{"id":7488,"date":"2022-10-21T23:33:29","date_gmt":"2022-10-22T02:33:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7488"},"modified":"2022-10-21T23:33:51","modified_gmt":"2022-10-22T02:33:51","slug":"os-movimentos-abolicionistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/10\/21\/os-movimentos-abolicionistas\/","title":{"rendered":"OS MOVIMENTOS ABOLICIONISTAS"},"content":{"rendered":"<p>Somente a partir de 1870, final da Guerra do Paraguai, os movimentos abolicionistas no Brasil passaram a ser mais intensos atraindo a popula\u00e7\u00e3o para a causa da liberta\u00e7\u00e3o dos escravos. As manifesta\u00e7\u00f5es pressionaram a aprova\u00e7\u00e3o da Lei do Ventre Livre, em 1871, e a do Sexagen\u00e1rios, em 1885, mas poucos efeitos surtiram porque os senhores patr\u00f5es cuidaram de boicotar as normas estabelecidas.<\/p>\n<p>Na verdade, os primeiros polos abolicionistas nasceram na virada da primeira metade do s\u00e9culo XIX, no Rio de Janeiro, em Pernambuco e na Bahia por volta de 1852. O escritor Laurentino Gomes considerava esses grupos mais modernizadores do Imp\u00e9rio do que propriamente abolicionistas. Pertenciam mais \u00e0 elite imperial.<\/p>\n<p>Mesmo depois de 1870, existiam ainda aqueles abolicionistas de elite que defendiam que a aboli\u00e7\u00e3o se acabaria naturalmente. Alguns c\u00e1lculos indicavam que a escravid\u00e3o iria at\u00e9 a metade do s\u00e9culo XX e outros que se estenderia at\u00e9 o ano 2220. Essa ela defendia que os fazendeiros fossem indenizados sob o argumento de que o cativo era uma propriedade privada, caso de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva.<\/p>\n<p>Dentre os mais ativos se destacaram Joaquim Nabuco, Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, Ant\u00f4nio Bento de Sousa e Castro, o pr\u00f3prio baiano poeta Castro Alves e Luiz Gama, tamb\u00e9m da Bahia, considerado pelo escritor Laurentino Gomes como o precursor, que atuava como advogado r\u00e1bula e conseguiu libertar mais de quinhentos escravos.<\/p>\n<p>Nos anos que antecederam a Lei \u00c1urea de 1888, houve uma c\u00e9lula revolucion\u00e1ria denominada, segundo Laurentino, autor da trilogia \u201cEscravid\u00e3o\u201d, de \u201cOs Caifases\u201d, sob o comando de Ant\u00f4nio Bento Sousa de Castro. A denomina\u00e7\u00e3o era uma refer\u00eancia ao sumo-sacerdote que participou do julgamento de Cristo perante o Sin\u00e9drio de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Mais impetuoso, Ant\u00f4nio Bento representava a corrente mais radical do movimento, tendo como estrat\u00e9gia a luta direta de enfrentamento com os fazendeiros e defensores do regime escravista. Ele infiltrava mascates e vendedores nas propriedades que penetravam nas senzalas e realizavam reuni\u00f5es clandestinas, incentivando rebeli\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, esse grupo perseguia capit\u00e3es-do-mato e denunciava fazendeiros que maltratavam seus cativos. Os fugitivos eram abrigados em locais escondidos na Serra de Cubat\u00e3o. Um dos ref\u00fagios se tornou Quilombo do Jabaquara, no caminho de Santos, chegando a reunir 20 mil pessoas.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Bento assumiu a lideran\u00e7a do movimento em S\u00e3o Paulo ap\u00f3s a morte de Luiz Gama, em 1882. O n\u00facleo de seus seguidores pertencia \u00e0 confraria negra de Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios. Os encontros aconteciam na reda\u00e7\u00e3o do jornal A Reden\u00e7\u00e3o (1887-1888).<\/p>\n<p>De acordo com Laurentino, os movimentos tomaram as ruas e pra\u00e7as se convertendo na primeira grande campanha popular da hist\u00f3ria do Brasil. Aos milhares, eram produzidos panfletos, jornais, revistas e manifestos contra a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>A onda coincidiu com o surto de desenvolvimento e moderniza\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio, promovido pelo visconde do Rio Branco, respons\u00e1vel pela Lei do Ventre Livre, de 1871. Houve v\u00e1rias mudan\u00e7as e reformas, como no judici\u00e1rio, eleitoral, nas comunica\u00e7\u00f5es com o tel\u00e9grafo, no com\u00e9rcio e na ind\u00fastria. Nessa \u00e9poca ocorreu o primeiro censo de abrang\u00eancia nacional, em 1872.<\/p>\n<p>Outra linha de a\u00e7\u00e3o do movimento abolicionista eram as confer\u00eancias, concertos, discursos, shows musicais, festivais, festas e reuni\u00f5es. O pr\u00f3prio Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, um dos que achavam que os escravos deveriam ser indenizados e n\u00e3o os senhores, levava o maestro Carlos Gomes para as manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O autor da obra cita que em junho de 1883, quando Patroc\u00ednio entregou a ex-escravos 115 cartas de alforrias, a multid\u00e3o jogava flores de cam\u00e9lia, cultivada num quilombo no Leblon, sobre os libertos. Alguns abolicionistas, como Joaquim Nabuco n\u00e3o concordava que os escravos participassem do movimento. Ele entendia que a tarefa era do parlamento e das institui\u00e7\u00f5es, ao contr\u00e1rio de Ant\u00f4nio Bento.<\/p>\n<p>Dentro do movimento come\u00e7aram a brotar os clubes antiescravistas. S\u00f3 entre 1878 a 1885 foram criados 227 em todo Imp\u00e9rio. Alguns tinham grande repercuss\u00e3o nacional, como a Sociedade Cearense Libertadora (o Cear\u00e1 foi o primeiro estado a decretar a aboli\u00e7\u00e3o) e a Caixa Emancipadora Luiz Gama. As mulheres tamb\u00e9m tiveram participa\u00e7\u00e3o com cerca de 36 associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em maio de 1883 todas essas organiza\u00e7\u00f5es constitu\u00edram a Confedera\u00e7\u00e3o Abolicionista que passou a comandar a campanha nacional. Os jornais e as revistas tamb\u00e9m tiveram papel fundamental nos acontecimentos, como Gazeta de Not\u00edcias (1874), Gazeta da Tarde, de Patroc\u00ednio (1880) e A Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo (Estado de S\u00e3o Paulo), em 1875. Joaquim Nabuco lan\u00e7ou, em 1883, o livro O Abolicionista.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o dominou ainda as artes e a literatura, caso de A Escrava Isaura, de Bernardes Guimar\u00e3es (1875), O Mulato, de Alu\u00edsio de Azevedo (1881) e Navio Negreiro, de Castro Alves.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somente a partir de 1870, final da Guerra do Paraguai, os movimentos abolicionistas no Brasil passaram a ser mais intensos atraindo a popula\u00e7\u00e3o para a causa da liberta\u00e7\u00e3o dos escravos. 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