{"id":7655,"date":"2022-12-02T22:41:51","date_gmt":"2022-12-03T01:41:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7655"},"modified":"2022-12-02T22:42:14","modified_gmt":"2022-12-03T01:42:14","slug":"fluxo-e-refluxo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/12\/02\/fluxo-e-refluxo\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\u201cDo Tr\u00e1fico de Escravos entre o Golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos, do S\u00e9culo XVII ao XIX\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/IMG_4742.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7656\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/IMG_4742.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/IMG_4742.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/IMG_4742-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ele nasceu em 1902, em Paris. Foi fot\u00f3grafo, etn\u00f3logo e antrop\u00f3logo. Em 1946 come\u00e7ou sua pesquisa sobre as influ\u00eancias entre o Golfo do Benin ou Costa da Mina, e a Bahia de Todos os Santos. O resultado desse trabalho lhe deu o t\u00edtulo de doutor de terceiro ciclo na Sorbonne. Passou grande parte da sua vida em Salvador onde desenvolveu estudos sobre o culto aos orix\u00e1s para o Instituto Franc\u00eas da \u00c1frica. Converteu-se ao candombl\u00e9 assumindo o nome de Pierre Fatumbi Verger. Morreu em 1996, em Salvador.<\/p>\n<p>O livro \u201cFluxo e Refluxo\u201d foi resultado de uma pesquisa de vinte anos, apresentado pela primeira vez na Sorbonne, em 1966. No entanto, s\u00f3 foi lan\u00e7ado no Brasil, em 1987. A obra se converteu num marco historiogr\u00e1fico sobre o tr\u00e1fico negreiro para o Brasil, com destaque para a Bahia, prov\u00edncia que no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII ao XIX mais recebeu cativos vindos da Costa da Mina (Castelo de S\u00e3o Jorge da Mina) que abrange especialmente o Benin, antigo reino de Daom\u00e9, da cidade de Uid\u00e1 ou Ajud\u00e1. Jud\u00e1, Fid\u00e1 entre outros nomes.<\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o do livro de quase mil p\u00e1ginas, Verger destaca que a presen\u00e7a dos costumes de habitantes do Golfo de Benin \u00e9 tanto mais not\u00e1vel na Bahia quanto as influ\u00eancias bantas do Congo e Angola s\u00e3o mais aparentes no resto do Brasil. Ele classifica o tr\u00e1fico de escravos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Bahia em quatro per\u00edodos, como o Ciclo da Guin\u00e9 no s\u00e9culo XVI, de Angola e do Congo no s\u00e9culo XVII, o da Costa da Mina nos primeiros quartos do s\u00e9culo XVIII e o do Golfo do Benin, os daomeanos ou jejes, entre 1770 e 1850.<\/p>\n<p>Os nag\u00f4s-iorub\u00e1s, da regi\u00e3o da Nig\u00e9ria aqui chegaram na Bahia no \u00faltimo ciclo, ou seja, entre os s\u00e9culos XVIII e XIX e eram de classe mais elevada, prisioneiros de guerra, sacerdotes e mais conscientes do valor de suas institui\u00e7\u00f5es, ligados aos preceitos de uma religi\u00e3o, o islamismo. Nesse sentido, essa etnia era mais rebelde e unida, surgindo da\u00ed a rebeli\u00e3o dos mal\u00eas, em 1835.<\/p>\n<p>Verger cita os estudos de Luiz Vianna Filho onde ressalta que \u201cos bantos foram os primeiros negros exportados em grande escala para a Bahia, e aqui deixaram de modo indel\u00e9vel os marcos de sua cultura\u201d na l\u00edngua, na religi\u00e3o e no folclore. Eles falavam melhor o portugu\u00eas que os negros da Costa da Mina. A mercadoria mais importante na troca de escravos era o tabaco da Bahia que n\u00e3o tinha muita import\u00e2ncia na Guin\u00e9, Angola e Congo, mas boa aceita\u00e7\u00e3o na Costa da Mina.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/IMG_4743.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7657\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/IMG_4743.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/IMG_4743.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/IMG_4743-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o da obra, o autor faz refer\u00eancias \u00e0 queima de documentos sobre os escravos vindos da \u00c1frica por ordem de Rui Barbosa, ministro das Finan\u00e7as entre 1890\/91. Sobre a destrui\u00e7\u00e3o desses registros existe uma grande pol\u00eamica entre os historiadores.<\/p>\n<p>Uma vers\u00e3o diz que Rui Barbosa e o governo da \u00e9poca, com apoio do legislativo, tiveram a inten\u00e7\u00e3o de apagar para sempre a lembran\u00e7a e os tra\u00e7os da escravid\u00e3o no pa\u00eds. Outros que o prop\u00f3sito foi o de impedir que os propriet\u00e1rios dos cativos n\u00e3o pudessem entrar com peti\u00e7\u00f5es de indeniza\u00e7\u00f5es, como fizeram os ingleses e franc\u00eas quando da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. Muita coisa foi perdida dificultando o trabalho mais aprofundado por parte dos\u00a0 pesquisadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDo Tr\u00e1fico de Escravos entre o Golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos, do S\u00e9culo XVII ao XIX\u201d. Ele nasceu em 1902, em Paris. Foi fot\u00f3grafo, etn\u00f3logo e antrop\u00f3logo. 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