{"id":6806,"date":"2022-04-02T00:00:33","date_gmt":"2022-04-02T03:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6806"},"modified":"2022-04-02T00:01:50","modified_gmt":"2022-04-02T03:01:50","slug":"curiosidades-do-trafico-negreiro-vi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/04\/02\/curiosidades-do-trafico-negreiro-vi\/","title":{"rendered":"CURIOSIDADES DO TR\u00c1FICO NEGREIRO (VI)"},"content":{"rendered":"<p>O livro de Laurentino Gomes, \u201cESCRAVID\u00c3O\u201d mostra curiosidades do tr\u00e1fico negreiro, muitas das quais de horror, mas que precisam ser conhecidas por historiadores, estudantes e todos brasileiros sobre o que aconteceu nos quase 350 anos de escravid\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Em prosseguimento aos relatos do autor, vamos destacar alguns deles sobre os sofrimentos dos negros no cativeiro:<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo sobre \u201cO Brasil\u201d, o autor faz uma rela\u00e7\u00e3o direta entre o que representava o a\u00e7\u00facar para a escravid\u00e3o, dizendo que \u201co a\u00e7\u00facar era sin\u00f4nimo de escravid\u00e3o\u201d. At\u00e9 um pouco depois da independ\u00eancia, em 1822, o produto era o principal item da pauta de exporta\u00e7\u00e3o brasileira. Em 1760 correspondia a 50% do total, contra 46% da minera\u00e7\u00e3o. Somente em 1831, o caf\u00e9 passou a ser o novo rei da exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs escravos s\u00e3o as m\u00e3os e os p\u00e9s do senhor de engenho, porque sem eles no brasil n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente\u201d \u2013 escreveu por volta de 1710 o padre jesu\u00edta Andr\u00e9 Jo\u00e3o Antonil.<\/p>\n<p>Origin\u00e1rio do sudeste asi\u00e1tico, a cana de a\u00e7\u00facar percorreu um longo caminho at\u00e9 chegar \u00e0s terras escuras e \u00famidas da Zona da Mata pernambucana e do Rec\u00f4ncavo Baiano, no in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o. Na antiguidade, o cultivo era praticado na P\u00e9rsia e na regi\u00e3o de Bengala, na \u00cdndia. Depois os \u00e1rabes levaram para as margens do Mar Mediterr\u00e2neo. A cana tornou-se uma das fontes de renda dos cavaleiros cruzados crist\u00e3os que ocuparam a Palestina entre os s\u00e9culos XII e XIII. Dali espalhou-se para outras partes do mundo, como Espanha, Portugal (Ilhas da Madeira, Can\u00e1rias e A\u00e7ores).<\/p>\n<p>De acordo com Laurentino, com as lavouras e os engenhos, seguiam tamb\u00e9m os escravos. Para historiadores, a\u00e7\u00facar, escravid\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica s\u00e3o hist\u00f3rias interligadas. Da moenda numa pedra circular, os engenhos foram se evoluindo. Da Madeira, a cana saltaria para a Am\u00e9rica (Caribe) atrav\u00e9s de Crist\u00f3v\u00e3o Colombo em sua viagem de 1493.<\/p>\n<p>A cana se adaptou bem no Nordeste brasileiro por ter terras em abund\u00e2ncia, solos f\u00e9rteis e clima quente ensolarado. Faltava apenas o quarto item: m\u00e3o de obra escrava. A solu\u00e7\u00e3o definitiva come\u00e7ou a ser adotada em 1559, quando Mem de S\u00e1, terceiro governador-geral do Brasil ordenou a redu\u00e7\u00e3o em 40% das tarifas alfandeg\u00e1rias para a entrada de cativos africanos no Brasil, com objetivo de estimular a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>A chegada dos primeiros escravos africanos coincide com o vertiginoso ciclo da cana, que viria a transformar a paisagem brasileira, bem como os costumes e os h\u00e1bitos. Em 1664, a prosperidade gerada pelo a\u00e7\u00facar era t\u00e3o grande que D. Jo\u00e3o IV definiria o Brasil como uma \u201cvaca de leite\u201d de Portugal.<\/p>\n<p>A cultura do a\u00e7\u00facar nos tr\u00f3picos, segundo Laurentino, caracterizava-se pelo bin\u00f4mio casa-grande e senzala. Os donos dos maiores engenhos exploravam o trabalho de 100 a 150 escravos. O produto era consumido em quase toda Europa, e uma das grandes entusiastas era a rainha Elizabeth I, da Inglaterra. Na pr\u00f3xima coluna vamos mostrar os sofrimentos dos escravos nos trabalhos degradantes e desumanos nas usinas e nas lavouras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro de Laurentino Gomes, \u201cESCRAVID\u00c3O\u201d mostra curiosidades do tr\u00e1fico negreiro, muitas das quais de horror, mas que precisam ser conhecidas por historiadores, estudantes e todos brasileiros sobre o que aconteceu nos quase 350 anos de escravid\u00e3o no Brasil. 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