{"id":7471,"date":"2022-10-14T23:14:55","date_gmt":"2022-10-15T02:14:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7471"},"modified":"2022-10-14T23:15:16","modified_gmt":"2022-10-15T02:15:16","slug":"pressao-da-inglaterra-acaba-com-o-trafico-negreiro-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/10\/14\/pressao-da-inglaterra-acaba-com-o-trafico-negreiro-no-brasil\/","title":{"rendered":"PRESS\u00c3O DA INGLATERRA ACABA COM O TR\u00c1FICO NEGREIRO NO BRASIL"},"content":{"rendered":"<p>Depois de ser humilhado e at\u00e9 sofrer um bloqueio naval por seis dias no Porto do Rio de Janeiro, o governo imperial de D. Pedro II se apressou em decretar, em 1850, o fim do tr\u00e1fico negreiro atrav\u00e9s da lei chamada de Eus\u00e9bio de Queir\u00f3s Coutinho Matoso C\u00e2mara (africano de ascend\u00eancia portuguesa nascido em Luanda), mas, mesmo assim, muitos continuaram fazendo algumas importa\u00e7\u00f5es de cativos africanos de forma clandestina.<\/p>\n<p>A lei parlamentar de 1831, apelidada depois para \u201cingl\u00eas ver\u201d, n\u00e3o evitou o tr\u00e1fico e isso irritou os brit\u00e2nicos que fizeram diversas amea\u00e7as ao Brasil, inclusive com o aprisionamento de navios em portos e \u00e1guas territoriais. O pr\u00f3prio Eus\u00e9bio de Queir\u00f3s era conivente e acobertava os capit\u00e3es de navios, os fazendeiros do caf\u00e9 e os traficantes.<\/p>\n<p>O jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor da trilogia \u201cEscravid\u00e3o\u201d narra os epis\u00f3dios que levaram o Brasil \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de africanos, como no cap\u00edtulo da terceira obra intitulada de \u201cNa Mira dos Canh\u00f5es\u201d onde cita o incidente ocorrido no Porto de Paranagu\u00e1, no Paran\u00e1, justamente em 1\u00ba de julho de 1850.<\/p>\n<p>O tiroteio aconteceu na antiga Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, constru\u00edda na Ilha do Mel para proteger a entrada da barra. Na ocasi\u00e3o, o embaixador da Inglaterra no Rio de Janeiro, James Hudson chegou a dizer que \u201ca coragem n\u00e3o \u00e9 uma virtude brasileira\u201d.<\/p>\n<p>A guarni\u00e7\u00e3o do forte chegou a trocar tiros com um cruzador brit\u00e2nico, o HMS Cormorant, cujo comandante estava inspecionando navios suspeitos e apreendia todos que estivessem praticando o tr\u00e1fico de escravos. Tr\u00eas barcos foram atrelados ao cruzador para serem rebocados para fora da ba\u00eda quando o chefe da Fortaleza reagiu. Ap\u00f3s o ocorrido, o capit\u00e3o ingl\u00eas mandou queimar dois navios, o Le\u00f4nidas e o Sereia.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o litoral do Paran\u00e1, ainda sob a jurisdi\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo, era um dos locais mais concorridos para ref\u00fagio do tr\u00e1fico clandestino. N\u00e3o muito longe dali se situavam as ricas fazendas de caf\u00e9, no Vale do Para\u00edba.<\/p>\n<p>Diz Laurentino que em Paranagu\u00e1, o com\u00e9rcio ilegal de gente envolvia as mais altas autoridades, incluindo o delegado de pol\u00edcia Jos\u00e9 Francisco Barroso, o juiz municipal Filastro Nunes Pires e o coronel Manuel Ant\u00f4nio Guimar\u00e3es, comandante da Guarda Nacional. Mesmo assim, essa gente recebia t\u00edtulos de nobreza do imperador.<\/p>\n<p>Pelo revide, o padre Vicente Pires da Mota, presidente da prov\u00edncia, elogiou a guarni\u00e7\u00e3o da fortaleza e os civis que participaram do combate. No entanto, o governo imperial, por temer retalia\u00e7\u00f5es militares e diplom\u00e1ticas mais duras, preferiu se explicar perante a Inglaterra.<\/p>\n<p>A partir disso, o governo ingl\u00eas imp\u00f4s que o Brasil parasse de traficar escravos africanos. Na \u00e9poca, os brit\u00e2nicos eram uma pot\u00eancia mar\u00edtima e industrial. A \u00fanica sa\u00edda era mesmo acabar de uma vez com o com\u00e9rcio clandestino de escravos.<\/p>\n<p>No mesmo m\u00eas de julho de 1850, o ministro da Justi\u00e7a, Eus\u00e9bio de Queir\u00f3s convocou a C\u00e2mara dos Deputados para, \u00e0s pressas, dar andamento a um projeto emperrado nos meandros da burocracia legislativa desde 1837.<\/p>\n<p>Numa tramita\u00e7\u00e3o rel\u00e2mpago, o projeto de Eus\u00e9bio foi aprovado pelos deputados em 17 de julho. Em meados de agosto passou tamb\u00e9m no Senado. Em 4 de setembro de 1850 tornou-se lei sancionada pelo imperador.<\/p>\n<p>Como destacou Laurentino, foi literalmente sob a mira dos canh\u00f5es brit\u00e2nicos que o Brasil concordou em acabar com o tr\u00e1fico de africanos escravizados no Atl\u00e2ntico. Logo depois, a marinha brasileira passou a se empenhar na repress\u00e3o ao tr\u00e1fico. Alguns dos principais traficantes estrangeiros, como os irm\u00e3os portugueses Ant\u00f4nio e Manuel Pinto da Fonseca foram presos e expulsos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de ser humilhado e at\u00e9 sofrer um bloqueio naval por seis dias no Porto do Rio de Janeiro, o governo imperial de D. 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