{"id":7735,"date":"2022-12-23T23:42:04","date_gmt":"2022-12-24T02:42:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7735"},"modified":"2022-12-23T23:42:50","modified_gmt":"2022-12-24T02:42:50","slug":"fluxo-e-refluxo-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/12\/23\/fluxo-e-refluxo-iv\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221; IV"},"content":{"rendered":"<p>A CARTA DO DESEMBARGADOR E A<\/p>\n<p>DESORDEM NO TR\u00c1FICO NEGREIRO<\/p>\n<p>Entre os s\u00e9culos XVII e XVIII, o tr\u00e1fico negreiro na Costa a Sotavento da Mina (Golfo do Benin) sempre transcorreu na maior desordem onde os negociantes da Bahia n\u00e3o se entendiam com o vice-rei e nem com as cortes de Portugal, sem contar os transtornos com os holandeses nas fortifica\u00e7\u00f5es de Ajud\u00e1, os quais cobravam taxas de impostos.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, por volta de 1735, o vice-rei Vasco Fernandes C\u00e9sar de Menezes, conde de Sabugosa, era substitu\u00eddo por Andr\u00e9 de Melo e Castro, conde de Galveas. Um ano depois, o Senado queixava-se das taxas impostas pelo comit\u00ea de negociantes (Mesa de Neg\u00f3cios) criado treze anos antes.<\/p>\n<p>O todo poderoso, ouvido pelo reino de Portugal era o desembargador Wencesl\u00e3o Pereira da Silva, oposto \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es dos negociantes da Bahia. Ele escreveu um longo parecer para conter as ru\u00ednas dos tr\u00eas principais g\u00eaneros do com\u00e9rcio, o a\u00e7\u00facar, tabaco e a sola.<\/p>\n<p>Em \u201cFluxo e Refluxo\u201d, Pierre Verger, autor da obra cita que o desembargador destacava dois problemas nesse com\u00e9rcio, um de ordem interne e outro externo. Quanto a este \u00faltimo dizia que procede de grande abatimento e falta de consumo dos tr\u00eas referidos g\u00eaneros, especialmente a\u00e7\u00facar, que n\u00e3o t\u00eam sa\u00edda por causa das f\u00e1bricas que os estrangeiros aumentam nas suas col\u00f4nias.<\/p>\n<p>As lavras de ouro e diamante contribuem de certa parte para a destrui\u00e7\u00e3o das lavouras e engenhos de cana porque fizeram subir os pre\u00e7os dos escravos e at\u00e9 dos cavalos e bois. Com rela\u00e7\u00e3o aos cativos, os pre\u00e7os passaram de 40 a 50 mil reis para cerca de 200 mil cada escravo devido ao consumo e sa\u00edda que tiveram para as minas.<\/p>\n<p>Sobre os males internos, ele apontava a demasia de luxo, venenoso e depravado v\u00edcio, \u201cnascido de uns negros fumos exalados das oficinas do inferno, que cruelmente infecciona, destr\u00f3i e consome estes moradores mal morigerados\u201d. Cada um se veste como lhe parece no modo e no excesso do imoderado luxo. O rei D. Jo\u00e3o V esbanjava lux\u00faria para imitar o seu colega da Fran\u00e7a, Luiz XIV, tudo \u00e0s custas do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sendo menos intoler\u00e1vel o uso e abuso de cadeiras guarnecidas de ouro e sedas, que s\u00e3o as carruagens da terra, moda introduzida h\u00e1 nove ou dez anos e h\u00e1 pouco permitida a pessoas de inferior condi\u00e7\u00e3o, no que fazem excessivas despesas\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Com refer\u00eancia aos holandeses e zelandeses, dizia serem interessados na Companhia da Mina que tem ali estabelecido seu com\u00e9rcio com os negros que s\u00e3o revendidos depois aos portugueses a troco de ouro.<\/p>\n<p>Para combater a desordem no tr\u00e1fico negreiro, o desembargador sugeria a cria\u00e7\u00e3o de uma nova Companhia Geral aos moldes do que existe em outros reinos, cujo tr\u00e1fico e principal emprego ser\u00e1 resgatar escravos da \u00c1frica e vend\u00ea-los nos portos do mar do Brasil. Como exemplo cita a Companhia Geral do Com\u00e9rcio no ano de 1649, que serviu de tanta utilidade \u00e0 monarquia.<\/p>\n<p>Acontece que a regula\u00e7\u00e3o do mercado era complicada e sempre foi um assunto pol\u00eamico porque existiam os mais poderosos que tendiam ao monop\u00f3lio e n\u00e3o queriam ceder sua parte, como a reserva de apenas 24 embarca\u00e7\u00f5es indo da Bahia por esquadras de tr\u00eas em viagem \u00e0 Costa da Mina, de tr\u00eas em tr\u00eas meses.<\/p>\n<p>Em 1741, esse tr\u00e1fico passou por um per\u00edodo de desorganiza\u00e7\u00e3o. Caso n\u00e3o encontrasse uma solu\u00e7\u00e3o, o vice-rei temia que poderia desaparecer completamente. Para ele, a consequ\u00eancia seria a ru\u00edna do Brasil que n\u00e3o pode sobreviver sem o trabalho dos cativos. Cada negociante oferecia o maior n\u00famero de rolos de tabaco por um escravo. Houve v\u00e1rias propostas para reorganizar as bases do tr\u00e1fico na Costa a Sotavento da Mina, mas sempre eram transgredidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CARTA DO DESEMBARGADOR E A DESORDEM NO TR\u00c1FICO NEGREIRO Entre os s\u00e9culos XVII e XVIII, o tr\u00e1fico negreiro na Costa a Sotavento da Mina (Golfo do Benin) sempre transcorreu na maior desordem onde os negociantes da Bahia n\u00e3o se entendiam com o vice-rei e nem com as cortes de Portugal, sem contar os transtornos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7735"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7735"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7735\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}