{"id":6655,"date":"2022-02-10T00:27:02","date_gmt":"2022-02-10T03:27:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6655"},"modified":"2022-02-10T00:27:27","modified_gmt":"2022-02-10T03:27:27","slug":"quando-vai-se-acabar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/02\/10\/quando-vai-se-acabar\/","title":{"rendered":"QUANDO VAI SE ACABAR?"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 dois anos escrevi um texto po\u00e9tico perguntando a esse bicho de olhos rasgados e coroa de espinhos \u201cQuem \u00e9 Este Coronavid?, que se transformou num v\u00eddeo, e dele, muitos outros geraram um curta-metragem. inscrito e classificado entre os ganhadores num edital da Prefeitura de Vit\u00f3ria da Conquista atrav\u00e9s da Lei Aldir Blanc.<\/p>\n<p>Esse v\u00edrus se transformou em muitas outras variantes do alfabeto grego, e hoje estamos convivendo com a terceira onda da \u00f4microm. Virou o planeta de cabe\u00e7a para baixo e j\u00e1 ceifou a vida de mais de cinco milh\u00f5es de habitantes, dos quais mais de 635 mil s\u00f3 no Brasil. Dele n\u00e3o podemos dimensionar a quantidade de l\u00e1grimas que j\u00e1 provocou em milh\u00f5es que ficaram vi\u00favas, vi\u00favos e \u00f3rf\u00e3os de pais e m\u00e3es.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia deu o nome de Covid-19, que n\u00e3o s\u00f3 matou e deixou sequelas com sua agressividade terr\u00edvel, mas tamb\u00e9m criou um emaranhado de ideias, umas mais l\u00facidas e outras cheias de intrigas negacionistas, fake news, sofismos e at\u00e9 fez separar fam\u00edlias e amigos quando se inventou vacinas para neutralizar o maldito. Tirou crian\u00e7as e jovens das escolas, atrasando seus tempos de conhecimento e saber. Oh quanto estrago!<\/p>\n<p>Varreu mentes e invadiu todos pa\u00edses da terra e, com sua impiedade cruel, eliminou mais pobres que ricos. Deixou um rastro de desigualdades sociais, com muita pobreza e mis\u00e9ria, principalmente nos pa\u00edses mais vulner\u00e1veis. Inoculou o estresse, o desespero, o fanatismo religioso e conflitos existenciais. As pessoas passaram a usar m\u00e1scaras nas ruas, \u00f4nibus, trens e metr\u00f4s como se fossem rob\u00f4s em filmes de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos de terror, quando voc\u00ea foi chamado at\u00e9 de \u201cgripezinha\u201d por uma tal capit\u00e3o-presidente, hoje pergunto quando tudo isso vai se acabar? At\u00e9 quando vamos continuar nessa prociss\u00e3o de sofrimentos, lamentos, desagrega\u00e7\u00e3o e confus\u00e3o? At\u00e9 quando vai nos jogar uns contra os outros? Ser\u00e1 castigo contra nossos pecados por maltratar tanto o meio ambiente?<\/p>\n<p>Por falar em natureza, sua voraz sede de morte, em forma de pandemia, produziu mais um agravante de lixo proveniente dos res\u00edduos de objetos usados para combater seu avan\u00e7o, como agulhas, seringas, caixas coletoras, aparelhos, pl\u00e1sticos, embalagens de medicamentos e outros itens. Qual destino de tudo isso?<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade ressalta a amea\u00e7a ao meio ambiente, devido ao perigo da proximidade das pessoas aos dep\u00f3sitos de lix\u00f5es. Calcula-se que j\u00e1 foram gerados mais de 2,6 milh\u00f5es de toneladas de material pl\u00e1stico e 731 mil litros de compostos qu\u00edmicos nesses dois anos, com tend\u00eancia de aumento.<\/p>\n<p>De acordo com dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas, j\u00e1 se foram 140 milh\u00f5es de kits de testes de detec\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de mais de oito bilh\u00f5es de doses de vacinas. L\u00e1 se foram 1,5 milh\u00e3o de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, usados pelos profissionais da sa\u00fade, algo superior a 87 mil toneladas. Tudo isso est\u00e1 sendo despejado nas periferias das cidades e proximidades de mananciais h\u00eddricos, podendo causar mais doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Mais uma vez, dentro da minha mais profunda ang\u00fastia, indago aos deuses quando tudo isso vai se acabar, se nem a ci\u00eancia e os mais s\u00e1bios especialistas infectologistas sabem responder? A literatura continua a narrar sua saga; tenta interpretar seu caminho e origens; sua evolu\u00e7\u00e3o repentina; e os poetas cancioneiros a entoar na viola sobre seu enigm\u00e1tico poder de desafiar nossa v\u00e3 filosofia.<\/p>\n<p>Quando tudo isso vai se acabar? At\u00e9 quando vai nos atacar e nos deixar enjoados, cabe\u00e7a e intestino congestionados, c\u00e9rebro confuso, indisposto, moleza no corpo dolorido, pulm\u00f5es ofegantes, sem o ar que respiramos, sem paladar e olfato, sem falar na intuba\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es at\u00e9 a morte? Ele nunca se vai totalmente porque sempre nos deixa sequela para ser tratada.<\/p>\n<p>Quando tudo isso vai se acabar? A pergunta pode at\u00e9 ser t\u00edtulo de uma can\u00e7\u00e3o de lamento em forma de blues, um rock, um galope em busca do final da jornada, um samba, um fulk de Boby Dylan, um rep, um sertanejo triste ou at\u00e9 mesmo um arrocha sofr\u00eancia. N\u00e3o importa o ritmo ou a melodia. O que mais importa \u00e9 que ainda temos a arte que \u00e9 vida e nos faz mais vivos, com mais for\u00e7a para vencer essa peste, n\u00e3o com a nega\u00e7\u00e3o dela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dois anos escrevi um texto po\u00e9tico perguntando a esse bicho de olhos rasgados e coroa de espinhos \u201cQuem \u00e9 Este Coronavid?, que se transformou num v\u00eddeo, e dele, muitos outros geraram um curta-metragem. inscrito e classificado entre os ganhadores num edital da Prefeitura de Vit\u00f3ria da Conquista atrav\u00e9s da Lei Aldir Blanc. 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