{"id":6399,"date":"2021-11-26T23:41:00","date_gmt":"2021-11-27T02:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6399"},"modified":"2021-11-26T23:41:51","modified_gmt":"2021-11-27T02:41:51","slug":"um-estrategista-que-lutou-para-unir-duas-populacoes-africanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/11\/26\/um-estrategista-que-lutou-para-unir-duas-populacoes-africanas\/","title":{"rendered":"UM ESTRATEGISTA QUE LUTOU PARA UNIR DUAS POPULA\u00c7\u00d5ES AFRICANAS"},"content":{"rendered":"<p>De forma\u00e7\u00e3o binacional, de Cabo Verde e Guin\u00e9-Bissau, Am\u00edlcar Cabral foi um estrategista de vis\u00e3o nacionalista que procurou driblar os esquemas de repress\u00e3o dos colonialistas portugueses, visando unir dois povos com etnicidades diferentes. Seu assassinato at\u00e9 hoje n\u00e3o ficou esclarecido, mas existe uma forte vers\u00e3o de ter sido a mando de autoridades de Portugal.<\/p>\n<p>Quem fala sobre ele no livro \u201cIntelectuais das \u00c1fricas\u201d \u00e9 o professor F\u00e1bio Baqueiro Figueiredo, doutor em Estudos \u00c9tnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia. Cabral, em sua descri\u00e7\u00e3o, nasceu em Bafat\u00e1, leste da Guin\u00e9-Bissau, em 1924, e era filho de dois cabo-verdianos, cuja na\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava integrada ao imp\u00e9rio, enquanto na Guin\u00e9, os portugueses lutavam para consolidar a domina\u00e7\u00e3o territorial.<\/p>\n<p>Cabral, de acordo com o professor, deveu sua forma\u00e7\u00e3o inicial \u00e0s estruturas escolares instaladas em Cabo Verde, para onde emigrou em 1932, junto com a fam\u00edlia. Em 1945, ap\u00f3s terminar o s\u00e9timo ano do liceu, obteve, por concurso, uma bolsa para o Instituto Superior de Agronomia em Lisboa. Dos 220 ingressantes, Am\u00edlcar era o \u00fanico negro da turma.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca da ditadura salazarista e depois da II Guerra Mundial, Cabral participou do Movimento de Unidade Democr\u00e1tica da Juventude e, na Casa dos Estudantes do Imp\u00e9rio, chegou a ser vice-presidente da unidade, ao lado de Ac\u00e1cio Cruz. Essa nova dire\u00e7\u00e3o refor\u00e7ou o papel da institui\u00e7\u00e3o como espa\u00e7o dinamizador de debates sobre a realidade colonial.<\/p>\n<p>A Casa rendeu um n\u00facleo importante de intelectuais de diversas correntes, inclusive marxista, mas houve uma separa\u00e7\u00e3o, por vontades pr\u00f3prias e imposi\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o estatal, a partir da d\u00e9cada de 1960. No entanto, eles continuaram se correspondendo e se agruparam no Movimento Anticolonial que se transformou em movimentos nacionalistas articulados por uma organiza\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria denominada de Frente Revolucion\u00e1ria Africana para a Independ\u00eancia Nacional.<\/p>\n<p>Essa Frente foi substitu\u00edda pela Confer\u00eancia das Organiza\u00e7\u00f5es Nacionalistas das Col\u00f4nias Portuguesas. Nesse tempo, Cabral publicava duras cr\u00edticas ao governo ditatorial portugu\u00eas e se recusava a negociar a independ\u00eancia de suas col\u00f4nias nos \u00f3rg\u00e3os de esquerda da imprensa internacional. Ele foi nomeado diretor Adjunto dos Servi\u00e7os Agr\u00edcolas e Florestais da Guin\u00e9.<\/p>\n<p>No interior, ele teve contatos com a realidade da maioria camponesa da popula\u00e7\u00e3o e com as diversas etnias balantas, fulas, manjacos, mandigas e outras que eram usadas pelos portugueses para se dividirem em torno da independ\u00eancia nacional. Foi a\u00ed que Cabral tamb\u00e9m usou da sua estrat\u00e9gia em torno de uma uni\u00e3o nacional, sempre se expressando em nossos povos e nossas popula\u00e7\u00f5es. Ele procurou unir as tribos em torno de um ideal nacionalista comum.<\/p>\n<p>Em 1960 viajou a Tunes para a II Confer\u00eancia Pan-Africana onde se uniu a antigos colegas de Lisboa, para abrir escrit\u00f3rios oficiais das organiza\u00e7\u00f5es nacionalistas nos pa\u00edses j\u00e1 independentes. O primeiro ponto de apoio foi em Conari, ex-col\u00f4nia francesa da Guin\u00e9. A essa altura, passou a ser o l\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o nacionalista.<\/p>\n<p>A luta armada, conduzida pelo Partido Africano para a Independ\u00eancia da Guin\u00e9 e Cabo Verde (PAIGC), desenvolveu-se, exclusivamente, no territ\u00f3rio da Guin\u00e9, e foi iniciada em 1963. Dez anos depois, o Partido j\u00e1 dominava maior parte do territ\u00f3rio guineense, declarando, unilateralmente, a independ\u00eancia, acelerando a queda da ditadura portuguesa. Entretanto, n\u00e3o viu esse dia, pois foi assassinado, em 20 de janeiro de 1973, em Conari, por guerrilheiros do seu pr\u00f3prio partido, em circunst\u00e2ncias nunca esclarecidas.<\/p>\n<p>As vers\u00f5es do seu assassinato apontavam para a pol\u00edcia secreta de Portugal e para o governador da Guin\u00e9, o general Ant\u00f4nio de Sp\u00ednola. Outros disseram que n\u00e3o passou de um acerto de contas entre guineenses e cabo-verdianos no seio do partido por pessoas que buscavam cargos em postos superiores. Existe tamb\u00e9m a vers\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o do presidente da Guin\u00e9-Conari, Ahmed Tour\u00e9, que tinha a inten\u00e7\u00e3o de anexar a Guin\u00e9 ao territ\u00f3rio do seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Diz o professor F\u00e1bio, que Cabral permaneceu sendo o l\u00edder intelectual do processo pol\u00edtico e militar guineense, e refer\u00eancia para o pensamento nacionalista africano. \u201cCabral deu uma contribui\u00e7\u00e3o te\u00f3rica original e, na maior parte das vezes, mais coerente e estruturada que outros intelectuais africanos diretamente envolvidos na pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De forma\u00e7\u00e3o binacional, de Cabo Verde e Guin\u00e9-Bissau, Am\u00edlcar Cabral foi um estrategista de vis\u00e3o nacionalista que procurou driblar os esquemas de repress\u00e3o dos colonialistas portugueses, visando unir dois povos com etnicidades diferentes. 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