{"id":6356,"date":"2021-11-16T23:31:05","date_gmt":"2021-11-17T02:31:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6356"},"modified":"2021-11-16T23:31:21","modified_gmt":"2021-11-17T02:31:21","slug":"o-repente-e-patrimonio-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/11\/16\/o-repente-e-patrimonio-nacional\/","title":{"rendered":"O REPENTE \u00c9 PATRIM\u00d4NIO NACIONAL"},"content":{"rendered":"<p>Quando era menino e frequentava as feiras em Piritiba e suas redondezas com meu pai, ficava encantado com os repentistas com suas violas e pandeiros nordestinos trocando versos num embate para ver quem se saia melhor em suas est\u00f3rias e hist\u00f3rias, envolvendo personagens importantes, o cotidiano da vida, a seca, os retirantes, os causos de coron\u00e9is, os compadres e as comadres e at\u00e9 de pessoas ali presentes.<\/p>\n<p><strong>\u00a0 <\/strong>Nem entendia aquela arte milenar cultural e popular da oralidade, t\u00edpica do Nordeste, vinda da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica (Portugal e Espanha), mas vibrava mesmo era com as improvisa\u00e7\u00f5es e as rimas trocadas que fechavam os versos. Era uma admira\u00e7\u00e3o de menino que continua at\u00e9 os dias atuais da minha vida. Pena que pouco estudada pelos acad\u00eamicos da cultura erudita, s\u00f3 que o repente tamb\u00e9m \u00e9 erudito.<\/p>\n<p>S\u00f3 depois de s\u00e9culos de hist\u00f3ria, principalmente pelo ch\u00e3o \u00e1rido nordestino, o Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) reconheceu, na semana passada, o repente como patrim\u00f4nio cultural do Brasil. O repente \u00e9 reconhecido tamb\u00e9m como cantoria e tem como fundamento versos, rimas e ora\u00e7\u00e3o. Os cantadores se espelham pelas cidades do interior do nosso Nordeste e ainda em regi\u00f5es onde receberam migra\u00e7\u00f5es nordestinas.<\/p>\n<p>A vota\u00e7\u00e3o foi feita pelos 22 membros do Conselho Consultivo do Patrim\u00f4nio Cultural, \u00f3rg\u00e3o do Iphan. O pedido foi feito pela Associa\u00e7\u00e3o dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito Federal e Entorno. Pelo menos alguma coisa boa acontece nesse governo destruidor da nossa cultura e que procura impor aos nossos jovens uma ideologia do atraso, do retrocesso, do negacionismo e do preconceito.<\/p>\n<p>No repente, a rima \u00e9 a marca da espontaneidade po\u00e9tica do artista que faz uma esp\u00e9cie de rep\u00f3rter do sert\u00e3o e historiador do cotidiano. Os repentistas empolgam e atraem an\u00f4nimos que passam para apreciar as emboladas, um estilo que n\u00e3o deixa de ser repente, irm\u00e3 do cordel. Eles s\u00e3o, acima de tudo, irreverentes e criativos, resultando em relatos carregados de figuras de humor.<\/p>\n<p>Essa cultura vem dos poetas dos tempos gregos de Homero e Hes\u00edodo, falando das intrigas dos deuses, dos her\u00f3is e mortais. Essa cultura da oralidade foi passando de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o at\u00e9 a Europa antiga e chegando depois ao nosso Nordeste.<\/p>\n<p>A Bahia desponta como um celeiro de repentistas (Al\u00f4 Bule-Bule), grandes duelistas com suas violas, aboios e emboladas. Contam os historiadores que o ber\u00e7o do repente veio de l\u00e1 da Serra do Teixeira, seguindo pelo Vale do Paje\u00fa pernambucano at\u00e9 alcan\u00e7ar o Serid\u00f3, em terras potiguares. S\u00e3o mais de 50 modalidades, com acentua\u00e7\u00e3o t\u00f4nica obrigat\u00f3ria, espalhadas por todos estados nordestinos, com suas belezas de prosas po\u00e9ticas que engrandecem ainda mais a nossa rica cultura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando era menino e frequentava as feiras em Piritiba e suas redondezas com meu pai, ficava encantado com os repentistas com suas violas e pandeiros nordestinos trocando versos num embate para ver quem se saia melhor em suas est\u00f3rias e hist\u00f3rias, envolvendo personagens importantes, o cotidiano da vida, a seca, os retirantes, os causos de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6356"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6356"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6356\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6357,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6356\/revisions\/6357"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}