{"id":7606,"date":"2022-11-18T22:25:31","date_gmt":"2022-11-19T01:25:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7606"},"modified":"2022-11-18T22:25:53","modified_gmt":"2022-11-19T01:25:53","slug":"ninguem-me-contou-eu-vi-de-getulio-a-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/11\/18\/ninguem-me-contou-eu-vi-de-getulio-a-dilma\/","title":{"rendered":"&#8220;NINGU\u00c9M ME CONTOU, EU VI &#8211; DE GET\u00daLIO A DILMA&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Do livro do grande jornalista, escritor, pol\u00edtico e memorialista Sebasti\u00e3o Nery, ex-seminarista de Amargosa como eu, s\u00f3 que ele foi de uma safra bem antes de mim, trechos da sua obra que fala de Lula sobre o mensal\u00e3o de 2002.<\/p>\n<p>Em \u201cEu Vi o Mensal\u00e3o Nascer\u201d, Sebasti\u00e3o narra: \u201cTarde de s\u00e1bado no restaurante Piantella, o melhor de Bras\u00edlia. Lula havia ganhado a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2002 contra o tucano Jos\u00e9 Serra e estava em Porto Alegre, com Jos\u00e9 Dirceu e a c\u00fapula do PT, discutindo com o PT ga\u00facho a forma\u00e7\u00e3o do novo governo. Um grupo de jornalistas estava a um canto, almo\u00e7ando e conversando sobre o pa\u00eds, eu junto.<\/p>\n<p>De repente, entram nervosos, aflitos, os deputados Moreira Franco, Gedel Vieira Lima, Henrique Alves, da dire\u00e7\u00e3o nacional do PMDB, come\u00e7aram a discutir baixinho, quase cochichando. Em poucos instantes, chega o deputado Michel Temer, presidente nacional do PMDB. Nem almo\u00e7aram. Beberam pouca coisa, deram telefonemas, sa\u00edram r\u00e1pido. Nada falaram. Acontecera alguma coisa mais grave. Voltariam logo.<\/p>\n<p>Um deles voltou e contou a bomba pol\u00edtica do fim de semana. Antes de viajar para o Rio Grande do Sul, Lula encarregara Jos\u00e9 Dirceu, coordenador da equipe de transi\u00e7\u00e3o e j\u00e1 convidado para ser o chefe da Casa Civil, de negociar com o PMDB o apoio a seu governo, em troca de minist\u00e9rios de Minas e Energia, Justi\u00e7a e Previd\u00eancia, que seriam entregues a senadores e deputados indicados pelo partido.<\/p>\n<p>Lula j\u00e1 havia dito ao PT que eles n\u00e3o podiam esquecer a li\u00e7\u00e3o da derrubada de Collor pelo impeachment, que o senador Amir Lando, do PMDB de Rond\u00f4nia, relator da CPI de PC Farias, havia definido como uma \u201cquartelada parlamentar\u201d. No Brasil, para governar era preciso ter sempre maioria no Congresso. O PT tinha que fazer as concess\u00f5es necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>O primeiro a ser chamado era o PMDB, o maior partido da C\u00e2mara e do Senado. Lula mandou Jos\u00e9 Dirceu acertar com o PMDB, combinaram os tr\u00eas minist\u00e9rios e ficaram todos felizes. Em Porto Alegre, na primeira noite, Lula encontrou a gula voraz do PT ga\u00facho, que exigia os minist\u00e9rios de Minas e Energia, da Justi\u00e7a e da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Lula cedeu. Chamou Dirceu e deu ordem para desmanchar o acordo com o PMDB.<\/p>\n<p>Dirceu perguntou como conseguiriam maioria no Congresso.<\/p>\n<p>&#8211; Compra os pequenos partidos &#8211; disse Lula \u2013 fica mais barato.<\/p>\n<p>Dilma virou ministra de Minas e Energia, Tarso Genro, da Justi\u00e7a e a Previd\u00eancia ficou para resolver na frente. E assim nasceu o mensal\u00e3o.<\/p>\n<p>O advogado Luiz Francisco Correal Barbosa disse ao Globo: N\u00e3o s\u00f3 Lula sabia do mensal\u00e3o como ordenou toda essa lamban\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acusar os empregados e deixar o patr\u00e3o de fora.<\/p>\n<p>No dia 12 de agosto de 2005, em um pronunciamento, pela TV, a todo o povo brasileiro, Lula pediu \u201cdesculpas pelo esc\u00e2ndalo\u201d.<\/p>\n<p>No mais, Sebasti\u00e3o Nery considerou Lula como amoral e diz no livro que somente os principais companheiros ficaram no banco dos r\u00e9us, como Dirceu, Roberto Jeferson, Geno\u00edno, Del\u00fabio, Silvinho, Marcos Val\u00e9rio, Valdemar Costa Neto e outros, chamado pelo autor da obra como \u201corganiza\u00e7\u00e3o criminosa\u201d, uma quadrilha, chefiada por Dirceu, nas palavras do procurador-geral da Rep\u00fablica. O comando era de Lula, segundo Sebasti\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do livro do grande jornalista, escritor, pol\u00edtico e memorialista Sebasti\u00e3o Nery, ex-seminarista de Amargosa como eu, s\u00f3 que ele foi de uma safra bem antes de mim, trechos da sua obra que fala de Lula sobre o mensal\u00e3o de 2002. Em \u201cEu Vi o Mensal\u00e3o Nascer\u201d, Sebasti\u00e3o narra: \u201cTarde de s\u00e1bado no restaurante Piantella, o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7606"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7606"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7606\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}