{"id":7166,"date":"2022-07-21T00:04:51","date_gmt":"2022-07-21T03:04:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7166"},"modified":"2022-07-21T00:05:20","modified_gmt":"2022-07-21T03:05:20","slug":"homenagem-ao-professor-bira-em-entrevista-ao-livro-uma-conquista-cassada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/07\/21\/homenagem-ao-professor-bira-em-entrevista-ao-livro-uma-conquista-cassada\/","title":{"rendered":"HOMENAGEM AO PROFESSOR &#8220;BIRA&#8221; EM ENTREVISTA AO LIVRO &#8220;UMA CONQUISTA CASSADA&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Falecido nesta quarta-feira (dia 20\/07), com 88 anos, o professor Ubirajara Brito, quando vivo, concedeu entrevista ao jornalista Jeremias Mac\u00e1rio para seu livro \u201cUma Conquista Cassada-cerco e fuzil na cidade do frio\u201d, publicado pela Assembleia Legislativa da Bahia, por interm\u00e9dio do deputado Fabr\u00edcio Falc\u00e3o, e lan\u00e7ado em 2013.<\/p>\n<p>LIGA\u00c7\u00d5ES POL\u00cdTICAS EM MINAS GERAIS<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/IMG_4057.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7167\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/IMG_4057.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/IMG_4057.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/IMG_4057-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ubirajara Brito nasceu na pequena Tremedal, no sert\u00e3o do sudoeste baiano, mas foi adotado em Vit\u00f3ria da Conquista onde estudou no respeitado e admirado Gin\u00e1sio Padre Palmeira. Frequentou tamb\u00e9m o Col\u00e9gio Estadual da Bahia entre os anos 1951\/55. Formou-se engenheiro civil pela Universidade Federal da Bahia-UFBA aonde chegou a ser professor. Ajudou a construir um dos trechos da BR-101, no in\u00edcio dos anos 1960, em Sergipe. Passou um tempo exilado na Europa e foi ministro de Governo.<\/p>\n<p>O professor e cientista Ubirajara Brito, nascido por volta de 1934, desenvolveu suas a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em Minas Gerais, precisamente na cidade de Nanuque onde seu tio era prefeito. Por suas liga\u00e7\u00f5es no Governo de Jo\u00e3o Goulart chegou a ser consultor durante suas viagens \u00e0 Bahia.<\/p>\n<p>Foi preso como subversivo, em Minas Gerais. Ubirajara confirmou que Jango lhe conferiu poderes para trabalhar no nordeste de Minas Gerais, na coordena\u00e7\u00e3o de obras em alguns munic\u00edpios da regi\u00e3o, inclusive com apoio do ent\u00e3o governador Magalh\u00e3es Pinto. Ele conta que em Nanuque, os advers\u00e1rios contra o governo da Rep\u00fablica eram perigosos, e o PSD era reacion\u00e1rio e alienado. Tratava-se de um partido dos grandes fazendeiros.<\/p>\n<p>Em Nanuque e Juiz de Fora<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o golpe civil-militar, em raz\u00e3o de suas atividades do passado na Bahia, o professor respondeu ao IPM &#8211; Inqu\u00e9rito Policial Militar, em Nanuque, sendo depois processado em Juiz de Fora. Como Ubirajara era filiado ao PCB, entre 1956 at\u00e9 1964, sua situa\u00e7\u00e3o se complicou. Em abril daquele ano foi preso pelo DOPS (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social) de Belo Horizonte, ficando at\u00e9 junho de 1964, incomunic\u00e1vel por 20 dias. N\u00e3o houve tortura f\u00edsica, mas muita luz na cara e press\u00e3o psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Com certa ironia, \u201cBira\u201d como \u00e9 conhecido, narra que os agentes tinham certo temor da sua fam\u00edlia por ser nordestina. Eles (os militares) faziam liga\u00e7\u00f5es com pistolagem e cangaceirismo. Em Minas Gerais, o homem da Companhia da Pol\u00edcia era o capit\u00e3o Silvio Souza que, para disfar\u00e7ar de sua fun\u00e7\u00e3o era presidente da Associa\u00e7\u00e3o Cultural Brasil\/Estado Unidos. Por coincid\u00eancia, havia sido delegado em Nanuque e conhecia nosso pessoal. O capit\u00e3o sempre questionava que havia atividades subversivas no nordeste de Minas (Bandeira), no Esp\u00edrito Santo e extremo sul da Bahia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/MG_0003.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7168\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/MG_0003.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/MG_0003.jpg 230w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/MG_0003-201x300.jpg 201w\" sizes=\"(max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em sua vers\u00e3o do militar, em Minas Gerais, o comandante era Ubirajara Brito. Na verdade, \u201cBira\u201d aponta que existiam tr\u00eas bases revolucion\u00e1rias que contavam com respaldo de Cuba, \u201cmas eu n\u00e3o tinha inger\u00eancia\u201d. Diziam tamb\u00e9m que eu fundei e comandei o \u201cGrupo dos Onze\u201d. Em Nanuque existia essa agremia\u00e7\u00e3o, mas informa que foi criada pelo secret\u00e1rio municipal da Educa\u00e7\u00e3o e pastor da Igreja Presbiteriana. Havia ainda os n\u00facleos do PCB, PC do B (ligados aos sovi\u00e9ticos) e dos brizolistas com afinidades com Cuba que fomentavam a reforma agr\u00e1ria, mas com poucos recursos.<\/p>\n<p>Ubirajara n\u00e3o foi solto por ato jur\u00eddico. Em tom ir\u00f4nico afirma que chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que estava dando muitas despesas. \u201cPor isso me mandaram ir embora\u201d. Depois de libertado, como era normal naquela \u00e9poca, o professor passou uns tempos sobressaltado e se escondeu na fazenda de seus pais. O pior era a boataria de que seria novamente preso. Para n\u00e3o ser detido de surpresa, resolveu fugir altas horas da madrugada num avi\u00e3o de um amigo para Foz do Rio Doce. De l\u00e1 seguiu para Salvador (final de 1964) onde procurou a Universidade Federal para trabalhar, mas n\u00e3o deu certo.<\/p>\n<p>No p\u00f3s 1964, em se tratando do pessoal de Vit\u00f3ria da Conquista, Ubirajara recorda que s\u00f3 teve liga\u00e7\u00f5es clandestinas com Franklin Ferraz Neto, em S\u00e3o Paulo. Revela que, sem uma ocupa\u00e7\u00e3o, viu com tristeza Franklin (nomeado juiz do Trabalho) se transformar num fot\u00f3grafo de bin\u00f3culo com seu primo, na capital paulista. Na \u00e9poca, Franklin estava apaixonado por uma mo\u00e7a de Po\u00e7\u00f5es e planejava ir para o ex\u00edlio casado com ela. Terminou se casando, mas n\u00e3o saiu do Brasil porque morreu logo \u2013 como informa Ubirajara.<\/p>\n<p>Sobre outros contatos em Conquista, o professor cita Everardo de Castro e Hemet\u00e9rio Pereira, presidente do Comit\u00ea Local do PCB. Com rela\u00e7\u00e3o a Pedral Sampaio, assinalou que sua rela\u00e7\u00e3o era de muito tempo antes do Golpe.<\/p>\n<p>FUGA E \u201cBOI DE PIRANHA\u201d<\/p>\n<p>Antes de sair o decreto de sua pris\u00e3o preventiva (a ordem foi passada para o Quartel da VI Regi\u00e3o), \u201cBira\u201d foi para o exterior, em 1965, seguindo o roteiro de Feira de Santana \u2013 Vit\u00f3ria da Conquista, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. Ubirajara revelou que tinha um informante que lhe passou as coordenadas sobre sua pris\u00e3o. Para sua fuga do pa\u00eds, o Partido Comunista o ajudou. Com muita sutileza para despistar a aten\u00e7\u00e3o dos agentes federais, tomou um avi\u00e3o para a It\u00e1lia indo depois para Paris onde ficou at\u00e9 1974 e foi professor de Geof\u00edsica Nuclear na Universidade D\u00b4Orsey \u2013 segundo Campo Cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Explicou que sua amizade com Oscar Niemayer se deu no Brasil, antes do ex\u00edlio, e em Paris (1966) onde tamb\u00e9m estava Waldir Pires que ensinava Direito Constitucional Comparado em Dijon, distante 150 quil\u00f4metros da capital. Era uma situa\u00e7\u00e3o ingrata \u2013 lamenta Ubirajara, adiantando que Waldir teve que estudar muito, pois sabia pouco franc\u00eas quando foi para l\u00e1.<\/p>\n<p>Seu retorno ao pa\u00eds, em 1974, conforme assinalou, foi montado atrav\u00e9s de um acordo entre o general Ernesto Geisel e Jango, utilizando alguns exilados como bois-de-piranhas, incluindo seu nome na lista. Na posse da presid\u00eancia, Geisel mandou um emiss\u00e1rio, comandante do Estado Maior, acompanhado do jornalista Castelo Branco, conversar clandestinamente com Jango. A negocia\u00e7\u00e3o foi um teste que fazia parte da distens\u00e3o lenta, mas n\u00e3o poderiam voltar o padre Lage, Leonel Brizola, Miguel Arraes e Francisco Juli\u00e3o (chefe das Ligas Camponesas).<\/p>\n<p>Jango n\u00e3o aceitou o esquema, mas, mesmo assim retornaram 10 ou 20 exilados. Ubirajara fez a viagem de navio at\u00e9 Salvador onde um tenente o interrogou e recomendou para n\u00e3o fazer mais declara\u00e7\u00f5es. Disse que ao desembarcar sentiu n\u00e3o existir mais movimentos, s\u00f3 saudosistas. \u201cIa sempre para o Rio de Janeiro conversar com Niemayer\u201d. Da capital foi para sua fazenda no extremo sul da Bahia e, como professor, come\u00e7ou a procurar trabalho, inclusive na UFBA, mas nem o setor privado abriu as portas. Como n\u00e3o tinha alternativa, Ubirajara passou a criar porcos, fazer farinha, requeij\u00e3o e vender jaca.<\/p>\n<p>Depois de uma temporada nessa labuta, resolveu criar uma empresa de agrimensura, isto at\u00e9 1981. A partir da\u00ed decidiu em 1982 ser candidato a deputado estadual pela Bahia. N\u00e3o deu certo. Em 1983, Tancredo Neves se elege governador de Minas Gerais e convidou Ubirajara para trabalhar com ele. Em 1984 Tancredo renuncia ao governo do estado para ser candidato nas Diretas J\u00e1, atrav\u00e9s do Col\u00e9gio Eleitoral.<\/p>\n<p>De acordo com sua hist\u00f3ria pol\u00edtica, Tancredo o levou para Bras\u00edlia. Nesse ponto, Ubirajara interrompe a entrevista para fazer quest\u00e3o de dizer que sua carreira inicial na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o tem nada a dever \u00e0 Bahia. No entanto, abre uma exce\u00e7\u00e3o para o deputado Carlos Santana por ter lhe convidado para ser chefe da Assessoria T\u00e9cnica do Governo da Constituinte no per\u00edodo de Sarney na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, que assumiu no lugar de Tancredo Neves ap\u00f3s sua morte.<\/p>\n<p>Em 1987 ocupou o cargo de superintendente de Ci\u00eancias B\u00e1sicas do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa), e depois Sarney o convidou para ser secret\u00e1rio Geral no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, isto em 1988, chegando a ser ministro da pasta. No final do Governo Collor, por interm\u00e9dio de ACM (Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es) e \u00c2ngelo Calmon de S\u00e1, foi secret\u00e1rio executivo do Minist\u00e9rio da A\u00e7\u00e3o Social e ministro por pouco tempo.<\/p>\n<p>No governo de Itamar Franco foi ser diretor-executivo das Pioneiras Sociais (Rede de Hospitais Sarah). Logo depois, durante cinco anos ocupou a fun\u00e7\u00e3o de secret\u00e1rio de Planejamento do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, incluindo uma parte do governo de Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<p>CONTRA A LUTA ARMADA<\/p>\n<p>Sobre os movimentos da luta armada no Brasil a partir do final dos anos de 1960, Ubirajara diz que, apesar de admirar Che Guevara e respeitar quem participou do processo, n\u00e3o concorda com a teoria do guerrilheiro, nem daqueles que fizeram a mesma coisa no pa\u00eds.\u00a0 Em sua opini\u00e3o, tudo n\u00e3o passou de um foquismo importado de Debret, com a ideologia de fomentar a revolu\u00e7\u00e3o a partir de focos espalhados no territ\u00f3rio com pretens\u00e3o de derrubar o regime.<\/p>\n<p>Para ele, deu certo em Cuba porque a concentra\u00e7\u00e3o era grande, e o governo estava desmoralizado. N\u00e3o se tratava, conforme sua an\u00e1lise, da nossa quest\u00e3o que era um pa\u00eds diferente, inclusive em termos territoriais. Declarou ter se sentido humilhado em Paris numa reuni\u00e3o entre jovens que defendiam essa teoria. Por discordarmos (ele e outro grupo), nos chamaram de revisionistas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o era a luta armada que iria salvar o nosso problema. A ditadura sabia de todos os movimentos e iria nos destruir\u201d. Referindo-se \u00e0 estrat\u00e9gia do PCB, criado em mar\u00e7o de 1922, citou que estava se fazendo um trabalho pac\u00edfico. A\u00ed entraram as organiza\u00e7\u00f5es armadas com as dissid\u00eancias, a partir de 1966, que foram todas esmagadas pelos militares. &#8211; Depois disso, o regime se voltou contra a gente (PCB) na chamada Opera\u00e7\u00e3o Limpeza, ou Opera\u00e7\u00e3o Radar (1973\/76) \u2013 aponta Ubirajara que relaciona as pris\u00f5es e as torturas ocorridas na fronteira com o Uruguai.<\/p>\n<p>Em sua interpreta\u00e7\u00e3o, o governo n\u00e3o provoca, responde \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o. Ubirajara s\u00f3 esqueceu de dizer que logo ap\u00f3s o golpe de 1964 a repress\u00e3o foi dura contra o PCB, inclusive com persegui\u00e7\u00f5es, brutalidades e mortes. O \u201cPartid\u00e3o\u201d s\u00f3 foi resguardado pelos militares entre os anos 1968\/73 porque estava no encal\u00e7o feroz dos grupos armados.<\/p>\n<p>S\u00f3 para rememorar, o PCB j\u00e1 estava clandestino desde 1947, depois da Segunda Guerra Mundial. E os torturadores devem ser punidos? \u201cBira\u201d entende que a vingan\u00e7a n\u00e3o tem mais sentido, e completa que ela foi feita quando o pessoal das lutas pela democracia voltou e ocupou o poder. Por sua vez, destaca que quase todos torturadores morreram, restando apenas uns \u201cvelhos gag\u00e1s\u201d como Newton Cruz e Brilhante Ustra (falecidos). \u201cN\u00e3o tenho nada a cobrar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOS MILICOS QUE SE LASQUEM\u201d<\/p>\n<p>E a abertura dos arquivos da ditadura? Ubirajara considera ser necess\u00e1ria para que a hist\u00f3ria seja corrigida j\u00e1 que ela foi deturpada durante mais de 20 anos. Desabafa que o golpe de 1964 destruiu toda uma cultura armazenada ao longo dos anos na sociedade. \u201cOs milicos que se lasquem no Brasil\u201d. At\u00e9 antes estava se construindo uma cultura no teatro, no cinema, na literatura e na pol\u00edtica atrav\u00e9s dos diret\u00f3rios acad\u00eamicos e da UNE (Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes), interagindo com os sindicatos e os oper\u00e1rios. Tudo isso, na vis\u00e3o do professor, era a constru\u00e7\u00e3o da cultura brasileira que os militares acabaram em 1968. Do AI-5, de 1968, aponta o Decreto 477 que expulsava qualquer jovem do col\u00e9gio ou da universidade, com alega\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e atos considerados por eles como subversivos.<\/p>\n<p>A partir de 1968, Ubirajara define a juventude como uma gera\u00e7\u00e3o sem cor, p\u00e1lida e perdida que meteu na cabe\u00e7a o ideal americano: O importante \u00e9 vencer pessoalmente. At\u00e9 hoje se trabalha com esta gera\u00e7\u00e3o do conceito de que a quest\u00e3o \u00e9 vencer \u201ce o resto que se lasque.\u201d A solidariedade acabou, a amizade desapareceu, desabafa. Em tom de tristeza e melancolia, alfineta que qualquer jovem atualmente queima a bandeira brasileira por um bom emprego numa multinacional. \u201c\u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o alienada\u201d \u2013 denuncia, adiantando que para reverter este quadro, s\u00f3 com dec\u00eancia.<\/p>\n<p>Em sua an\u00e1lise sobre os tempos atuais (final do s\u00e9culo XX e in\u00edcio do s\u00e9culo XXI), Ubirajara n\u00e3o poupa tamb\u00e9m a m\u00eddia, afirmando se tratar de um segmento alienado que, infelizmente, faz a cabe\u00e7a da opini\u00e3o p\u00fablica. Coroando toda essa aliena\u00e7\u00e3o l\u00e1 est\u00e1 o Congresso Nacional \u2013 descarrega sua artilharia. \u201cContinuo no PCB. O partido foi que se acabou. N\u00e3o sou mais filiado porque as fichas sumiram\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Falecido nesta quarta-feira (dia 20\/07), com 88 anos, o professor Ubirajara Brito, quando vivo, concedeu entrevista ao jornalista Jeremias Mac\u00e1rio para seu livro \u201cUma Conquista Cassada-cerco e fuzil na cidade do frio\u201d, publicado pela Assembleia Legislativa da Bahia, por interm\u00e9dio do deputado Fabr\u00edcio Falc\u00e3o, e lan\u00e7ado em 2013. 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