{"id":761,"date":"2015-01-26T23:47:27","date_gmt":"2015-01-27T02:47:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=761"},"modified":"2015-01-26T23:47:37","modified_gmt":"2015-01-27T02:47:37","slug":"itamar-indica-e-comenta-orlando-senna-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/01\/26\/itamar-indica-e-comenta-orlando-senna-7\/","title":{"rendered":"ITAMAR INDICA E COMENTA ORLANDO SENNA"},"content":{"rendered":"<p>Blog Refletor\u00a0\u00a0\u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina\u00a0<a href=\"http:\/\/refletor.tal.tv\/ponto-de-vista\/orlando-senna-o-resgate-do-mexico\">http:\/\/refletor.tal.tv\/ponto-de-vista\/orlando-senna-o-resgate-do-mexico<\/a><\/p>\n<p><strong>O RESGATE DO M\u00c9XICO<\/strong><\/p>\n<p>Nos anos 1940 e 1950 os filmes musicais de Hollywood misturavam as culturas do M\u00e9xico e do Brasil, com Carmem Miranda cercada de rumbeiros dan\u00e7ando imita\u00e7\u00f5es de samba. As coreografias e figurinos binacionais (ou tri, porque Cuba tamb\u00e9m entrava na dan\u00e7a) viravam uma coisa s\u00f3 em um conceito definido como South American Way, como se a Am\u00e9rica do Sul come\u00e7asse no rio Grande e inclu\u00edsse o Caribe. Com o correr do tempo Hollywood e Washington perceberam que havia diferen\u00e7as fundamentais entre os dois pa\u00edses permeando a identidade latino-americana que os une.<\/p>\n<p>Uma identidade lastreada no mesmo tipo de conforma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica de ambos (ib\u00e9rica-ind\u00edgena-africana), nas suas hist\u00f3rias de coloniza\u00e7\u00e3o e escravid\u00e3o, nas guerras de independ\u00eancia. Em outro aspecto identificador, o fato de serem os pa\u00edses mais populosos e as maiores economias da Am\u00e9rica Latina e, tamb\u00e9m, a amizade que une seus povos. Nas \u00faltimas semanas escrevi neste blog sobre pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e amigos mexicanos me perguntaram por que o Brasil est\u00e1 t\u00e3o distante do M\u00e9xico em um momento em que o M\u00e9xico est\u00e1 pedindo socorro, mencionando os apoios brasileiros a Argentina e Cuba.<\/p>\n<p>O M\u00e9xico vive um dos piores momentos de sua hist\u00f3ria de quase meio mil\u00eanio, resultado de uma corrosiva alian\u00e7a entre poderes institucionais e o crescente poder do narcotr\u00e1fico. Uma situa\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a se desenhar no final da d\u00e9cada 1980, na fronteira com os EUA e no contato com distribuidores de drogas estadunidenses. Praticamente todo o territ\u00f3rio mexicano est\u00e1 contaminado pelo crime, bastando citar a a\u00e7\u00e3o do grupo Zetas, bra\u00e7o armado do Cartel do Golfo, o maior de todos, que submeteu as pequenas quadrilhas (sequestradores, traficantes de imigrantes ilegais e de armas, narcotraficantes varejistas, agentes da prostitui\u00e7\u00e3o, ladr\u00f5es de carros, punguistas, etc) ao seu comando \u00fanico.<\/p>\n<p><!--more-->A viol\u00eancia \u00e9 inaudita, com m\u00e9todos que v\u00e3o da decapita\u00e7\u00e3o em massa de advers\u00e1rios e renitentes a massacres de jovens estudantes. O poder do estado \u00e9, a cada dia, mais fr\u00e1gil do que o poder do tr\u00e1fico. \u00c9 como se fosse uma Nig\u00e9ria do narcotr\u00e1fico (falo da Nig\u00e9ria do Boko Haram, do radicalismo religioso; a prop\u00f3sito, M\u00e9xico e Nig\u00e9ria s\u00e3o pa\u00edses emergentes e rep\u00fablicas democr\u00e1ticas).<\/p>\n<p>O grande artista pl\u00e1stico e ne\u00f3logo mexicano\u00a0Felipe Ehrenberg, que morou no Brasil como adido cultural (tamb\u00e9m ator nos filmes\u00a0<em>Crime delicado<\/em>\u00a0e\u00a0<em>O amor segundo B. Schianberg\u00a0<\/em>de Beto Brant) \u00e9 um desses amigos que esperam uma atitude do Brasil frente \u00e0 cat\u00e1strofe do M\u00e9xico. Segundo ele, \u201co miolo do assunto s\u00e3o os novos processos e as novas t\u00e1ticas de desestabiliza\u00e7\u00e3o aos quais o M\u00e9xico est\u00e1 sendo submetido e que substituem as invas\u00f5es armadas\u201d. Entre essas t\u00e1ticas est\u00e1 a monitora\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o oficial e das redes sociais pelas m\u00e1fias e, em outro n\u00edvel, a perfura\u00e7\u00e3o eficiente e efetiva dos servi\u00e7os de seguran\u00e7a por parte dos EUA: \u201cesses servi\u00e7os e ag\u00eancias de intelig\u00eancia foram ocupados em 100% em 2011, ap\u00f3s o atentado ao Casino Royal em Monterrey\u201d.<\/p>\n<p>Enfim, um caos que tem tudo a ver com a frase do ditador Porfirio D\u00edaz (morto h\u00e1 um s\u00e9culo) al\u00e7ada a dito popular:\u00a0\u201cpobre M\u00e9xico, t\u00e3o longe de Deus e t\u00e3o perto dos Estados Unidos\u201d. \u00c9 essa proximidade que tamb\u00e9m influencia nas diferen\u00e7as entre M\u00e9xico e Brasil, incluindo a necessidade que os mexicanos sentiram, tamb\u00e9m h\u00e1 um s\u00e9culo, de fazer uma revolu\u00e7\u00e3o popular e a reforma agr\u00e1ria, caminhos que o Brasil n\u00e3o trilhou. Em tempos recentes o M\u00e9xico se aliou ao modelo neoliberal e funcionou como elemento de press\u00e3o dos EUA contra o Brasil e outros pa\u00edses latino-americanos que optaram por modelos pr\u00f3prios \u2014 e tamb\u00e9m por rela\u00e7\u00f5es menos dependentes com os EUA.<\/p>\n<p>Mais de 85% do com\u00e9rcio exterior do M\u00e9xico \u00e9 com os EUA e, como \u00e9 a parte mais fraca, quando a economia estadunidense cai um pouco a do M\u00e9xico cai muito, quando a economia-mater cai muito a do M\u00e9xico desaba. \u00c9 nessa gangorra entre a submiss\u00e3o econ\u00f4mica ao grande vizinho e a desgraceira da jun\u00e7\u00e3o do narcotr\u00e1fico com corrup\u00e7\u00e3o institucional que vive o belo M\u00e9xico de Agustin Lara, Diego Rivera, Frida Kahlo e dos mariachis. Brasil e M\u00e9xico se distanciaram politicamente (com as devidas consequ\u00eancias econ\u00f4micas) quando assumiram suas respectivas presid\u00eancias o \u201cintervencionista\u201d Lula e o neoliberal Vicente Fox, no in\u00edcio do s\u00e9culo. Nos \u00faltimos onze anos a economia brasileira cresceu mais de 45% e a mexicana ficou em volta dos 30%. A pobreza absoluta foi reduzida a 15% da popula\u00e7\u00e3o no Brasil e aumentou para 51% no M\u00e9xico. A inclus\u00e3o social bateu recordes no Brasil e diminuiu drasticamente no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Como sair dessa enrascada se as causas dela continuam atuantes e t\u00e3o pr\u00f3ximas como antes? T\u00e3o pr\u00f3ximas que ocuparam 55% do territ\u00f3rio original mexicano, da terra mexicana.\u00a0Felipe Ehrenberg acredita que est\u00e1 sendo tra\u00e7ado o desenho de uma guerra civil. Estou de acordo com ele e com os outros amigos mexicanos que pedem socorro ao Brasil, mas n\u00e3o creio que uma a\u00e7\u00e3o isolada do gigante sul-americano resulte em alguma coisa: quem deve e tem de acudir o M\u00e9xico \u00e9 toda a Am\u00e9rica Latina. Resgat\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p>Orlando Senna nasceu em Afr\u00e2nio Peixoto, munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is Bahia. Jornalista, roteirista, escritor e cineasta, premiado nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, P\u00e9saro, Havana, Porto Rico, Brasilia, Rio Cine. Entre seus filmes mais conhecidos est\u00e3o Diamante Bruto e o cl\u00e1ssico do cinema brasileiro, Iracema. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televis\u00e3o de San Antonio de los Ba\u00f1os e do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008). Atualmente e presidente da TAL \u2013 Televis\u00e3o Am\u00e9rica Latina e membro do Conselho Superior da Fundacion del Nuevo Cine Latinoamericano.<\/p>\n<p>Itamar Pereira de Aguiar nasceu em Iraquara &#8211; Bahia; concluiu o Gin\u00e1sio e Escola Normal em Len\u00e7\u00f3is, onde foi Diretor de Col\u00e9gio do 1\u00ba e 2\u00ba graus (1974\/1979); graduado em Filosofia, pela UFBA em 1979; Mestre em 1999 e Doutor em Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 2007, pela PUC\/SP; P\u00f3s doutorando em\u00a0Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 pela UNESP campus de Mar\u00edlia \u2013 SP. Professor Titula da Universidade Estadual do Sudoeste do Estado da\u00a0Bahia \u2013 UESB; elaborou com outros colegas os projetos e liderou o processo de cria\u00e7\u00e3o dos cursos de Licenciatura em Filosofia, Cinema e Audiovisual\/UESB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blog Refletor\u00a0\u00a0\u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina\u00a0http:\/\/refletor.tal.tv\/ponto-de-vista\/orlando-senna-o-resgate-do-mexico O RESGATE DO M\u00c9XICO Nos anos 1940 e 1950 os filmes musicais de Hollywood misturavam as culturas do M\u00e9xico e do Brasil, com Carmem Miranda cercada de rumbeiros dan\u00e7ando imita\u00e7\u00f5es de samba. 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