{"id":6589,"date":"2022-01-18T23:18:42","date_gmt":"2022-01-19T02:18:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6589"},"modified":"2022-01-18T23:19:11","modified_gmt":"2022-01-19T02:19:11","slug":"materias-que-excluem-os-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/01\/18\/materias-que-excluem-os-pobres\/","title":{"rendered":"MAT\u00c9RIAS QUE EXCLUEM OS POBRES"},"content":{"rendered":"<p>Com o aprofundamento das desigualdades sociais no Brasil e a consequente redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o das pessoas, a linguagem da m\u00eddia com determinadas mat\u00e9rias, sobretudo a televisiva, exclui cada vez as camadas mais pobres de baixo poder aquisitivo.<\/p>\n<p>Programas e reportagens noticiosas hoje oferecem \u201creceitas\u201d variadas para o bem-estar das pessoas, como prevenir das doen\u00e7as atrav\u00e9s de uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel; controlar suas finan\u00e7as com base num c\u00e1lculo econ\u00f4mico de suas d\u00edvidas m\u00eas a m\u00eas; n\u00e3o se automedicar quando sentir alguns problemas de sa\u00fade; e at\u00e9 usar constantemente o protetor solar contra o c\u00e2ncer de pele.<\/p>\n<p>Existe uma lista enorme de mat\u00e9rias na m\u00eddia onde recomenda\u00e7\u00f5es dessa natureza deixam naturalmente os mais pobres de fora. \u00c9 at\u00e9 uma afronta! \u00c9 uma linguagem com um conjunto de normas que s\u00f3 podem ser seguidas a partir da classe m\u00e9dia mais alta. A impress\u00e3o \u00e9 que estamos vivendo em uma na\u00e7\u00e3o desenvolvida.<\/p>\n<p>Quando se diz, n\u00e3o se automedique, procure seu m\u00e9dico, voc\u00ea est\u00e1 falando para quem? Para um p\u00fablico mais restrito, porque somente poucos t\u00eam um m\u00e9dico neste pa\u00eds. Se o pobre sofre um mal-estar, ele vai logo para uma farm\u00e1cia porque o paciente sabe que \u00e9 dif\u00edcil marcar uma consulta no SUS, e o atendimento leva meses. C\u00e1 com meus bot\u00f5es, fica complicado!<\/p>\n<p>O rep\u00f3rter vai para um supermercado ou uma feira e leva um nutricionista em meio \u00e0quelas imagens coloridas de produtos, frutas, hortali\u00e7as e carnes, de prefer\u00eancia brancas, para o profissional dar as dicas de como comer bem para ter uma vida mais longa. Como \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o daqueles que dependem de uma cesta b\u00e1sica para sobreviver? Imagine em sua mente.<\/p>\n<p>Na atual realidade do nosso Brasil, \u00e9 uma coisa surreal para milh\u00f5es de pobres e desempregados que passam fome. Como o indiv\u00edduo vai comprar frutas, tomate e hortali\u00e7as se ele nem tem dinheiro para o feij\u00e3o e o arroz? Ser\u00e1 que o nutricionista tem alguma receita para o pobre miser\u00e1vel ter uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel?<\/p>\n<p>O caso do protetor solar \u00e9 outro exemplo cl\u00e1ssico de reportagem jornal\u00edstica que s\u00f3 atinge a poucos. Como recomendar a um pobre que ele sempre use uma subst\u00e2ncia qu\u00edmica protetora dos raios solares? \u00c9 at\u00e9 uma insensatez mental. Como j\u00e1 existe o aux\u00edlio absorvente para as mulheres, poderia se criar tamb\u00e9m o do protetor solar.<\/p>\n<p>Sugeria \u00e0s reda\u00e7\u00f5es da imprensa em geral fazer uma pauta sobre essas quest\u00f5es e entrevistar especialistas em cada assunto espec\u00edfico, para ver se existe alguma solu\u00e7\u00e3o para o problema, ou perguntar dentro da pr\u00f3pria entrevista, como fica o pobre.<\/p>\n<p>Controle de finan\u00e7as s\u00f3 para quem tem hoje um sal\u00e1rio razo\u00e1vel e, mesmo assim, o cara se endivida por causa do seu padr\u00e3o de vida. Existe uma lista enorme de outras mat\u00e9rias nas \u00e1reas de sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o e lazer onde os pobres s\u00e3o fatalmente exclu\u00eddos. Por outro lado, a elite burguesa n\u00e3o aceita que os mais necessitados tenham acesso a esses bens. \u00c9 mais uma vergonha em nosso pa\u00eds capitalista selvagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o aprofundamento das desigualdades sociais no Brasil e a consequente redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o das pessoas, a linguagem da m\u00eddia com determinadas mat\u00e9rias, sobretudo a televisiva, exclui cada vez as camadas mais pobres de baixo poder aquisitivo. 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