{"id":7423,"date":"2022-09-30T23:14:20","date_gmt":"2022-10-01T02:14:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7423"},"modified":"2022-09-30T23:14:20","modified_gmt":"2022-10-01T02:14:20","slug":"a-escravidao-na-propria-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/09\/30\/a-escravidao-na-propria-africa\/","title":{"rendered":"A ESCRAVID\u00c3O NA PR\u00d3PRIA \u00c1FRICA"},"content":{"rendered":"<p>\u201cNo passado, n\u00f3s pens\u00e1vamos que era da vontade de Deus que os negros deveriam ser escravos dos brancos. Os brancos primeiro nos disseram que era para vender escravos para eles e n\u00f3s vendemos. Agora, dizem que n\u00e3o devemos mais vender. Se os brancos pararem de comprar, os negros v\u00e3o parar de vender\u201d.<\/p>\n<p>Isto foi o que o chefe africano, obi Assai, de Aboh, reino situado no delta do rio N\u00edger, disse a uma comiss\u00e3o brit\u00e2nica que o visitou em 1841. Ele n\u00e3o conseguia entender por que at\u00e9 poucas d\u00e9cadas antes os europeus faziam todos os esfor\u00e7os para obter cativos na regi\u00e3o e, de repente, haviam decidido parar com as compras.<\/p>\n<p>O jornalista e escritor da trilogia \u201cEscravid\u00e3o\u201d, Laurentino Gomes, em suas pesquisas, constatou que os chefes africanos achavam comum que seus pr\u00f3prios povos e prisioneiros de guerra de outras etnias e reinos se tornassem cativos. Muitos venderam pr\u00edncipes e rainhas que eram seus rivais para o Novo Mundo.<\/p>\n<p>Mesmo com as proibi\u00e7\u00f5es do tr\u00e1fico negreiro pelos brit\u00e2nicos, por Portugal e o Brasil, em 1831 e 1850, o com\u00e9rcio continuou clandestino e aumentou a procura por escravos na pr\u00f3pria \u00c1frica. A escravid\u00e3o, na verdade, era a atividade mais lucrativa para os dois lados e prosperava a troca de mercadorias, como tecidos, cacha\u00e7a do Brasil, tabaco e outros utens\u00edlios.<\/p>\n<p>A Costas da Mina (Golfo do Benin, no trecho entre o Togo e a Nig\u00e9ria) era t\u00e3o importante no tr\u00e1fico de escravos que os principais chefes de estado a reconhecer a Independ\u00eancia do Brasil eram dessa regi\u00e3o, conforme destacou Laurentino. O gesto, de acordo com ele, aconteceu mediante uma embaixada enviada ao Rio de Janeiro, em 1824, pelo ologum Osinlokun, rei de Onim, atual cidade de Lagos, na Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>Sobre o estranhamento da proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico, o governador de Angola, Adri\u00e3o Ac\u00e1cio da Silveira, em 1849, fez o mesmo coment\u00e1rio sobre as press\u00f5es dos ingleses pelo fim do com\u00e9rcio. Ele disse que, enquanto houver quem compre escravos, h\u00e1 de haver quem os venda. o pensamento tem semelhan\u00e7as com o que ocorre atualmente no Brasil com rela\u00e7\u00e3o ao tr\u00e1fico de drogas.\u00a0 O reino do Daom\u00e9 era uma das pe\u00e7as centrais dessa l\u00f3gica escravista. O pr\u00f3prio reio Guezo (Benin) recusou-se a assinar, em 1848, um tratado sob o argumento de que a proibi\u00e7\u00e3o seria o mesmo que mudar a maneira de sentir do seu povo.<\/p>\n<p>O forte de S\u00e3o Batista de Ajud\u00e1 (Benin) onde Francisco Felix de Souza, o maior traficante baiano, se estabeleceu ap\u00f3s chegar \u00e0 \u00c1frica, foi erguido pelos portugueses em 1721 para proteger o tr\u00e1fico negreiro na Costa da Mina. Em 1727, o reino Hueda, do qual Ajud\u00e1 fazia parte, seria invadido e devastado pelos ex\u00e9rcitos de Agaja, um soberano implac\u00e1vel e perverso. Os derrotados eram vendidos como escravos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNo passado, n\u00f3s pens\u00e1vamos que era da vontade de Deus que os negros deveriam ser escravos dos brancos. Os brancos primeiro nos disseram que era para vender escravos para eles e n\u00f3s vendemos. Agora, dizem que n\u00e3o devemos mais vender. Se os brancos pararem de comprar, os negros v\u00e3o parar de vender\u201d. Isto foi o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7423"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7423\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}