{"id":6679,"date":"2022-02-19T00:08:36","date_gmt":"2022-02-19T03:08:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6679"},"modified":"2022-02-19T00:09:17","modified_gmt":"2022-02-19T03:09:17","slug":"manuel-bandeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/02\/19\/manuel-bandeira\/","title":{"rendered":"MANUEL BANDEIRA"},"content":{"rendered":"<p>Falar do pernambucano de Recife, Manuel Bandeira, n\u00e3o carece de muitas apresenta\u00e7\u00f5es, principalmente pelo conte\u00fado de suas obras po\u00e9ticas. Parnasiano-simbolista aderiu de cheio ao modernismo da Semana de Arte Moderna de 22, junto com nomes not\u00e1veis de express\u00e3o, como Oswald de Andrade, M\u00e1rio de Andrade, Guilherme de Almeida, Ronald de Carvalho e tantos outros.<\/p>\n<p>Um dia, de acordo com Alfredo Bosi (Hist\u00f3ria Concisa da Literatura Brasileira), Manuel Bandeira chamou-se de \u201cpoeta menor\u201d. \u201cFez por certo uma injusti\u00e7a a si pr\u00f3prio, mas deu, com essa conota\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, mostras de reconhecer as origens psicol\u00f3gicas da sua arte: aquela atitude intimista dos crepusculares do come\u00e7o do s\u00e9culo que ajudaram a dissolver toda eloqu\u00eancia p\u00f3s-rom\u00e2ntica pela pr\u00e1tica de um lirismo confidencial, auto-ir\u00f4nico, talvez capaz de empenhar-se num projeto hist\u00f3rico, mas, por isso mesmo, distante das tenta\u00e7\u00f5es pseudo-ideol\u00f3gicas, alheio a deca\u00eddas ret\u00f3ricas\u201d.<\/p>\n<p>Manuel Carneiro de Sousa Bandeira (1886-1968) veio adolescente para o Rio de Janeiro, onde cursou o Col\u00e9gio D. Pedro II. Em S\u00e3o Paulo iniciou o curso de Engenharia, mas a tuberculose impediu-o de prosseguir os estudos. Em 1912 esteve na Su\u00ed\u00e7a onde entrou em contato com a melhor poesia simbolista e p\u00f3s-simbolista em l\u00edngua francesa, \u201cfonte de sua linguagem inicial, como atestam os primeiros livros \u201cCinzas das Horas (1917) e \u201cCarnaval\u201d (1919)<\/p>\n<p>No rio de Janeiro estreitou amizades com Ronald de Carvalho, Ribeiro Couto, Gra\u00e7a Aranha e Trist\u00e3o de Ata\u00edde, passando para o modernismo. Ao praticar o verso livre, foi acolhido pelo Grupo da Semana como um irm\u00e3o mais velho (na \u00e9poca de 22, tinha 36 anos), e algu\u00e9m o chamou de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista do movimento, segundo relata Bosi, que o considera como um dos melhores poetas do verso livre em portugu\u00eas, principalmente a partir de \u201cRitmo Dissoluto\u201d (1924) e \u201cLibertinagem\u201d (1930).<\/p>\n<p>\u201cA biografia de Manuel Bandeira \u00e9 a hist\u00f3ria de seus livros. Viveu para as letras e, salvo os anos em que lecionou portugu\u00eas no Col\u00e9gio D. Pedro II e Literatura Hispano-Americana na Universidade do Brasil, dedicou-se exclusivamente ao of\u00edcio de escrever poesia, cr\u00f4nica, tradu\u00e7\u00f5es e obras did\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n<p>Ao olhar de longe o carnaval da vida escreveu: \u201cUns tomam \u00e9ter, outros coca\u00edna\/Eu j\u00e1 tomei tristeza, hoje tomo alegria\/ Tenho todos os motivos menos um de ser triste.\/ Mas o c\u00e1lculo das probabilidades \u00e9 uma pilh\u00e9ria&#8230;\/Abaixo Amiel!\/ E nunca lerei o di\u00e1rio de Maria Bashkirtsseff.\/Sim, j\u00e1 perdi pai, m\u00e3e, irm\u00e3os.\/Perdi a sa\u00fade tamb\u00e9m.\/\u00c9 por isso que sinto como ningu\u00e9m o ritmo do jazz-band. &#8230;&#8230;&#8230;.(\u201cN\u00e3o sei dan\u00e7ar\u201d).<\/p>\n<p>Um dos poemas mais lembrados de Bandeira, musicado por Paulo Diniz, foi \u201cVou-me Embora para Pas\u00e1rgada\u201d em seu livro \u201cLibertinagem\u201d \u201cque oscila entre um fort\u00edssimo anseio de liberdade vital e est\u00e9tica e a interioriza\u00e7\u00e3o cada vez mais profunda dos vultos familiares (\u201cProfundamente\u201d, \u201cIrene no C\u00e9u\u201d, \u201cPoema de Finados\u201d, \u201cO Anjo da Guarda\u201d), bem como das imagens brasileiras extra\u00eddas do seu conv\u00edvio intelectual com M\u00e1rio de Andrade e Gilberto Freyre (\u201cMangue\u201d, \u201cEvoca\u00e7\u00e3o do Recife\u201d, \u201cLenda Brasileira\u201d, \u201cCunhant\u00e3)\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar do pernambucano de Recife, Manuel Bandeira, n\u00e3o carece de muitas apresenta\u00e7\u00f5es, principalmente pelo conte\u00fado de suas obras po\u00e9ticas. 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