{"id":7685,"date":"2022-12-09T21:53:14","date_gmt":"2022-12-10T00:53:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7685"},"modified":"2022-12-09T21:53:36","modified_gmt":"2022-12-10T00:53:36","slug":"fluxo-e-refluxo-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/12\/09\/fluxo-e-refluxo-ii\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221; II"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAs Tr\u00eas raz\u00f5es Determinantes das Rela\u00e7\u00f5es da Costa a Sotavento da Mina com a Bahia de Todos os Santos\u201d<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do tabaco da Bahia como produto nas negocia\u00e7\u00f5es em troca de cativos africanos, principalmente na Costa da Mina.<\/p>\n<p>Neste cap\u00edtulo do livro de \u201cFluxo e Refluxo\u201d, o fot\u00f3grafo e etn\u00f3logo Pierre Verger trata das negocia\u00e7\u00f5es dos traficantes negreiros da Bahia na Costa da Mina entre os holandeses, ingleses e franceses, principalmente entre os s\u00e9culos XVII e XVIII, incluindo o per\u00edodo em que a Espanha dominava Portugal que vivia em guerra contra a Holanda.<\/p>\n<p>A pesquisa de Verger, que durou 20 anos, \u00e9 recheada de dados hist\u00f3ricos, datas e relatos de viajantes, capit\u00e3es dos navios e governadores das prov\u00edncias e fortalezas que existiam na Costa da Mina. Por Costa da Mina ele mapeia o Golfo ou a Baia de Benin, Guin\u00e9 at\u00e9 o rio Lagos.<\/p>\n<p>Em seus estudos, assinala que a Costa da Mina (Castelo S\u00e3o Jorge da Mina fundada pelos portugueses em 1482) era desprovida de interesse por Portugal. Nela n\u00e3o se encontrava ouro, especiarias e marfim para negociar.<\/p>\n<p>Essa parte da \u00c1frica s\u00f3 veio adquirir import\u00e2ncia no final do s\u00e9culo XVII porque era l\u00e1 que os navegantes da Bahia iam buscar seu reabastecimento de escravos. Apesar do tr\u00e1fico na regi\u00e3o ter sido posteriormente proibido aos portugueses, o nome Costa da Mina ficou ligada durante os s\u00e9culos XVII e XVIII \u00e0 parte leste de S\u00e3o Jorge da Mina.<\/p>\n<p>Na Bahia \u201cnegro da mina\u201d era aquele vindo da Costa a Sotavento, atual costa do Togo e do Benin. Somente nessa parte os negociantes baianos encontravam sa\u00edda para seu fumo de terceira categoria que era proibido entrar em Portugal.<\/p>\n<p>A Companhia Holandesa das \u00cdndias Ocidentais, fundada em 1621, que reservava o monop\u00f3lio do com\u00e9rcio para si na Europa e Costa da Mina, ap\u00f3s a tomada do Castelo de S\u00e3o Jorge da Mina e o tratado de 1664, deixava livre somente o com\u00e9rcio do tabaco da Bahia e Pernambuco. Por\u00e9m, a popula\u00e7\u00e3o banta da costa ocidental dava mais valia para as fazendas, aguardente e outras quinquilharias. Os navios levavam bugigangas da Europa para \u00c1frica, os negros da \u00c1frica \u00e0s Am\u00e9ricas, e a\u00e7\u00facar, anil, rum e outros produtos das Am\u00e9ricas para Europa.<\/p>\n<p>Em 1644, um decreto real autorizava os navegadores portugueses, carregados de tabaco, a irem diretamente da Bahia para a Costa da Mina a fim de procurar escravos e traz\u00ea-los para o Brasil. Nessa \u00e9poca, Angola estava ocupada pelos holandeses e s\u00f3 foi libertada em 1648.<\/p>\n<p>Sobre a cultura do tabaco, muito negociada por cativos, o padre Andr\u00e9 Jo\u00e3o Antonil fez um minucioso estudo da sua cultura. Ele estimava que por ano entravam em Lisboa 25 mil rolos de tabaco da Bahia e 2.500 de Alagoas e Pernambuco. Esse tabaco ruim passava por um beneficiamento e se tornava bem aceito na Costa a Sotavento da Mina.<\/p>\n<p>Os portugueses de Lisboa tentavam impedir que os negociantes da Bahia traficassem na Costa da Mina, mas eles possu\u00edam suas artimanhas com subornos e conseguiam realizar seu com\u00e9rcio. Eram obrigados a pagar dez por cento de tudo que vendiam.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo coment\u00e1rio vamos falar da regulamenta\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio do tabaco, uma mercadoria muito apreciada pelos negros, especialmente no uso do cachimbo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAs Tr\u00eas raz\u00f5es Determinantes das Rela\u00e7\u00f5es da Costa a Sotavento da Mina com a Bahia de Todos os Santos\u201d A import\u00e2ncia do tabaco da Bahia como produto nas negocia\u00e7\u00f5es em troca de cativos africanos, principalmente na Costa da Mina. 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