{"id":6877,"date":"2022-04-26T22:36:57","date_gmt":"2022-04-27T01:36:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6877"},"modified":"2022-04-26T22:37:20","modified_gmt":"2022-04-27T01:37:20","slug":"o-sertao-e-unico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/04\/26\/o-sertao-e-unico\/","title":{"rendered":"O SERT\u00c3O \u00c9 \u00daNICO"},"content":{"rendered":"<p>28 DE ABRIL \u00c9 DIA COMEMORATIVO DA CAATINGA<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_9640.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6878\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_9640.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_9640.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_9640-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Para os bandeirantes paulistas sanguin\u00e1rios, como Domingos Jorge Velho, irm\u00e3os Fernando e Arthur Paes de Barros, Paschoal Moreira Cabral Leme, sert\u00e3o era penetrar naquelas brenhas para se aventurar na guerra contra os \u00edndios, massacr\u00e1-los e escraviz\u00e1-los, bem como descobrir ouro no continente. Para alguns escritores, como Guimar\u00e3es Rosa, o sert\u00e3o \u00e9 diverso, imenso e est\u00e1 dentro de cada um. Graciliano Ramos descrevia em seus romances o \u00e1rido seco, a pen\u00faria, o sofrimento e o social inexistente.<\/p>\n<p>Fico mais com o escritor alagoano, de Palmeira dos \u00cdndios. Na minha concep\u00e7\u00e3o, o sert\u00e3o \u00e9 \u00fanico, s\u00f3 existe um, aquele estorricado, rachado, pedregulhento, do mandacaru, do cacto, da catingueira, do xinque-xique, do juazeiro, da espinheira, do umbu, da lagartixa e do calango correndo nas folhas secas e nos lajedos. \u00c9 a vegeta\u00e7\u00e3o dos enga\u00e7os e baga\u00e7os durante as estiagens. Em meu sert\u00e3o, n\u00e3o existiu a corrida, nem a febre do ouro e do diamante.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_9638.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6879\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_9638.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_9638.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_9638-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sert\u00e3o para mim \u00e9 essa caatinga cinzenta do sol escaldante fervente, do canto da cau\u00e3 na beira da cacimba, do carcar\u00e1 e do gavi\u00e3o, da asa branca, da patativa, da rolinha, do p\u00e1ssaro preto e do sofrer. \u00c9 a terra que se renova e brota r\u00e1pido em cores diversas entre o verde quando batem forte os trov\u00f5es nas chuvaradas do ver\u00e3o. \u00c9 dos profetas da chuva. O restante \u00e9 mata, pantanal, cerrado ou pampa.<\/p>\n<p>O sert\u00e3o \u00e9 poesia da fome ou da abund\u00e2ncia de gente simples e humilde labutando no agreste no plantio da ab\u00f3bora, do feij\u00e3o, do milho e do andu, com f\u00e9 me esperan\u00e7a, para vencer as intemp\u00e9ries do tempo, e quase sempre n\u00e3o desiste. \u00c9 aquele solo geol\u00f3gico descrito por Euclides da Cunha, n\u00e3o o de Jorge Amado do cacau ou do litoral. Sert\u00e3o, infelizmente, rima com sequid\u00e3o.<\/p>\n<p>Para mim, sert\u00e3o s\u00f3 existe um, dos guerreiros, dos penitentes Conselheiros, das rezadeiras, do canto da batida do feij\u00e3o, das cantorias dos adjut\u00f3rios, dos cangaceiros de Lampi\u00e3o e da Coluna Prestes torando espinhos para se livrar das volantes. \u00c9 dos retirantes pau-de-arara se arrastando nas estradas poeirentas em dire\u00e7\u00e3o ao sul paulista, fugindo dos horrores da seca. \u00c9 o sert\u00e3o de Patativa do Assar\u00e9, de Luiz Gonzaga, Z\u00e9 Dantas e Humberto Teixeira.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_2592.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6880\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_2592.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_2592.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_2592-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sert\u00e3o \u00e9 mist\u00e9rio e tem uma cultura espec\u00edfica do caboclo boiadeiro no aboio do vaqueiro, do repentista nato, do sotaque matuto catingueiro, do homem e da mulher cismados. \u00c9 um ch\u00e3o \u00fanico inconfund\u00edvel dos h\u00e1bitos e frutos diferentes da mata. \u00c9 onde a terra come\u00e7a a virar sal e deserto porque os governantes l\u00e1 de cima s\u00f3 fizeram promessas de melhorias e conviv\u00eancia com a seca. \u00c9 ainda onde corre o carro-pipa no cascalho, para matar a sede do sertanejo e dos bichos.<\/p>\n<p>Sert\u00e3o \u00e9 cheiro de bode e cabra, do gadinho mirrado e do p\u00f4r-do-sol bem vermelho corado entre os galhos secos no horizonte infinito, \u00c9 no sert\u00e3o onde ainda vive o que restou do jumento, conhecido como jegue, s\u00edmbolo do Nordeste semi\u00e1rido, que est\u00e1 sendo dizimado nos currais das matan\u00e7as para virar carne e pele para os chineses.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_2603.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6881\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_2603.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_2603.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_2603-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O meu sert\u00e3o n\u00e3o \u00e9 todo interior por a\u00ed. Ele tem um esp\u00edrito \u00fanico, um olhar melanc\u00f3lico cheio de hist\u00f3rias e lendas de her\u00f3is e carrascos coron\u00e9is. \u00c9 sin\u00f4nimo de caatinga. N\u00e3o \u00e9 Chapada Diamantina. N\u00e3o tem capim exuberante. Tem ramagem rala e rara onde n\u00e3o frequenta a capivara. \u00a0Foi l\u00e1 onde nasci de parteira e respirei o primeiro ar diferente de outro lugar. Foi onde meus pais me criaram e me ensinaram a ganhar o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>28 DE ABRIL \u00c9 DIA COMEMORATIVO DA CAATINGA Para os bandeirantes paulistas sanguin\u00e1rios, como Domingos Jorge Velho, irm\u00e3os Fernando e Arthur Paes de Barros, Paschoal Moreira Cabral Leme, sert\u00e3o era penetrar naquelas brenhas para se aventurar na guerra contra os \u00edndios, massacr\u00e1-los e escraviz\u00e1-los, bem como descobrir ouro no continente. 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