{"id":7798,"date":"2023-01-21T01:04:40","date_gmt":"2023-01-21T04:04:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7798"},"modified":"2023-01-21T01:05:21","modified_gmt":"2023-01-21T04:05:21","slug":"br2466-ou-a-patria-que-o-pariu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/01\/21\/br2466-ou-a-patria-que-o-pariu\/","title":{"rendered":"&#8220;BR2466 OU A P\u00c1TRIA QUE O PARIU&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Uma mistura de contonetas com croniquetas, se me permite os termos esdr\u00faxulos meu amigo cr\u00edtico liter\u00e1rio e fil\u00f3sofo N\u00e9lio Silzantov a respeito do seu novo livro \u201cBr2466 ou a p\u00e1tria que os pariu\u201d, numa capa antropof\u00e1gica que nos lembra faces de pinturas humanas da idade m\u00e9dia. Seu livro \u00e9 como abrir a porta para receber um grande amigo para prosear por horas.<\/p>\n<p>Quem sou eu para fazer uma an\u00e1lise mais profunda sobre sua linguagem curta e direta do cotidiano da vida rodriganiana, numa intera\u00e7\u00e3o copular entre a l\u00edngua falada e a escrita, sem medo de se expor aos mais conservadores. As express\u00f5es s\u00e3o como bofetadas de pelicas em nossas faces.<\/p>\n<p>Em muitos cap\u00edtulos, f\u00e1ceis de serem digeridos, como \u201cToda insanidade \u00e9 uma forma desesperada de adestrar um marido\u201d, N\u00e9lio fala de renova\u00e7\u00e3o dos votos de amor para um marido culpado pelo casamento ter sido motivo de falat\u00f3rios. Ela acreditava que em suas veias corriam o sangue dos bravos selvagens, mas \u201cteu sangue \u00e9 ralinho\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG_4793.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7799\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG_4793.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG_4793.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/IMG_4793-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em \u201cO amor n\u00e3o \u00e9 tudo o que importa\u201d, o autor desnuda as rela\u00e7\u00f5es sexuais entre Adrielly e Otoniel que tudo faz para n\u00e3o transar com a mulher. \u201cO amor n\u00e3o \u00e9 tudo o que importa, repetia em seu \u00edntimo, enquanto buscava reacender o tes\u00e3o observando as silhuetas daquela apetitosa esposa deitada ao seu lado, que \u00e0quela altura, cansada de esperar pelo pau mole do marido, devia estar sonhando qualquer coisa num sono profundo\u201d.<\/p>\n<p>Otoniel era fixo nos estudos, mas \u201csua carreira de escritor n\u00e3o passava de um exerc\u00edcio intelectual, visto por parentes e amigos como um hobby ut\u00f3pico e narcisista que lhe rendia mais despesas, desdenho dos pares e frustra\u00e7\u00e3o pessoal do que lucro e conformidade aos valores nacionais resguardas pelo Estado\u201d.<\/p>\n<p>Em seus contos ou croniquetas, como j\u00e1 dizia meu saudoso amigo S\u00e9rgio Fonseca que falava v\u00e1rias l\u00ednguas e transbordava conhecimento sem ser reconhecido, nosso N\u00e9lio d\u00e1 as suas porradas nessa sociedade hip\u00f3crita, corrupta e sem \u00e9tica pol\u00edtica e social.<\/p>\n<p>\u201cO amor tudo sofre, tudo cr\u00ea, tudo espera e tudo suporta, minha querida. Estamos felizes agora?, \u00e9 claro que estamos. Mas e quando a mis\u00e9ria que se alastra por todo canto bater \u00e0 nossa porta? As ruas j\u00e1 n\u00e3o abrigam mais os infortunados de outrora\u201d diz o seu personagem. \u201cSonhar acordado, como dizem, n\u00e3o paga imposto\u201d.<\/p>\n<p>Se em seu romance \u201cDesumanizados\u201d, N\u00e9lio escancara a realidade do ser humano, da forma como ele \u00e9, em seus contos-croniquetas de \u201cBr2466 ou a p\u00e1tria que os pariu\u201d, de linguagem access\u00edvel, N\u00e9lio observa o cotidiano da vida e o transp\u00f5e em textos concisos e reais que somente ele consegue fazer.<\/p>\n<p>De f\u00e1cil e prazerosa leitura, N\u00e9lio joga com a pol\u00edtica, o social e o comportamento das pessoas, com cr\u00edticas \u00e1cidas que fazem o leitor parar para refletir sobre seu eu existencial.\u00a0 Bem verdade quando afirma que o \u201cEstado \u00e9 uma m\u00e1quina de triturar homens\u201d.<\/p>\n<p>\u201cBr2466 \u00e9 a divers\u00e3o com uma mistura de temas inusitados, como a ideia de um regionalismo puro sangue, a dedica\u00e7\u00e3o de Deus para criar um Rei do Brega e o comportamentalismo que envolve cabras e polu\u00e7\u00f5es noturnas\u201d &#8211; como bem assinalou o prefaciador Leonardo Ara\u00fajo Oliveira, professor do Departamento de Ci\u00eancias Humanas, Educa\u00e7\u00e3o e Linguagem da Uesb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma mistura de contonetas com croniquetas, se me permite os termos esdr\u00faxulos meu amigo cr\u00edtico liter\u00e1rio e fil\u00f3sofo N\u00e9lio Silzantov a respeito do seu novo livro \u201cBr2466 ou a p\u00e1tria que os pariu\u201d, numa capa antropof\u00e1gica que nos lembra faces de pinturas humanas da idade m\u00e9dia. 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