{"id":6612,"date":"2022-01-26T00:55:28","date_gmt":"2022-01-26T03:55:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6612"},"modified":"2022-01-26T00:55:55","modified_gmt":"2022-01-26T03:55:55","slug":"a-destruicao-da-petrobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/01\/26\/a-destruicao-da-petrobras\/","title":{"rendered":"A DESTRUI\u00c7\u00c3O DA PETROBR\u00c1S"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista<\/p>\n<p>O ge\u00f3logo aposentado Aymar Santos, 84, anda sem destino certo pelas ruas de Botafogo, onde mora no Rio de Janeiro. Suas m\u00e3os rugosas seguram um punhado de pap\u00e9is (desenhos t\u00e9cnicos e mapeamento do subsolo do Rec\u00f4ncavo Baiano). \u00c0s poucas pessoas que lhe d\u00e3o aten\u00e7\u00e3o conta como foi seu per\u00edodo de trabalho insalubre nas turmas de prospec\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, nas d\u00e9cadas de 60 e 70. E conclui sua narrativa lamentando que a Petrobras, a qual dedicou parte de sua juventude, venha sendo arruinada pelos \u00faltimos governantes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Lendo recente coment\u00e1rio de meu amigo e colega Jeremias Mac\u00e1rio neste mesmo espa\u00e7o, decidi expressar minha solidariedade a Aymar (ex-colega no extinto Instituto Normal da Bahia), fazendo uma modesta explana\u00e7\u00e3o sobre os fatos que lhe deixam indignado, sentimento que \u00e9 compartilhado por an\u00f4nimos aposentados, que, no passado, se orgulhavam de serem chamados de petroleiros.<\/p>\n<p>Na cabe\u00e7a, capacete com o emblema e o nome da empresa; veste inteiri\u00e7a azul de tecido resistente, com manchas de \u00f3leo. Esses trabalhadores eram vistos com frequ\u00eancia nas ruas de Alagoinhas, Catu, Pojuca, Madre de Deus, e nas cidades do Rec\u00f4ncavo, onde os po\u00e7os de petr\u00f3leo estavam sendo abertos.<\/p>\n<p>Representavam um orgulho para as popula\u00e7\u00f5es e uma fonte de renda para os munic\u00edpios; seus altos sal\u00e1rios, deixados no com\u00e9rcio, contribu\u00edram para o desenvolvimento da economia da regi\u00e3o, onde h\u00e1 ainda ind\u00edcios em S\u00e3o Francisco do Conde, no Rec\u00f4ncavo, que mant\u00e9m o quarto maior PIB do estado, abaixo somente de Salvador, Cama\u00e7ari e Feira de Santana.<\/p>\n<p>RLAM e \u201cRuivinha\u201d<\/p>\n<p>A emocionante hist\u00f3ria do ouro negro no Brasil tem um cap\u00edtulo especial dedicado \u00e0 Refinaria Landulpho Alves de Almeida (RLAM), a primeira constru\u00edda no pa\u00eds, cuja produ\u00e7\u00e3o e refino do petr\u00f3leo come\u00e7aram em setembro de 1950. Aquela constru\u00e7\u00e3o erguida numa das margens do Rio Mataripe, em S\u00e3o Francisco do Conde, levou o brasileiro a acreditar que o seu pa\u00eds muito breve seria autossuficiente em petr\u00f3leo, cujos derivados estar\u00edamos exportando.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 um sonho. O segundo lar dos velhos petroleiros da \u00e1rea de refino foi vendido em julho do ano passado pelo governo Bolsonaro a um grupo \u00e1rabe, iniciando um programa de privatiza\u00e7\u00e3o de outras refinarias. Al\u00e9m do pre\u00e7o de venda (US$ 1,65 bi), abaixo do valor do mercado, segundo estudos t\u00e9cnicos, A Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros (FUP) identificou outras irregularidades, denunciadas \u00e0s esferas judiciais e ao TCU. A entidade classista prev\u00ea que as privatiza\u00e7\u00f5es v\u00e3o provocar novos aumentos de pre\u00e7os no g\u00e1s de cozinha, no \u00f3leo diesel e na gasolina.<\/p>\n<p>Em fevereiro do ano passado, na \u00e2nsia de trocar, a todo momento, o pessoal do primeiro escal\u00e3o do seu governo, Jair Bolsonaro contribuiu diretamente para a desvaloriza\u00e7\u00e3o da Petrobras em cerca de R$ 100 bilh\u00f5es,\u00a0\u00a0interferindo na estatal, inclusive mudando seu comando.<\/p>\n<p>Avaliada em R$ 382,9 bi \u2013 suas a\u00e7\u00f5es ca\u00edram 25% -, a empresa numa semana desabou para R$ 282 bi, prejudicando a Uni\u00e3o (acionista majorit\u00e1rio), derrubando a Bolsa de Valores, afugentando investidores, elevando o d\u00f3lar e a infla\u00e7\u00e3o. Primeira estatal em valor de mercado, a Vale do Rio Doce ampliou a dist\u00e2ncia que a separa da Petrobras.<\/p>\n<p>Nesse antipatri\u00f3tico processo de destrui\u00e7\u00e3o da Petrobras, Bolsonaro deu sequ\u00eancia ao \u201ctrabalho\u201d iniciado em 2014 pelos seus antecessores. Considerado como um dos maiores esquemas de corrup\u00e7\u00e3o do mundo, o Petrol\u00e3o envolveu os presidentes Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva e Dilma Rousseff, al\u00e9m de pol\u00edticos, empreiteiros, diretores da estatal e ministros.<\/p>\n<p>A arquitetura criminosa, demolida pela Pol\u00edcia Federal e investigada pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, causou na Petrobras um rombo de R$ 42 bilh\u00f5es \u2013 a recupera\u00e7\u00e3o do dinheiro roubado n\u00e3o chega a R$ 10 bi \u2013 funcionava da seguinte forma: a estatal, por meio de seus cinco diretores, entregava \u00e0s empreiteiras obras de grande porte, superfaturadas, como a constru\u00e7\u00e3o das refinarias de Recife (or\u00e7ada em US$ 2,3 bi, custou US$ 20,1 bi), Itaipava (RJ) e Araucaria (PR). Os beneficiados tinham a obriga\u00e7\u00e3o de alimentar os cofres dos partidos pol\u00edticos ligados ao governo.<\/p>\n<p>Ministra de Minas e Energia de Lula e presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s, Dilma foi convocada pelo TCU para explicar a compra da refinaria sucateada de Pasadena, nos EUA, apelidada de \u201cRuivinha\u201d, por causa da ferrugem em grande parte de suas instala\u00e7\u00f5es. A ex-presidente alegou que n\u00e3o teve acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, contr\u00e1rias \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o da unidade americana; e foi\u2019 inocentada. Pasadena foi comprada em 2006 por US$ 1,2 bi e vendida em 2019 por US$ 467 mi.<\/p>\n<p>Num pa\u00eds onde cadeia s\u00f3 existe para quem rouba para matar a fome, toda a quadrilha que se beneficiou do dinheiro p\u00fablico, com exce\u00e7\u00e3o de tr\u00eas ou quatro membros, est\u00e1 vivendo em im\u00f3veis de luxo, longe dos olhares curiosos, principalmente da imprensa. A maioria cumpre pris\u00e3o domiciliar, com ou sem tornozeleira eletr\u00f4nica, com dinheiro em contas no exterior; outros pagaram uma irris\u00f3ria indeniza\u00e7\u00e3o e est\u00e3o livres; outros trouxeram de volta o famigerado \u201cdedurismo\u201d da ditadura e, sem necessidade de tortura, \u201centregaram\u201d os companheiros, em troca da liberdade; outros contam os dias para prescri\u00e7\u00e3o dos processos. E assim vamos vivendo de amor&#8230;, como cantava a saudosa Elza Soares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista O ge\u00f3logo aposentado Aymar Santos, 84, anda sem destino certo pelas ruas de Botafogo, onde mora no Rio de Janeiro. 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