{"id":6948,"date":"2022-05-18T22:54:05","date_gmt":"2022-05-19T01:54:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6948"},"modified":"2022-05-18T22:54:31","modified_gmt":"2022-05-19T01:54:31","slug":"a-corrupcao-vem-dos-tempos-coloniais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/05\/18\/a-corrupcao-vem-dos-tempos-coloniais\/","title":{"rendered":"A CORRUP\u00c7\u00c3O VEM DOS TEMPOS COLONIAIS"},"content":{"rendered":"<p>Desde quando o Brasil passou a ser colonizado por Portugal, uma das marcas registradas em todos setores, inclusive durante os 350 anos do tr\u00e1fico negreiro, foi a corrup\u00e7\u00e3o. A Coroa Portuguesa, que se esbaldou com as nossas riquezas, principalmente levando nosso ouro e diamante, era sempre passada para tr\u00e1s pelos seus enviados governadores e vice-reis que aqui chegavam com a miss\u00e3o de acabar com a roubalheira.<\/p>\n<p>O jornalista e escritor Laurentino Gomes e visitantes estrangeiros retratam muito bem esse quadro ao longo de seus tr\u00eas livros intitulados \u201cEscravid\u00e3o\u201d. Essa corrup\u00e7\u00e3o nasceu de cima para baixo e foi se espalhando por todas as camadas da sociedade, dos mais ricos aos mais pobres que sempre tiveram o intuito de tirar proveito em tudo. Ela passou a ser institucionalizada e at\u00e9 os mandat\u00e1rios ensinavam as t\u00e9cnicas do roubar para se dar bem.<\/p>\n<p>Em diversos trechos de suas obras, Laurentino destaca depoimentos de visitantes que passavam pelo Brasil, sobretudo pelas atuais capitais do Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Essas observa\u00e7\u00f5es mostram uma col\u00f4nia isolada, como nos tempos atuais, atrasada e sem educa\u00e7\u00e3o&#8230; dominada pela escravid\u00e3o, que n\u00e3o se acabou.<\/p>\n<p>\u201cA maioria da popula\u00e7\u00e3o era pobre, analfabeta e carente de tudo. Foi o que registrou a inglesa Jemima Kindersley, em agosto de 1764, ao fazer uma escala em Salvador a caminho da \u00cdndia\u201d. Entre outras coisas, ela diz que aquele povo lia pouqu\u00edssimos livros, \u201cpois o conhecimento n\u00e3o est\u00e1 no rol de suas preocupa\u00e7\u00f5es. \u00c9 pol\u00edtica assente do governo manter o povo na ignor\u00e2ncia, j\u00e1 que isso o faz aceitar com mais docilidade as arbitrariedades do poder\u201d.<\/p>\n<p>Nada mudou, e tudo continua como antes, h\u00e1 mais de 300 anos. O filme \u00e9 o mesmo. Tudo isso pode ser dito e repetido nos tempos atuais, talvez com mais \u00eanfase. Vejamos o que fala o pr\u00f3prio autor dos livros sobre essa situa\u00e7\u00e3o descrita por gente de fora: \u201cInjusto, desumano e violento, o sistema escravista portugu\u00eas e brasileiro era corrupto e corrompido dos alicerces at\u00e9 o topo da pir\u00e2mide. Seu funcionamento dependia do suborno, extors\u00e3o, malversa\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos, contrabando, sonega\u00e7\u00e3o de impostos, clientelismo e nepotismo, entre outras contraven\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Autora de um importante estudo sobre o tema, segundo o jornalista, a historiadora Adriana Romeiro, doutora pela Universidade Estadual de Campinas e professora da Universidade Federal de Minas Gerais, assinalou \u201cque durante o per\u00edodo colonial brasileiro, enriquecer no exerc\u00edcio de um cargo p\u00fablico n\u00e3o constitu\u00eda, por si s\u00f3, em delito. Ao contr\u00e1rio, esperava-se que os funcion\u00e1rios reais aproveitassem as oportunidades para acumular fortunas que pudessem engrandecer suas casas e redes de clientelas e parentelas\u201d.<\/p>\n<p>Nesse contexto, ela cita a frase pronunciada pelo rei dom Jo\u00e3o V, em 1495, ao se despedir do capit\u00e3o-mor Lopes Soares de Albergaria, rec\u00e9m nomeado governador da Fortaleza de S\u00e3o Jorge da Mina, entreposto de tr\u00e1fico de escravos na costa da \u00c1frica: \u201cEu vos mando \u00e0 Mina, n\u00e3o sejais t\u00e3o n\u00e9scio (tolo) que venhais de l\u00e1 pobre\u201d. Sem maiores coment\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o aos nossos tempos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde quando o Brasil passou a ser colonizado por Portugal, uma das marcas registradas em todos setores, inclusive durante os 350 anos do tr\u00e1fico negreiro, foi a corrup\u00e7\u00e3o. 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