{"id":7020,"date":"2022-06-10T22:45:32","date_gmt":"2022-06-11T01:45:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=7020"},"modified":"2022-06-10T22:45:58","modified_gmt":"2022-06-11T01:45:58","slug":"os-pardos-os-crioulos-e-os-mulatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/06\/10\/os-pardos-os-crioulos-e-os-mulatos\/","title":{"rendered":"OS PARDOS, OS CRIOULOS E OS MULATOS"},"content":{"rendered":"<p>A pr\u00f3pria discrimina\u00e7\u00e3o racial adotada pelos conquistadores (portugueses, ingleses, espanh\u00f3is e franceses, principalmente) serviu para introduzir rivalidades entre os pr\u00f3prios negros escravizados a partir das cores da pele entre \u201cpardos\u201d, \u201cmulatos\u201d e \u201ccrioulos\u201d.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o constrangedora ficou bem expl\u00edcita na trilogia \u201cEscravid\u00e3o\u201d, escrita pelo jornalista Laurentino Gomes no cap\u00edtulo que fala sobre \u201c\u00c1fricas Brasileiras\u201d. Isso deu, inclusive, na cria\u00e7\u00e3o das irmandades, todas com nomes de santos e Nossa Senhora (a Virgem Maria), bastante difundidas na Bahia, Pernambuco, Maranh\u00e3o e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u201cNo s\u00e9culo XVIII, por exemplo, havia no Rio de Janeiro, o segmento dos \u201cpardos\u201d, pessoas afrodescendentes mais bem posicionados socialmente, organizados em confrarias religiosas de grande prest\u00edgio, que procuravam se distanciar dos negros, em especial os rec\u00e9m-chegados da \u00c1frica, e se aproximar dos brancos, dos libertos ou mesmo dos escravos \u201ccrioulos\u201d, ou seja, nascidos no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Laurentino, a express\u00e3o \u201cpardo\u201d (classifica\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje feita pelo IBGE), teve diferentes significados no Brasil colonial. No s\u00e9culo XVII era usado em S\u00e3o Paulo para designar ind\u00edgenas escravizados ilegalmente. Nas regi\u00f5es produtoras de a\u00e7\u00facar do Nordeste, era sin\u00f4nimo de \u201cmulato\u201d, descendente de brancos e negros. Em Minas Gerais equivalia a escravo alforriado ou homem liberto nascido no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cOs \u201cpardos\u201d n\u00e3o escravos no Rio de Janeiro eram tamb\u00e9m chamados de \u201cmulatos de capote\u201d e gozavam de import\u00e2ncia social superior aos negros e cativos, entre outras raz\u00f5es por se vestirem como os europeus. Muitos deles eram ourives, profiss\u00e3o de grande valor na \u00e9poca da corrida do ouro no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Foram os ourives os organizadores da primeira irmandade de padres do Rio de Janeiro em meados do s\u00e9culo XVII, sob a prote\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Br\u00e1s e os ausp\u00edcios do Mosteiro Beneditino. Nas d\u00e9cadas seguintes criaram mais tr\u00eas irmandades, a de Nossa Senhora do Amparo, Nossa Senhora da Boa Morte e Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O autor da trilogia destaca que todo escravo descendente de homem branco era chamado de \u201cpardo\u201d. Assim como todo negro nascido livre, fosse negro ou n\u00e3o. \u201cHavia filhos de africanos negros que eram registrados como \u201cpardos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPortanto, chamar algu\u00e9m de \u201cpardo\u201d era o registro de uma diferencia\u00e7\u00e3o na hierarquia da sociedade colonial, assim como \u201ccrioulo\u201d designava escravos negros nascidos no Brasil, enquanto \u201cpreto\u201d se referia aos africanos\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Laurentino, \u201cnas irmandades religiosas do Rio de Janeiro, dava-se prefer\u00eancia ao uso do termo \u201cpardo\u201d em detrimento de \u201cmulato\u201d, qualificativo, conforme observam alguns historiadores, associado a atributos como pregui\u00e7a, desonestidade, ast\u00facia, arrog\u00e2ncia e falta de credibilidade, em resumo, moralmente inferior\u201d.<\/p>\n<p>O escritor Laurentino cita o professor Luiz dos Santos Vilhena que afirmava que \u201cquase todos os mulatos ricos querem ser fidalgos, muito fofos e soberbos, e pouco amigo dos brancos e dos negros, sendo diferentes as causas\u201d. O jesu\u00edta padre Andr\u00e9 Jo\u00e3o Antonil dizia que os mulatos s\u00e3o soberbos e vi\u00e7osos&#8230;<\/p>\n<p>Esses conceitos refletiam-se no universo da escravid\u00e3o, e entre os pr\u00f3prios negros e mesti\u00e7os, cativos ou libertos \u2013 um dos estigmas mais profundos e antigos da cultura portuguesa, o da \u201cimpureza\u201d de sangue. As leis can\u00f4nicas exigiam que candidatos a determinadas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, t\u00edtulos ou cargos honor\u00edficos, fossem submetidos a uma demorada e detalhada investiga\u00e7\u00e3o para comprovar que tinham \u201csangue limpo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pr\u00f3pria discrimina\u00e7\u00e3o racial adotada pelos conquistadores (portugueses, ingleses, espanh\u00f3is e franceses, principalmente) serviu para introduzir rivalidades entre os pr\u00f3prios negros escravizados a partir das cores da pele entre \u201cpardos\u201d, \u201cmulatos\u201d e \u201ccrioulos\u201d. 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