{"id":6665,"date":"2022-02-15T01:57:31","date_gmt":"2022-02-15T04:57:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6665"},"modified":"2022-02-15T01:57:54","modified_gmt":"2022-02-15T04:57:54","slug":"o-brasil-precisa-de-um-novo-grito-de-liberdade-da-arte-de-1922","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/02\/15\/o-brasil-precisa-de-um-novo-grito-de-liberdade-da-arte-de-1922\/","title":{"rendered":"O BRASIL PRECISA DE UM NOVO GRITO DE LIBERDADE DA ARTE DE 1922"},"content":{"rendered":"<p>Nesses tempos t\u00e3o bicudos de destrui\u00e7\u00e3o da nossa cultura atrav\u00e9s da censura e do corte de verbas; de imita\u00e7\u00e3o e repeti\u00e7\u00e3o dos costumes e h\u00e1bitos estrangeiros, principalmente origin\u00e1rios dos Estados Unidos; de tanto lixo musical; de desprezo pela literatura e outras linguagens art\u00edsticas, o Brasil precisa de um novo movimento, de um novo grito de liberdade e de uma nova Semana de Arte Moderno de 1922, que aconteceu h\u00e1 100 anos no Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo, entre 13 e 18 de fevereiro.<\/p>\n<p>Comemorar \u00e9 memorar, mas como vamos comemorar um epis\u00f3dio t\u00e3o significante para a nossa cultura, se a nossa arte est\u00e1 se deteriorando nos museus que, inclusive, est\u00e3o sendo incendiados por falta de uma pol\u00edtica p\u00fablica de preserva\u00e7\u00e3o, se o nosso patrim\u00f4nio material e imaterial n\u00e3o est\u00e1 recebendo o devido apoio do poder dos governantes, se o incentivo limitado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica est\u00e1 sendo condicionado \u00e0 uma ades\u00e3o \u00e0s diretrizes ideol\u00f3gicas fascistas de extrema-direita?<\/p>\n<p>Precisamos do grito de liberdade de um Oswald de Andrade, de um M\u00e1rio de Andrade, de um Menotti Del Picchia, de um Heitor Villa-Lobos, de um Brecheret, de uma Anita Malfatti, de uma Tarsila do Amaral, de um Di Cavalcanti, de uma \u201cPagu\u201d, de um Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida, Ronald de Carvalho e at\u00e9 de um Gra\u00e7a Aranha contra todo esse retrocesso que est\u00e1 deixando o Brasil na contram\u00e3o da cultura e das artes.<\/p>\n<p>Precisamos de novos manifestos, como do \u201cPau-Brasil\u201d (1924) e do \u201cAntropof\u00e1gico\u201d (1927) de Oswald com sua inquietude e agita\u00e7\u00e3o; de um \u201cBrasil Desvairado\u201d, como a \u201cPaulic\u00e9ia Desvairada\u201d, de M\u00e1rio que, apesar de terem sa\u00eddos do ventre da burguesia, tiveram a coragem de colocar o dedo na cara, ou na ferida da pr\u00f3pria burguesia.<\/p>\n<p>A Semana de Arte Moderna de 22 fez uma ruptura com o passado e com a cultura europeia, para abra\u00e7ar e comer o nosso nacional, n\u00e3o com esse ufanismo delirante fascista atrasado. Naquela \u00e9poca, Oswald, Anita e Tarsila beberam das fontes do vanguardismo futurista europeu, mas fizeram suas artes voltadas para valorizar o que era nosso, conectados com a nossa realidade brasileira.<\/p>\n<p>Hoje precisamos romper com essa imita\u00e7\u00e3o da cultura norte-americana que absorve nossos jovens para adorarem, idolatrarem e apreciarem seus grandes her\u00f3is (super-homem, homem aranha, hulk, batman, mulher maravilha), esquecendo-se do nosso potencial cultural e do nosso rico folclore. Ningu\u00e9m fala mais em Saci, de Curupira e das lendas amaz\u00f4nicas, ga\u00fachas e nordestinas (C\u00e2mera Cascudo).<\/p>\n<p>Nosso portugu\u00eas est\u00e1 sendo vilipendiado, depenado e substitu\u00eddo por termos e letreiros inglesados. Nas redes sociais aparecem um horror de c\u00f3digos. Nas portas das lojas, s\u00f3 nomes em ingl\u00eas. N\u00e3o se fala mais em semin\u00e1rios, mesas-redondas, encontros, confer\u00eancias e congressos. Os cabe\u00e7\u00e1rios dos folhetos, nomes em camisetas e at\u00e9 cartazes (banner) s\u00e3o escritos em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Tivemos grandes movimentos entre as d\u00e9cadas 50, 60 e 70, inclusive com a Tropic\u00e1lia, a Bossa Nova, Clube da Esquina (Chico, Caetano, Gil, Milton Nascimento, Ferreira Gullar, Edu Lobo, Geraldo Vandr\u00e9, a turma do Pasquim) e tantos outros, que se miraram na Semana de Arte Moderna, que deu cara ao nosso modernismo, mas se foram com a ditadura. N\u00e3o mais aquela mesma efervesc\u00eancia cultural, com conte\u00fado.<\/p>\n<p>Por tudo isso e mais, \u00e9 que precisamos de um novo movimento que lembre o centen\u00e1rio da Semana de Arte Moderna de 22, ainda mais consistente e revolucion\u00e1rio. De l\u00e1 para c\u00e1, nesses 100 anos, nossa sociedade passou a se lambuzar no \u00f3leo sujo do consumismo e entrou em decad\u00eancia em termos de pensamento, conhecimento e saber. Nos tornamos uma sociedade alienada.<\/p>\n<p>A burguesia de hoje n\u00e3o difere muito da de 1922. Os coron\u00e9is dos tempos atuais continuam sendo os mesmo dos anos de 20 e 30. A diferen\u00e7a \u00e9 que os de hoje usam m\u00e9todos mais sofisticados, especialmente digitais virtuais mentirosas e enganosas, para fazerem suas malandragens pol\u00edticas de perpetua\u00e7\u00e3o da elite burguesa olig\u00e1rquica. Est\u00e1 a\u00ed a compra de votos por outros meios. Mais do que homenagear, o Brasil precisa de uma nova Semana de Arte Moderna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesses tempos t\u00e3o bicudos de destrui\u00e7\u00e3o da nossa cultura atrav\u00e9s da censura e do corte de verbas; de imita\u00e7\u00e3o e repeti\u00e7\u00e3o dos costumes e h\u00e1bitos estrangeiros, principalmente origin\u00e1rios dos Estados Unidos; de tanto lixo musical; de desprezo pela literatura e outras linguagens art\u00edsticas, o Brasil precisa de um novo movimento, de um novo grito de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6665"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6665\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}