{"id":6987,"date":"2022-05-28T20:35:25","date_gmt":"2022-05-28T23:35:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6987"},"modified":"2022-05-28T20:35:58","modified_gmt":"2022-05-28T23:35:58","slug":"cinco-milhoes-de-escravizados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/05\/28\/cinco-milhoes-de-escravizados\/","title":{"rendered":"CINCO MILH\u00d5ES DE ESCRAVIZADOS"},"content":{"rendered":"<p>Antes de Cabral chegar ao Brasil, Portugal j\u00e1 explorava a costa africana e come\u00e7ou a traficar cativos no final do s\u00e9culo XV. Segundo o banco de dados Slavevoyages.org, no primeiro s\u00e9culo da coloniza\u00e7\u00e3o, da chegada da esquadra de Cabral \u00e0 Bahia at\u00e9 1600, entraram na Am\u00e9rica Portuguesa cerca de 30 mil africanos escravizados.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero teria sido multiplicado 26 vezes, para aproximadamente 784 mil, entre 1600 a 1700, em raz\u00e3o, principalmente, dos cultivos das lavouras de cana-de-a\u00e7\u00facar no Nordeste brasileiro. No s\u00e9culo seguinte, cresceria mais duas vezes e meia, chegando perto de dois milh\u00f5es num espa\u00e7o de apenas cem anos.<\/p>\n<p>Outros dois milh\u00f5es viriam at\u00e9 a metade do s\u00e9culo XIX, no auge da cultura do caf\u00e9 no Vale do Para\u00edba e na regi\u00e3o oeste de S\u00e3o Paulo, transformando o Brasil no maior territ\u00f3rio escravista do Hemisf\u00e9rio Ocidental, respons\u00e1vel pela importa\u00e7\u00e3o de 4,9 milh\u00f5es de africanos\u201d. Estima-se que todas as Am\u00e9ricas importaram cerca de 12 milh\u00f5es de escravos.<\/p>\n<p>Um levantamento realizado em Salvador, em 1775, registrou 35.253 habitantes, dos quais 42% eram escravos. Brancos somavam 36%, enquanto negros e mulatos livres totalizavam 22%. Em 1798, a popula\u00e7\u00e3o do Brasil era estimada em 3,25 milh\u00f5es de pessoas, sem incluir os ind\u00edgenas \u201cbravios\u201d, ou seja, n\u00e3o incorporados \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o colonial portuguesa. Quase 50% eram escravos. Nas regi\u00f5es mineradoras e produtoras de a\u00e7\u00facar, a propor\u00e7\u00e3o chegava a 70% ou mais\u201d.<\/p>\n<p>Todas essas informa\u00e7\u00f5es e muito mais, podem ser encontradas nos tr\u00eas volumes dos livros do jornalista e escritor Laurentino Gomes, intitulados \u201cEscravid\u00e3o\u201d.\u00a0 Diz mais ainda que, entre 1751 e 1842, cerca de 100 mil africanos desembarcaram no porto de S\u00e3o Luis do Maranh\u00e3o. Quase a metade disso, 49 mil, foi redirecionada para o Par\u00e1. O \u00faltimo desembarque de navio negreiro na Amaz\u00f4nia ocorreu em 1846, quatro anos antes da aboli\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos para o Brasil, estabelecida pela Lei Eus\u00e9bio de Queir\u00f3s, de 1850.<\/p>\n<p>Na compra dos escravos, os capit\u00e3es dos navios e os empres\u00e1rios traficantes pagavam com conchas cauris, das Ilhas Maldivas, o zimbo, da Ilha de Luanda, e diversas mercadorias e objetos, como a\u00e7\u00facar, algod\u00e3o, carne seca, madeira, redes de pesca, macacos, p\u00e1ssaros e cacha\u00e7a do Brasil.<\/p>\n<p>A escravid\u00e3o no Brasil registrou seu maior auge no s\u00e9culo XVIII, principalmente por causa da corrida do ouro. Com isso, segundo Laurentino, os europeus estimulavam as guerras, fornecendo armas, muni\u00e7\u00f5es, cavalos, armaduras e at\u00e9 treinamento militar aos seus aliados africanos. Com as guerras entre as etnias, aumentava consideravelmente o n\u00famero de prisioneiros cativos.\u00a0 Os pre\u00e7os por cada cativo foram absurdamente inflacionados<\/p>\n<p>Os portugueses, holandeses, franceses e outros europeus n\u00e3o adentravam ao interior do continente porque era perigoso. Os navios ficavam no litoral esperando as caravanas de escravizados trazidos pelos chefes dos reinos que governavam cada estado.<\/p>\n<p>Em Angola, eram chamadas de \u201cguerras pretas\u201d, expedi\u00e7\u00f5es punitivas promovidas pelas autoridades coloniais portuguesas com o pretexto para elevar o n\u00famero de cativos em oferta nas regi\u00f5es costeiras. A Inglaterra era um dos maiores exportadores de armas para criar conflitos entre os reinos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de Cabral chegar ao Brasil, Portugal j\u00e1 explorava a costa africana e come\u00e7ou a traficar cativos no final do s\u00e9culo XV. 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