{"id":7718,"date":"2022-12-16T23:26:11","date_gmt":"2022-12-17T02:26:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7718"},"modified":"2022-12-16T23:26:37","modified_gmt":"2022-12-17T02:26:37","slug":"fluxo-e-refluxo-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/12\/16\/fluxo-e-refluxo-iii\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221; III"},"content":{"rendered":"<p>\u201cRea\u00e7\u00f5es Provocadas na Bahia pelas dificuldades Encontradas para Traficar na Costa da Mina\u201d.<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es dos traficantes negreiros baianos na Costa da Mina (Golfo do Benin) sempre foram complicadas entre os s\u00e9culos XVII e XVIII por causa das interfer\u00eancias dos holandeses que viviam em guerra contra Portugal, cujo reino recomendava o com\u00e9rcio com Cabo Verde, Gab\u00e3o e Angola.<\/p>\n<p>Em \u201cFluxo e Refluxos\u201d, obra do fot\u00f3grafo e etn\u00f3logo Pierre Verger, esses pontos est\u00e3o bem figurados em suas pesquisas que demoraram 20 anos. Em um de seus cap\u00edtulos ele assinala que \u201ccom o desenvolvimento do tr\u00e1fico negreiro na Costa a Sotavento da Mina multiplicavam-se as dificuldades e incidentes entre os navios da Companhia Holandesa das \u00cdndias Ocidentais e os dos negociantes da Bahia\u201d.<\/p>\n<p>Por causa do tabaco de qualidade inferior e depois do ouro contrabandeado no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, a Bahia preferia os negros da Costa da Mina, mesmo com as apreens\u00f5es de cargas e fiscaliza\u00e7\u00f5es impostas pelos holandeses, sem contar os pre\u00e7os exorbitantes dos cativos.<\/p>\n<p>Acontece que os negros da Costa da Mina eram mais procurados para as minas e os engenhos de a\u00e7\u00facar do que os de Angola, pela facilidade com que estes morrem e se suicidam. Os primeiros eram mais rebeldes e de dif\u00edcil tratamento, mas conhecedores e h\u00e1beis no trabalho de explora\u00e7\u00e3o do ouro.<\/p>\n<p>A rivalidade entre os negociantes de Lisboa e os da Bahia continuou sem grandes mudan\u00e7as at\u00e9 1720, quando da chegada de Vasco Fernandes C\u00e9sar de Menezes, na qualidade de trig\u00e9simo nono governador e quarto vice-rei do Brasil. No in\u00edcio de sua reg\u00eancia de quinze anos, ele favoreceu as iniciativas dos negociantes da Bahia contra os de Lisboa, mas ocorreram muitos imbr\u00f3glios.<\/p>\n<p>Um dos problemas que o vice-rei teve que enfrentar foi com o capit\u00e3o de mar e guerra Joseph de Torres, um astuto, ardiloso e contrabandista de ouro para Costa da Mina, desviando recursos do reino de Portugal. Ele foi autorizado a construir um forte em Ajud\u00e1 (fortaleza ces\u00e1rea) e terminou criando rela\u00e7\u00f5es conflituosas com os holandeses (Castelo de S\u00e3o Jorge da Mina) e os ingleses. Os m\u00e9todos usados por Torres nunca foram legais.<\/p>\n<p>O Joseph de Torres chegou a ser preso e sumiu por uns tempos, mas retornou pelos anos 1730 como delator dos contrabandistas para fazer m\u00e9dia e se aproximar das autoridades do reino de Portugal, inclusive do vice-rei. Ele foi acusado de ter cometido diversas fraudes no com\u00e9rcio na Costa da Mina. Na verdade, era um grande sonegador dos direitos em impostos dos portugueses.<\/p>\n<p>Em 1723, com apoio do vice-rei Vasco de Menezes, foi fundada a Mesa do Bem Comum dos Homens de Neg\u00f3cio da Bahia, uma esp\u00e9cie de comit\u00ea de c\u00e2mara de com\u00e9rcio. Seis meses depois foi criada, em Lisboa, a Companhia do Corisco.<\/p>\n<p>Conservavam-se as duas tend\u00eancias, a de Lisboa que queria fazer o tr\u00e1fico com Cabo Verde e Gab\u00e3o, e a Bahia com a Costa da Mina. Por causa dessa Companhia aconteceram diversos incidentes na Costa da Mina entre holandeses (Companhia Holandesa das \u00cdndias Ocidentais) e portugueses.<\/p>\n<p>Os negros de Angola, como j\u00e1 foi dito antes, n\u00e3o servem para o trabalho das minas, mas somente como dom\u00e9sticos, para acompanhar as pessoas do Estado de Minas como lacaios \u2013 dizia o vice-rei em desacordo com as posi\u00e7\u00f5es de Lisboa.<\/p>\n<p>De acordo com ele, era imposs\u00edvel impedir o transporte de negros da Costa da Mina, apesar de serem resolutos e temer\u00e1rios, e recomendava precau\u00e7\u00f5es e disciplina com as etnias dessa regi\u00e3o. Em seguida vamos acompanhar as intrigas entre o governador de Minas Gerais e o vice-rei Vasco de Menezes, bem como a ingratid\u00e3o de Joseph de Torres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cRea\u00e7\u00f5es Provocadas na Bahia pelas dificuldades Encontradas para Traficar na Costa da Mina\u201d. 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