{"id":6580,"date":"2022-01-14T22:42:42","date_gmt":"2022-01-15T01:42:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6580"},"modified":"2022-01-14T22:47:58","modified_gmt":"2022-01-15T01:47:58","slug":"uma-semana-polemica-de-ideias-futuristas-que-terminou-em-racha-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2022\/01\/14\/uma-semana-polemica-de-ideias-futuristas-que-terminou-em-racha-ii\/","title":{"rendered":"UMA SEMANA POL\u00caMICA DE IDEIAS FUTURISTAS QUE TERMINOU EM RACHA (II)"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00d3S N\u00c3O SAB\u00cdAMOS O QUE QUER\u00cdAMOS, MAS SAB\u00cdAMOS O QUE N\u00c3O QUER\u00cdAMOS\u201d \u2013 M\u00e1rio de Andrade a respeito da Semana de Arte Moderna de 1922. Existia um car\u00e1ter revolucion\u00e1rio na d\u00e9cada de 20, com uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais.<\/p>\n<p>A Semana pregava a tomada de consci\u00eancia da realidade brasileira \u2013 dizia Jos\u00e9 Nicola, em sua obra \u201cLiteratura Brasileira \u2013 das origens aos nossos dias\u201d. Na conjuntura geral, de acordo com M\u00e1rio de Andrade, S\u00e3o Paulo era a cidade mais moderna do Brasil e estava em contato espiritual e t\u00e9cnico com as mudan\u00e7as no mundo. Gra\u00e7a Aranha foi um dos idealizadores do evento.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3388.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6581\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3388.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3388.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3388-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O cen\u00e1rio nacional era comandado pelas oligarquias atrav\u00e9s do poder na \u201cpol\u00edtica do caf\u00e9 com leite\u201d somado ao surto de uma burguesia industrial com a I Guerra Mundial. Nesse bojo, veio a urbaniza\u00e7\u00e3o da cidade nos primeiros 20 anos do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Eram os bar\u00f5es do caf\u00e9 verso o operariado. Era um Brasil dividido entre o rural e o urbano de origem europeia, com voca\u00e7\u00e3o na luta de classe, tanto que entre 1901 a 1911, os anarquistas publicaram o jornal \u201cLa Battaglia\u201d. Circulou ainda \u201cA Terra Livre\u201d (1905-1910 e ocorreram greves em 1905 e 1917. Somente em 1918 os jornais passaram a noticiar a Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>Antes da Semana de 22, num estilo ainda decadente, Manuel Bandeira escreveu \u201cAs Cinzas das Horas\u201d. Mais ousado, veio em 1919, \u201cCarnaval\u201d e o poema \u201cOs Sapos\u201d, de s\u00e1tira, declamado durante o evento de S\u00e3o Paulo e bem recebido pelo p\u00fablico.<\/p>\n<p>Sobre Ribeira Couto em \u201cJardim de Confid\u00eancias\u201d, em 1921, o cr\u00edtico Alfredo Bosi destaca que seus versos se inseriam no penumbrismo. J\u00e1 Ronald de Carvalho, em \u201cLuz Gloriosa\u201d (1913) e \u201cPoemas e Sonetos\u201d (1919) e Guilherme de Almeida, com \u201cN\u00f3s\u201d (1917) \u201cA Dan\u00e7a das Horas\u201d (1919), \u201cLivro de Horas de Soror Dolorosa\u201d (1920) ficaram entre o parnasiano e o decadentismo, com subst\u00e2ncia l\u00edrica.<\/p>\n<p>Com influ\u00eancia mais moderna e face pol\u00edtica, Cassiano Ricardo escreveu \u201cDentro da Noite\u201d (1919) e \u201cEvangelho de P\u00e3\u201d (1917). Havia uma dispers\u00e3o, mas o grupo ficou mais coeso a partir de 1920 e 21, aderindo mais \u00e0 arte nova. Na turma dos futuristas, Bosi lista Di Cavalcanti, Vicente do Rego, o pr\u00f3prio Monteiro Lobato e Anita Malfatti que sofreram influ\u00eancia do italiano Marinetti (fascista).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3389.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6582\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3389.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3389.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3389-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os artigos de Menotti del Picchia, na coluna \u201cH\u00e9lios\u201d, no \u201cCorreio Paulistano\u201d, que deu muito espa\u00e7o para a Semana, faziam promo\u00e7\u00e3o do grupo vanguardista. Do outro lado, Oswald de Andrade e C\u00e2ndido Moto, no \u201cJornal do Com\u00e9rcio\u201d davam ao movimento uma dire\u00e7\u00e3o de liberdade formal com ideias nacionalistas, mas sem o ufanismo patri\u00f3tico. Oswaldo chegou a denominar o movimento de aglomera\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria futurista.<\/p>\n<p>No entanto, M\u00e1rio de Andrade e S\u00e9rgio Buarque de Holanda em seus coment\u00e1rios, negam esse futurismo paulista na esteira de Marinetti, mas admitem uma revis\u00e3o de valores, o que denota que n\u00e3o havia hegemonia dentro do grupo que nascia.<\/p>\n<p>Antes da Semana, M\u00e1rio de Andrade lan\u00e7a \u201cPaulic\u00e9ia Desvairada\u201d, seu primeiro livro de poesias onde mostra uma S\u00e3o Paulo misturada, miscigenada, estrangeirada, com a exist\u00eancia de diversas classes e ideias diferentes. Em seus artigos \u201cMestres do Passado\u201d (seis no total), ele entoa um canto funeral para os parnasianos, numa forma de sepultar o passado de Francisca J\u00falia, Raimundo Correia, Olavo Bilac, dentre outros.<\/p>\n<p>A esta altura, tudo se encaminhava para a realiza\u00e7\u00e3o da Semana da Arte Moderna, com mais uni\u00e3o entre os intelectuais de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. Tudo indicava que o modernismo poderia ser lan\u00e7ado. Sobre \u201cPaulic\u00e9ia Desvairada\u201d, Oswald considerou um marco, e chama M\u00e1rio de meu poeta futurista em artigo no \u201cJornal do Com\u00e9rcio\u201d, na edi\u00e7\u00e3o de 27 de maio de 1921.<\/p>\n<p>Em \u201cL\u00edngua, Literatura e Reda\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cLiteratura Brasileira \u2013 das origens aos nossos dias\u201d, o autor Jos\u00e9 de Nicola faz uma an\u00e1lise da \u00e9poca dos primeiros anos do s\u00e9culo XX, destacando que existia uma divis\u00e3o entre o meio rural e o urbano. O meio urbano era caracterizado pela luta de classe do operariado, com influ\u00eancia anarquista dos imigrantes vindos da Europa, principalmente da It\u00e1lia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3390.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6583\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3390.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3390.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/IMG_3390-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nesse aspecto, o cr\u00edtico liter\u00e1rio cita o jornal \u201cTerra Livre\u201d (1905 \u2013 1911) e a greve de 1917 sob forte influ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Tudo isso foi se somando para as mudan\u00e7as de ide\u00e1rio no meio intelectual. Em 1922 aconteceu tamb\u00e9m a funda\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Brasileiro, provocando um decl\u00ednio do anarquismo e abrindo caminho para a organiza\u00e7\u00e3o da Semana.<\/p>\n<p>Os elementos sociais e pol\u00edticos formaram um palco ideal em dire\u00e7\u00e3o a um movimento que mostrasse uma arte inovadora de maneira a romper com as velhas estruturas. Era uma S\u00e3o Paulo do caf\u00e9 e da ind\u00fastria conectada com o mundo. A Semana, ent\u00e3o, apresentou, segundo Nicola, o lado pol\u00edtico contra a aristocracia e a burguesia.<\/p>\n<p>Di Cavalcante, segundo a pesquisa de Nicola, foi um dos primeiros a sugerir a organiza\u00e7\u00e3o da mostra. Anos depois, em seu livro de mem\u00f3rias, afirmou ter sugerido a Semana, que seria de esc\u00e2ndalos liter\u00e1rios e art\u00edsticos, \u201cde meter os estribos na barriga da burguesinha paulistana\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cN\u00d3S N\u00c3O SAB\u00cdAMOS O QUE QUER\u00cdAMOS, MAS SAB\u00cdAMOS O QUE N\u00c3O QUER\u00cdAMOS\u201d \u2013 M\u00e1rio de Andrade a respeito da Semana de Arte Moderna de 1922. Existia um car\u00e1ter revolucion\u00e1rio na d\u00e9cada de 20, com uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais. 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