{"id":6361,"date":"2021-11-18T23:25:18","date_gmt":"2021-11-19T02:25:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6361"},"modified":"2021-11-18T23:25:31","modified_gmt":"2021-11-19T02:25:31","slug":"entre-engacos-e-bagacos-vi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/11\/18\/entre-engacos-e-bagacos-vi\/","title":{"rendered":"ENTRE ENGA\u00c7OS E BAGA\u00c7OS (VI)"},"content":{"rendered":"<p>Pelo sert\u00e3o rachado me embreei em dire\u00e7\u00e3o a Palmeira dos \u00cdndios,<\/p>\n<p>Perto de Quebr\u00e2ngulo onde nasceu um menino calado um Aladim,<\/p>\n<p>At\u00e9 avistar a escultura do mestre das palavras, \u201csejam bem-vindos\u201d;<\/p>\n<p>Bateu emo\u00e7\u00e3o entrevistar o prefeito-escritor Graciliano Ramos,<\/p>\n<p>De \u201cS\u00e3o Bernardo\u201d, preso em \u201cC\u00e1rceres\u201d e viu as \u201cVidas Secas\u201d,<\/p>\n<p>Onde deixou dar uns pitacos no seu personagem andante Fabiano,<\/p>\n<p>E no enredo coloquei seu encontro com um bando de cigano;<\/p>\n<p>Ainda me convidou para em sua ceia comer cuscuz com aipim;<\/p>\n<p>Mostrar o mapa da sequid\u00e3o da peste bem ao lado da sua Baleia;<\/p>\n<p>Contar suas hist\u00f3rias nordestinas de gente esquel\u00e9tica crucificada,<\/p>\n<p>Tangida como boiada pela estrada pau-de-arara na rota escravista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do comunista ateu, bom e justo que dessa gente se compadeceu,<\/p>\n<p>Detido por Get\u00falio porque tentou socializar nas escolas o ensino;<\/p>\n<p>Anotei tudo como jornalista em meus anais na terra dos marechais;<\/p>\n<p>Dei um n\u00f3 na alparcata e toquei para a capital Macei\u00f3 da Paju\u00e7ara,<\/p>\n<p>Onde visitei o velho Teodoro da Fonseca, da Rep\u00fablica dantesca,<\/p>\n<p>E mostrou sua espada que proclamou a coisa p\u00fablica ser privada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De Alagoas, fui de barco e Jeep pra abra\u00e7ar meu Sergipe,<\/p>\n<p>E ver a foz do irm\u00e3o S\u00e3o Francisco reduzido a um cisco,<\/p>\n<p>Engolido pelo voraz mar, empurrando sal que s\u00f3 faz secar;<\/p>\n<p>Visitei ribeirinhos desolados com seus feixes de redes vazias,<\/p>\n<p>Porque os peixes sumiram do rio nessa vastid\u00e3o de areias,<\/p>\n<p>E pelo agreste triste viajei pelas veias do litoral at\u00e9 Aracaju,<\/p>\n<p>Pra conversar com o intelectual escritor Tobias Barreto,<\/p>\n<p>Com Calazans Neto comi caranguejos na praia de Atalaia,<\/p>\n<p>Onde tomei mais umas pingas com uma moqueca de arraia,<\/p>\n<p>Para pegar estrada at\u00e9 a hist\u00f3rica cidade de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o,<\/p>\n<p>Que foi pedida para entrar de vez na minha querida Bahia,<\/p>\n<p>E beber no cantil de Castro Alves, o maior poeta do Brasil,<\/p>\n<p>Condoreiro das espumas que escreveu o \u201cNavio Negreiros\u201d;<\/p>\n<p>Curti com ele a boemia, com mulheres do mal do s\u00e9culo;<\/p>\n<p>Aprendi ser rom\u00e2ntico realista falando de deuses e escravos,<\/p>\n<p>E vi Castro declamar pra tribos ao lado de reis e guerreiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos enga\u00e7os baga\u00e7os galhos de a\u00e7o entrei na m\u00edstica Salvador,<\/p>\n<p>A \u00c1frica brasileira que deu bravos her\u00f3is para libertar o Brasil<\/p>\n<p>Do jugo portugu\u00eas que dessas plagas toda riqueza nos roubou.<\/p>\n<p>Com Ruy Barbosa, o \u00c1guia de Haia das palavras, o maior doutor,<\/p>\n<p>Estive e me disse que de ver o homem prevaricar, viria o tempo,<\/p>\n<p>Com seu vento da desonestidade zunindo virar uma brisa normal;<\/p>\n<p>Do mal ser um bem num pa\u00eds sem dec\u00eancia, vergonhoso e imoral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo sert\u00e3o rachado me embreei em dire\u00e7\u00e3o a Palmeira dos \u00cdndios, Perto de Quebr\u00e2ngulo onde nasceu um menino calado um Aladim, At\u00e9 avistar a escultura do mestre das palavras, \u201csejam bem-vindos\u201d; 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