{"id":7861,"date":"2023-02-04T00:02:26","date_gmt":"2023-02-04T03:02:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7861"},"modified":"2023-02-04T00:02:50","modified_gmt":"2023-02-04T03:02:50","slug":"fluxo-e-refluxo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/02\/04\/fluxo-e-refluxo-2\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O tr\u00e1fico negreiro baiano no Golfo do Benin entre os s\u00e9culos XVII e o XIX tem muita semelhan\u00e7a com o tr\u00e1fico de drogas praticado no Brasil de hoje, considerando suas intrigas, conflitos, mortes e descumprimento das ordens dadas pelas autoridades de Lisboa, os diretores das fortifica\u00e7\u00f5es e os vice-reis da Bahia, conforme relatos do etn\u00f3logo e fot\u00f3grafo Pierre Verger em seu livro \u201cFluxo e Refluxo\u201d.<\/p>\n<p>Claro que o autor n\u00e3o faz essa refer\u00eancia, mas lendo sua obra e analisando o que acontece atualmente com as redes de traficantes de drogas e armas, os m\u00e9todos aplicados para trazer escravos da Costa da Mina (Golfo do Benin) para as lavouras e a minera\u00e7\u00e3o brasileira eram bem parecidos. Prevalecia a lei do mais forte e tudo mera resolvido no derramamento de sangue.<\/p>\n<p>No tr\u00e1fico negreiro existia um intrincado de corrup\u00e7\u00f5es e uma disputa acirrada pelos neg\u00f3cios, tendo como moedas principais o tabaco da Bahia, a cacha\u00e7a e o ouro de Minas Gerais. O fumo era muitas vezes adulterado, bem como a bebida e o ouro contrabandeado. Al\u00e9m das guerras entre os reis de Daom\u00e9 e outras etnias, em Ajuda ou Uid\u00e1, as brigas tamb\u00e9m ocorriam entre as fortalezas portuguesas, francesas, inglesas e as for\u00e7as holandesas.<\/p>\n<p>As cartas trocadas entre os vice-reis da Bahia, os capit\u00e3es de navios, diretores das fortifica\u00e7\u00f5es e seus mandat\u00e1rios colonizadores eram recheadas de intrigas, difama\u00e7\u00f5es, cal\u00fanias e desrespeito \u00e0s regras emanadas pelas coroas de cada na\u00e7\u00e3o europeia. Era como se fosse uma terra de ningu\u00e9m e vencia o mais astuto e o mais forte.<\/p>\n<p>As conspira\u00e7\u00f5es andavam soltas naquela zona perigosa e o diretor da fortifica\u00e7\u00e3o portuguesa em Ajuda, Jo\u00e3o Bas\u00edlio, por volta de 1743\/45 foi v\u00edtima de uma delas. Foi preso injustamente, padeceu numa cadeia imunda da Bahia e morreu \u00e0 mingua. Seus filhos foram vendidos como escravos, tudo por causa de cal\u00fanias de outros traficantes que n\u00e3o concordavam com suas ordens.<\/p>\n<p>De acordo com pesquisa feita por Pierre Verger em \u201cFluxo e Refluxo\u201d, ele e o tenente Manoel Gon\u00e7alves embarcaram em Uid\u00e1 e foram saudados pelo forte franc\u00eas com uma salva de nove tiros. Dali seguiram ao longo do litoral com escala na Bahia onde foram feitos prisioneiros pelas autoridades da cidade.<\/p>\n<p>Eles eram acusados de terem abandonado, com grande preju\u00edzo para a Fazenda Real, a fortaleza de Ajud\u00e1. Em outra parte, cita que todos os bens de Jo\u00e3o Bas\u00edlio e de Manoel Gon\u00e7alves foram sequestrados por ordem do provedor-mor da Fazenda Real. Tiraram deles at\u00e9 as roupas.<\/p>\n<p>O vice-rei conde das Galveas dizia que o Bas\u00edlio foi condenado injustamente. Outro que caiu em desgra\u00e7a foi o diretor Francisco Nunes Pereira. Na Costa da Mina ou Sotavento, o com\u00e9rcio negreiro era uma tremenda bagun\u00e7a. N\u00e3o havia organiza\u00e7\u00e3o e os pre\u00e7os dos cativos variavam de acordo com a oferta e a procura.<\/p>\n<p>Da Bahia, 24 navios eram autorizados a negociar, mas existia uma ordem que, enquanto um capit\u00e3o estivesse no porto, outro n\u00e3o poderia entrar, s\u00f3 que os traficantes n\u00e3o obedeciam. Muitas vezes, o rei de Daom\u00e9 nomeava seu pr\u00f3prio diretor para a fortifica\u00e7\u00e3o de Portugal, passando por cima da Coroa de Lisboa e do vice-rei da Bahia.<\/p>\n<p>Como o \u00fanico meio de comunica\u00e7\u00e3o era atrav\u00e9s dos navios, as medidas e diretrizes passadas para os diretores do forte de Ajuda caducavam. O mesmo acontecia do Golfo de Benin para a Bahia e Lisboa. Uma missiva para Portugal transitava primeiro na Bahia para depois chegar o reino.\u00a0 Muitas vezes duravam seis meses para se saber da morte de uma autoridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tr\u00e1fico negreiro baiano no Golfo do Benin entre os s\u00e9culos XVII e o XIX tem muita semelhan\u00e7a com o tr\u00e1fico de drogas praticado no Brasil de hoje, considerando suas intrigas, conflitos, mortes e descumprimento das ordens dadas pelas autoridades de Lisboa, os diretores das fortifica\u00e7\u00f5es e os vice-reis da Bahia, conforme relatos do etn\u00f3logo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7861"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7861"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7861\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}