{"id":7750,"date":"2022-12-30T23:24:36","date_gmt":"2022-12-31T02:24:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7750"},"modified":"2022-12-30T23:25:10","modified_gmt":"2022-12-31T02:25:10","slug":"fluxo-e-refluxo-v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/12\/30\/fluxo-e-refluxo-v\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221; V"},"content":{"rendered":"<p>Costa a Sotavento da Mina: O tr\u00e1fico em Ajud\u00e1 (Uid\u00e1)<\/p>\n<p>Os primeiros navegadores, os portugueses, fundaram o castelo de S\u00e3o Jorge da Mina, em 1482, na Costa da Mina. Mais tarde Portugal ficou sob dom\u00ednio da coroa da Espanha, de 1580 a 1640. No s\u00e9culo XVII os holandeses se apoderaram de Pernambuco e das ilhas de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, bem como de Angola e do castelo, em 1637.<\/p>\n<p>Com essa interven\u00e7\u00e3o holandesa, conforme cita o fot\u00f3grafo e etn\u00f3logo Pierre Verger em sua cl\u00e1ssica obra \u201cFluxo e Refluxo\u201d, Portugal perdeu o monop\u00f3lio do com\u00e9rcio na costa da \u00c1frica. Por mais de um s\u00e9culo, o tr\u00e1fico negreiro dos negociantes baianos, principalmente, viveu per\u00edodos de desordens e intrigas, sem falar no contrabando do ouro, subornos e conflitos.<\/p>\n<p>Somente no final do s\u00e9culo XVII o com\u00e9rcio na Costa da Mina se desenvolveu com a Bahia. Segundo Verger, o estatuto das na\u00e7\u00f5es europeias era diferente na Costa do Ouro e na Costa a Sotavento (Golfo do Benin).<\/p>\n<p>Na Costa do Ouro, elas estavam fortemente entrincheiradas em fortalezas constru\u00eddas \u00e0 beira mar, s\u00f3lidas para resistir aos assaltos dos chefes ind\u00edgenas ou das embarca\u00e7\u00f5es piratas.\u00a0 Os europeus dominavam o mercado local e proibiam o acesso aos navios das na\u00e7\u00f5es estrangeiras, caso de Portugal.<\/p>\n<p>No entanto, na Costa da Mina, as fortifica\u00e7\u00f5es em Uid\u00e1 se situavam no interior das terras, sendo incapazes de resistir por muito tempo aos ataques das autoridades ind\u00edgenas (reinos que sempre viviam em guerras).<\/p>\n<p>Em \u201cFluxo e Refluxo\u201d o autor destaca que havia ao longo da costa uma s\u00e9rie de pequenos reinos que guerreavam uns contra os outros, especialmente na Costa da Mina. O reino de Ardra, por exemplo, controlava os caminhos desde o interior. Podia bloquear quando bem quisesse e cortar o abastecimento de escravos em benef\u00edcio do seu porto. Por sua vez, esse reino era submisso ao seu vizinho Oy\u00f3, ou Ulcumy, que era grande inimigo do rei de Daom\u00e9.<\/p>\n<p>Como a situa\u00e7\u00e3o era vexat\u00f3ria e o com\u00e9rcio desorganizado por causa das interven\u00e7\u00f5es holandesas que obrigavam que baianos e portugueses negociassem com eles no castelo de S\u00e3o Jorge pagando um tributo de dez por cento, desde 1680 Portugal tentava construir um forte em Uid\u00e1, mas sem sucesso.<\/p>\n<p>Por volta de 1698 as desordens prosseguiam na costa em virtude dos conflitos entre os reinos que impediam que o tr\u00e1fico flu\u00edsse. A situa\u00e7\u00e3o dos portugueses era delicada e desconfort\u00e1vel depois da tomada do castelo de S\u00e3o Jorge pelos holandeses.<\/p>\n<p>Os descendentes dos antigos comerciantes que viviam na costa serviam de intermedi\u00e1rios para o fornecimento de escravos \u00e0s embarca\u00e7\u00f5es do tr\u00e1fico do Brasil e das diversas na\u00e7\u00f5es europeias.<\/p>\n<p>No entanto, muitas vezes o com\u00e9rcio se invertia e as trocas ocorriam com os ingleses, franceses e holandeses que tinham interesses em negociar com tabaco e ouro que no Brasil levava para a Costa da Mina de forma clandestina.<\/p>\n<p>As autoridades, como os vice-reis, governadores, o Conselho Ultramarino e os comit\u00eas (Mesas de Neg\u00f3cios da Bahia) tentavam estabelecer regras, mas eram violadas pelos pr\u00f3prios negociantes e donos de navios onde cada um procurava realizar seu neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Essa falta de ordem e m\u00e1 conduta dos portugueses terminavam arruinando o com\u00e9rcio e elevando os pre\u00e7os dos escravos que j\u00e1 eram escassos por causa das guerras. Para ter cativos de qualidade, capit\u00e3es de navios chegavam a pagar o dobro do pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Existia at\u00e9 uma rivalidade entre Lisboa e a Bahia pelo controle do com\u00e9rcio na costa da \u00c1frica. Os negociantes da Bahia se recusavam a buscar escravos em outras regi\u00f5es, como recomendava Portugal.<\/p>\n<p>Na tentativa de resolver o problema, o vice-rei do Brasil, Vasco Fernandes C\u00e9sar de Menezes autorizou, em 1721, o capit\u00e3o Joseph de Torres a construir um forte em Uid\u00e1 (Ajud\u00e1), s\u00f3 que tempos depois foi destru\u00eddo nas guerras. O pr\u00f3prio capit\u00e3o tinha fama de trapaceiro e chegou a ser preso pelo reino de Portugal. O projeto n\u00e3o deu os resultados esperados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Costa a Sotavento da Mina: O tr\u00e1fico em Ajud\u00e1 (Uid\u00e1) Os primeiros navegadores, os portugueses, fundaram o castelo de S\u00e3o Jorge da Mina, em 1482, na Costa da Mina. Mais tarde Portugal ficou sob dom\u00ednio da coroa da Espanha, de 1580 a 1640. No s\u00e9culo XVII os holandeses se apoderaram de Pernambuco e das ilhas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7750"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7750\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}