, novos centros foram criados em Porto Novo, Badagri e Onim (Lagos).<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Oliveira, um escravo alforriado se tornou traficante astuto que retornou \u00e0 \u00c1frica para comerciar com negros e envi\u00e1-los para a Bahia. Na velhice ficou rico, mas teve a infelicidade de estar a bordo de um navio que transportava mercadorias de contrabando. Foi injustamente implicado no caso.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edtica dos reis do Daom\u00e9, desde a conquista de Ajud\u00e1, em 1727, procurava impor que o com\u00e9rcio com os estrangeiros na costa se fizesse exclusivamente com aquele porto. Eles destru\u00edram o porto de Jaquim, em 1743. No entanto, o com\u00e9rcio se alargava em Porto Novo, Badagri e Lagos.<\/p>\n<p>RELIGIOSO<\/p>\n<p>Mesmo diante de toda desorganiza\u00e7\u00e3o que era o tr\u00e1fico negreiro, por volta de 1780\/82, um ponto que chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o religioso sob a dire\u00e7\u00e3o do forte portugu\u00eas por Francisco da Fonseca e Arag\u00e3o.<\/p>\n<p>As instru\u00e7\u00f5es n\u00e3o falavam mais em proibir a entrada de mais de um navio de cada vez no porto. Refletiam essencialmente preocupa\u00e7\u00f5es com a respeitabilidade e a pr\u00e1tica religiosa. Os oficiais e capit\u00e3es eram obrigados a assistir as missas e a rezarem o Ter\u00e7o de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o diretor n\u00e3o consentia navios sem capel\u00e3es. A ordem era que o diretor procurasse saber se as embarca\u00e7\u00f5es levavam capel\u00e3es. Repelia o capit\u00e3o que n\u00e3o notificava a morte do capel\u00e3o e n\u00e3o substitu\u00eda logo por outro. Era ordem da sua majestade, na \u00e9poca a rainha Maria I.<\/p>\n<p>Depois de um certo tempo, o diretor da fortaleza de S\u00e3o Jo\u00e3o de Aud\u00e1, Francisco Ant\u00f4nio da Fonseca Arag\u00e3o n\u00e3o atormentava mais os \u201camericanos\u201d (portugueses brasileiros) para obrig\u00e1-los a irem \u00e0 missa, deixando cair em ru\u00ednas a fortifica\u00e7\u00e3o, nem tampouco se preocupava com os marinheiros portugueses capturados pelos doameanos.<\/p>\n<p>O tenente do forte, Francisco Xavier do Amaral, que chegou em Uid\u00e1, em 1791, influenciava Agongl\u00f3, rei do Daom\u00e9, para que n\u00e3o mandasse uma embaixada para a Bahia e sim para Portugal, para propor que o com\u00e9rcio de escravos dos negociantes da Bahia fosse exclusivamente feito com Uid\u00e1.<\/p>\n<p>Em 1795, por\u00e9m, o rei de Daom\u00e9 enviou para a Bahia dois mensageiros. O tenente, ent\u00e3o, organizou essa embaixada a fim de redigir, em nome do rei, suas pr\u00f3prias queixas contra o diretor da fortaleza. Os dois embaixadores foram batizados em Lisboa.<\/p>\n<p>Um morreu l\u00e1 e o outro tornou-se cavaleiro da Ordem de Cristo. Este teve uma perman\u00eancia agitada na Bahia, quando da sua volta. \u201cA sofreguid\u00e3o em cortejar o \u201cbelo sexo\u201d escandalizou o governador da Bahia\u201d. A rainha dona Maria tentou converter o rei do Daom\u00e9 ao catolicismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OS INGLESES E A QUEST\u00c3O RELIGIOSA NA COSTA DA MINA OU COSTA A SOTAVENTO Como j\u00e1 tratamos em coment\u00e1rios anteriores em nosso blog, o livro \u201cFluxo e Refluxo, do etn\u00f3logo e fot\u00f3grafo Pierre Verger, uma pesquisa de 20 anos de trabalho, \u00e9 um intricado de conflitos e guerras na regi\u00e3o do Golfo de Benin entre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7885"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7885"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7885\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}