{"id":6652,"date":"2022-02-10T00:23:38","date_gmt":"2022-02-10T03:23:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6652"},"modified":"2022-02-10T00:24:03","modified_gmt":"2022-02-10T03:24:03","slug":"ainda-nos-consideramos-civilizados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/02\/10\/ainda-nos-consideramos-civilizados\/","title":{"rendered":"AINDA NOS CONSIDERAMOS CIVILIZADOS"},"content":{"rendered":"<p>Uma est\u00e1 sempre superando a outra, numa cadeia de banaliza\u00e7\u00e3o que nos deixa envergonhados de sermos brasileiros. Estou falando das barbaridades praticadas pelos seres humanos que se acham civilizados porque t\u00eam um celular na m\u00e3o para manipular cegamente as mentiras nas redes sociais, de uma internet que tornou o planeta mais imbecil.<\/p>\n<p>N\u00e3o existem palavras mais duras e \u00e1speras para descrever o quadro de uns brutamontes com um porrete na m\u00e3o socando um congol\u00eas at\u00e9 \u00e0 morte numa praia do Rio de Janeiro. As imagens correram mundo para nos cravar a pecha de selvagens que se acentuou nos \u00faltimos tr\u00eas anos com um capit\u00e3o-presidente que destila \u00f3dio, xenofobia, homofobia, racismo e diz que quanto mais armas nas m\u00e3os, mais seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho nenhuma vergonha de afirmar que, diante de tanta barb\u00e1rie, tenho hoje vergonha de ser brasileiro. Esse, na verdade, n\u00e3o \u00e9 o meu pais do homem cordial descrito pelo pensador Buarque de Holanda, em \u201cRa\u00edzes\u201d. Cordial vem do latim cord, cora\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 sujeito a emo\u00e7\u00f5es sentimentais boas e ruins, mas atingimos o ponto cr\u00edtico da barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Essa barb\u00e1rie brasileira n\u00e3o est\u00e1 somente no bast\u00e3o daqueles indiv\u00edduos que despejaram toda sua raiva numa pessoa indefesa ca\u00edda no ch\u00e3o. \u00c9 como se eles estivessem descarregando todos problemas sociais e injusti\u00e7as de um pa\u00eds num \u00fanico ser que tamb\u00e9m \u00e9 v\u00edtima dessas mazelas. Aquela cena macabra representa uma carga de rancor e frustra\u00e7\u00e3o armazenados no \u00edntimo de cada um.<\/p>\n<p>Os algozes s\u00e3o tamb\u00e9m dignos de pena e v\u00edtimas de um sistema bruto que h\u00e1 s\u00e9culos impera neste pa\u00eds. N\u00e3o estou aqui fazendo o papel de advogado de defesa de uma barbaridade, mas apenas retratando a nossa realidade. A pr\u00f3pria indiferen\u00e7a j\u00e1 \u00e9 uma barbaridade.<\/p>\n<p>A indiferen\u00e7a dessa sociedade selvagem que diz que \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d, que ignora a morte de Marielle Franco, do homem negro que foi alvejado pelo sargento por aparentar ser um bandido, de tantos travestis e homossexuais espancados e mortos, \u00e9 tamb\u00e9m uma barbaridade.<\/p>\n<p>A indiferen\u00e7a quanto as falas preconceituosas e genocidas negacionistas que negligenciam a pandemia da Covid e ainda atrasa o processo de vacina\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m uma barbaridade e prova de que n\u00e3o somos nada civilizados.<\/p>\n<p>S\u00e3o b\u00e1rbaros os que acham que deixar de vacinar \u00e9 um ato de liberdade individual, uma simples quest\u00e3o de op\u00e7\u00e3o. S\u00e3o b\u00e1rbaros tamb\u00e9m aqueles que negam a ci\u00eancia e disseminam fake news. A falta de indigna\u00e7\u00e3o contra a barb\u00e1rie \u00e9 em si uma barbaridade. Estamos ainda muito longe de alcan\u00e7armos a t\u00e3o propalada civilidade. N\u00e3o \u00e9 a tecnologia que nos d\u00e1 isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma est\u00e1 sempre superando a outra, numa cadeia de banaliza\u00e7\u00e3o que nos deixa envergonhados de sermos brasileiros. Estou falando das barbaridades praticadas pelos seres humanos que se acham civilizados porque t\u00eam um celular na m\u00e3o para manipular cegamente as mentiras nas redes sociais, de uma internet que tornou o planeta mais imbecil. N\u00e3o existem palavras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6652"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6652"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6652\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}