{"id":6898,"date":"2022-04-29T22:54:57","date_gmt":"2022-04-30T01:54:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6898"},"modified":"2022-04-29T22:55:27","modified_gmt":"2022-04-30T01:55:27","slug":"curiosidades-do-trafico-negreiro-ix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/04\/29\/curiosidades-do-trafico-negreiro-ix\/","title":{"rendered":"CURIOSIDADES DO TR\u00c1FICO NEGREIRO (IX)"},"content":{"rendered":"<p>O livro de Laurentino Gomes, \u201cESCRAVID\u00c3O\u201d mostra curiosidades do tr\u00e1fico negreiro, muitas das quais de horror, mas que precisam ser conhecidas por historiadores, estudantes e todos brasileiros sobre o que aconteceu nos quase 350 anos de escravid\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Em prosseguimento aos relatos do autor, vamos destacar alguns deles sobre os sofrimentos dos negros no cativeiro:<\/p>\n<p>A IGREJA E A ESCRAVID\u00c3O<\/p>\n<p>Em \u201cA Cruz e o Chicote\u201d, ainda com rela\u00e7\u00e3o a Igreja, o autor diz que \u201cat\u00e9 o final do s\u00e9culo XIX, com raras opini\u00f5es isoladas, a institui\u00e7\u00e3o nunca se pronunciou oficialmente e de forma inequ\u00edvoca contra a escravid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Prosseguindo, acrescentou que Ela reconhecia que os cativos tinham uma alma imortal que devia ser salva mediante a administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, mas bispos, padres e ordens religiosas eram donos de escravos e participavam ativamente do com\u00e9rcio negreiro.<\/p>\n<p>Os padres, inclusive Manuel da N\u00f3brega, diziam que o conforto dos mission\u00e1rios dependia do trabalho dos escravos. Sobre os livros e ensaios escritos por jesu\u00edtas, o historiador Ronaldo Vainfas os denominou de moral crist\u00e3 da escravid\u00e3o e de projeto escravista dos religiosos.<\/p>\n<p>Um desses autores citado por Laurentino \u00e9 o italiano Jorge Benci, que exerceu diversas fun\u00e7\u00f5es no col\u00e9gio da Ordem da Bahia. No livro \u201cEconomia Crist\u00e3 dos Senhores no Governo dos Escravos\u201d, Benci n\u00e3o questionava, nem condenava a pr\u00e1tica escravista.<\/p>\n<p>Para o italiano, o cativeiro era parte e consequ\u00eancia da natureza deca\u00edda do ser humano, um dos efeitos do pecado original de nossos primeiros pais, Ad\u00e3o e Eva, donde se originaram todos os nossos males. De acordo com ele, o pecado foi o que abriu as portas por onde entrou o cativeiro.<\/p>\n<p>Benci afirmava que a maldi\u00e7\u00e3o de No\u00e9 lan\u00e7ada sobre Cana\u00e3, primog\u00eanito do seu filho Cam, transformava todos africanos \u2013 segundo a tradi\u00e7\u00e3o, descendentes dessa linhagem b\u00edblica \u2013 em candidatos naturais ao cativeiro.<\/p>\n<p>Em seu entender, a primeira e a mais importante obriga\u00e7\u00e3o do senhor de escravos era alimentar a alma de seus servos com a Doutrina Crist\u00e3. A segunda, impedir que os escravos permanecessem no \u00f3cio, conforme ele, a fonte de todos os males. O dever do senhor era, portanto, botar os escravos para trabalhar, o mais rapidamente poss\u00edvel, \u201cpois os negros estariam mais inclinados ao v\u00edcio do que os brancos\u201d.<\/p>\n<p>Outra obriga\u00e7\u00e3o do senhor, dizia Benci, era dar ao escravo o castigo, para que n\u00e3o se costume a errar. Isso, para ele, era uma obra de miseric\u00f3rdia. Segundo Laurentino, o envolvimento da Igreja com a escravid\u00e3o era antigo, bem anterior ao tr\u00e1fico de africanos para Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>A expuls\u00e3o dos mouros da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, no s\u00e9culo XV, afirmava o autor da obra \u201cEscravid\u00e3o\u201d, inundou a regi\u00e3o do Mediterr\u00e2neo de cativos mu\u00e7ulmanos capturados pelos crist\u00e3os. Cerca de 10 mil foram escravizados na queda de M\u00e1laga, em 1487.<\/p>\n<p>Esses escravos eram usados nos trabalhos mais \u00e1rduos e perigosos, como as venenosas minas de merc\u00fario de Almad\u00e9m, na Espanha, e as pedreiras do sul da It\u00e1lia. \u201cEntre os s\u00e9culos XV e XVI, seguidas bulas papais deram a justificativa religiosa e o respaldo pol\u00edtico de que os portugueses precisavam para conquistar novos territ\u00f3rios na \u00c1frica e escravizar seus habitantes\u201d.<\/p>\n<p>Em 1452, o papa Nicolau V autorizava o rei de Portugal a atacar, conquistar e subjugar os mouros sarracenos, pag\u00e3os e outros inimigos de Cristo, capturar seus bens e territ\u00f3rios, escraviz\u00e1-los e transferir suas terras para a coroa portuguesa de forma perp\u00e9tua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro de Laurentino Gomes, \u201cESCRAVID\u00c3O\u201d mostra curiosidades do tr\u00e1fico negreiro, muitas das quais de horror, mas que precisam ser conhecidas por historiadores, estudantes e todos brasileiros sobre o que aconteceu nos quase 350 anos de escravid\u00e3o no Brasil. 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