{"id":747,"date":"2015-01-13T23:42:53","date_gmt":"2015-01-14T02:42:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=747"},"modified":"2015-01-13T23:43:06","modified_gmt":"2015-01-14T02:43:06","slug":"itamar-indica-e-comenta-orlando-senna-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/01\/13\/itamar-indica-e-comenta-orlando-senna-6\/","title":{"rendered":"ITAMAR INDICA E COMENTA ORLANDO SENNA"},"content":{"rendered":"<p>Blog Refletor\u00a0\u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p><strong>ROSA ENVENENADA<\/strong><\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias colaterais do reatamento de rela\u00e7\u00f5es entre Cuba e EUA \u00e9 a agita\u00e7\u00e3o dos \u00e2nimos pol\u00edticos em Porto Rico e entre pol\u00edticos e analistas latino-americanos que se debru\u00e7am sobre a situa\u00e7\u00e3o do pequeno pa\u00eds caribenho. Rub\u00e9n Berr\u00edos, presidente do Partido Independentista Porto-riquenho, PIP, acredita que a nova situa\u00e7\u00e3o entre Washington e Havana favorece o fim do controle dos EUA sobre seu pa\u00eds. Em atitude surpreendente, recha\u00e7ada pelo governo estadunidense, o presidente Nicol\u00e1s Maduro, da Venezuela, prop\u00f4s a troca do l\u00edder oposicionista venezuelano Leopoldo L\u00f3pez, preso em fevereiro do ano passado, pelo independentista porto-riquenho Oscar L\u00f3pez Rivera, preso nos EUA em 1981, condenado a 70 anos de cadeia. Ambos pa\u00edses negam que esses ativistas s\u00e3o presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>S\u00e3o completamente distintas as rela\u00e7\u00f5es dos dois pa\u00edses caribenhos com os EUA no decorrer dos \u00faltimos 120 anos: o dom\u00ednio dos EUA sobre Cuba foi intermitente e cessou com a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana de 1959, sobre Porto Rico jamais cessou. Cuba e Porto Rico abrigavam, antes da conquista espanhola, as mesmas tribos ind\u00edgenas, principalmente ta\u00ednos e siboneis. Os porto-riquenhos se dizem a eles mesmos \u201cbor\u00edcuas\u201d, que \u00e9 como se autodenominavam os ta\u00ednos. Em ambos os pa\u00edses \u00e9 muito mencionado um poema do s\u00e9culo XIX, de Lola Rodr\u00edguez de Ti\u00f3: \u201cCuba y Puerto Rico son de un p\u00e1jaro las dos alas, reciben flores o balas sobre un mismo coraz\u00f3n\u201d. Consideram-se irm\u00e3os g\u00eameos separados pelas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Porto Rico foi conquistado pela Espanha em 1493 e cedido aos EUA em 1898. Sua defini\u00e7\u00e3o pol\u00edtica-administrativa \u00e9 a de Estado Livre Associado aos EUA, eufemismo para encobrir o regime colonial que dura 117 anos. V\u00e1rias rebeli\u00f5es contra essa situa\u00e7\u00e3o marcam a hist\u00f3ria do pa\u00eds, principalmente a partir de 1950, quando aconteceu a revolta conhecida como Grito de Jayuya, dissolvida por forte a\u00e7\u00e3o militar dos EUA. A partir de ent\u00e3o outras e v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es independentistas foram tentadas e esmagadas, tanto no campo pol\u00edtico-parlamentar como no enfrentamento armado. A organiza\u00e7\u00e3o guerrilheira Ex\u00e9rcito Popular Bor\u00edcua, mais conhecida como Macheteros, trava um combate sem tr\u00e9guas, h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, contra o FBI, a pol\u00edcia federal dos EUA.<\/p>\n<p><!--more-->Muito sangue correu durante esse per\u00edodo e tudo indica que continuar\u00e1 correndo, j\u00e1 que os Macheteros n\u00e3o pretendem encerrar suas atividades, apesar de seu contingente, que j\u00e1 foi de mais de cinco mil combatentes, estar reduzido a menos de dois mil, segundo os EUA. At\u00e9 a d\u00e9cada de 1990 as enquetes e elei\u00e7\u00f5es (eles votam para governador mas n\u00e3o para presidente) demonstravam que havia 10% da popula\u00e7\u00e3o a favor da independ\u00eancia, 10% a favor da anexa\u00e7\u00e3o aos EUA (seria o 51\u00ba estado) e 80% a favor de manter o\u00a0<em>status<\/em>\u00a0atual.<\/p>\n<p>Esse quadro mudou, de acordo com um referendo de 2012, que perguntava se estavam ou n\u00e3o de acordo com a condi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica atual: 54% responderam n\u00e3o, 46% responderam sim. A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 se aproximando de um empate. Os independentistas estariam reduzidos a 4%, segundo os EUA. Devem ser esses 4% que n\u00e3o aceitaram a forma do referendo, j\u00e1 que n\u00e3o resultou em uma resposta adequada a quem quer o qu\u00ea: dos que n\u00e3o est\u00e3o de acordo com o\u00a0<em>status quo<\/em>\u00a0n\u00e3o se sabe quem quer a independ\u00eancia e quem quer a anexa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No fim da d\u00e9cada de 1990 consegui uma entrevista com os Macheteros em San Juan, capital de Porto Rico. Foi bem emocionante: dois rapazes me pegaram em um ponto combinado e nossa conversa aconteceu em clima de tens\u00e3o de filme de espionagem, dentro de um carro sempre em movimento. Acho que exatamente devido \u00e0 tens\u00e3o, e tamb\u00e9m \u00e0 rapidez da conversa, a entrevista n\u00e3o produziu informa\u00e7\u00f5es para uma reportagem, mas os jovens eram muito po\u00e9ticos e guardei as anota\u00e7\u00f5es. Quando me deixaram em outro ponto da cidade, um deles se despediu com uma frase: \u201co futuro dir\u00e1, Porto Rico \u00e9 uma flor envenenada na boca do imp\u00e9rio\u201d.<\/p>\n<p>Pois \u00e9 exatamente em uma cont\u00ednua rea\u00e7\u00e3o cultural que est\u00e1 a resposta de parte da popula\u00e7\u00e3o ao dom\u00ednio dos EUA. Cito tr\u00eas exemplos. Porto Rico passou da moeda espanhola, a peseta, para o d\u00f3lar estadunidense, nunca teve moeda pr\u00f3pria, nunca teve o seu peso, nome gen\u00e9rico para as moedas hispano-americanas. Mas, at\u00e9 hoje, eles chamam o d\u00f3lar de peso e a moeda de 25 centavos de d\u00f3lar de peseta. O ingl\u00eas n\u00e3o \u00e9 falado nas ruas, apenas em algumas reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, e foi apelidado pela cultura popular como \u201cel dif\u00edcil\u201d. Os porto-riquenhos que vivem nos EUA inventaram um dialeto conhecido como \u201cnew rican\u201d, hoje presente em livros e can\u00e7\u00f5es. E por a\u00ed vai. Creio que eles merecem um referendo mais s\u00e9rio, fora do controle do colonizador.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p>O bem elaborado artigo de Orlando, quando se refere a entrevista que fez com os \u201cMacheteros em San Juan, capital de Porto Rico\u201d, me levou a cita\u00e7\u00e3o de uma pequena parte do artigo de Renato Janine Ribeiro \u201cOS MANTES CONTRA O PODER: sobre alguns olhares que se cruzam,no amor \u00e0 primeira vista e na teletela do Grande Irm\u00e3o\u201d, quando diz:\u201dO problema \u00e9 que ningu\u00e9m faz pol\u00edtica autonomamente, quanto mais revolucion\u00e1ria, se receia o que os outros v\u00e3o pensar. J\u00e1 se viu um orador revolucion\u00e1rio preocupado com a roupa, as figuras, a compostura do que vai dizer? H\u00e1 um tom rom\u00e2ntico no revolucion\u00e1rio, que o faz correr, bradar, ir num ritmo veloz e necessariamente mal acabado ( Ribeiro,1988, p. 440).<\/p>\n<p>Orlando Senna nasceu em Afr\u00e2nio Peixoto, munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is Bahia. Jornalista, roteirista, escritor e cineasta, premiado nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, P\u00e9saro, Havana, Porto Rico, Brasilia, Rio Cine. Entre seus filmes mais conhecidos est\u00e3o Diamante Bruto e o cl\u00e1ssico do cinema brasileiro, Iracema. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televis\u00e3o de San Antonio de los Ba\u00f1os e do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008). Atualmente e presidente da TAL \u2013 Televis\u00e3o Am\u00e9rica Latina e membro do Conselho Superior da Fundacion del Nuevo Cine Latinoamericano.<\/p>\n<p>Itamar Pereira de Aguiar nasceu em Iraquara &#8211; Bahia; concluiu o Gin\u00e1sio e Escola Normal em Len\u00e7\u00f3is, onde foi Diretor de Col\u00e9gio do 1\u00ba e 2\u00ba graus (1974\/1979); graduado em Filosofia, pela UFBA em 1979; Mestre em 1999 e Doutor em Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 2007, pela PUC\/SP; P\u00f3s doutorando em\u00a0Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 pela UNESP campus de Mar\u00edlia \u2013 SP. Professor Titula da Universidade Estadual do Sudoeste do Estado da\u00a0Bahia \u2013 UESB; elaborou com outros colegas os projetos e liderou o processo de cria\u00e7\u00e3o dos cursos de Licenciatura em Filosofia, Cinema e Audiovisual\/UESB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blog Refletor\u00a0\u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina. 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