{"id":6351,"date":"2021-11-12T23:55:44","date_gmt":"2021-11-13T02:55:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6351"},"modified":"2021-11-12T23:55:53","modified_gmt":"2021-11-13T02:55:53","slug":"uma-intelectual-nigeriana-feminista-contadora-de-boas-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/11\/12\/uma-intelectual-nigeriana-feminista-contadora-de-boas-historias\/","title":{"rendered":"UMA INTELECTUAL NIGERIANA FEMINISTA CONTADORA DE BOAS HIST\u00d3RIAS"},"content":{"rendered":"<p>A nigeriana contadora de hist\u00f3rias, radicada nos Estados Unidos, Chimamanda Adichie, est\u00e1 no livro \u201cIntelectuais das \u00c1fricas\u201d no cap\u00edtulo escrito pela professora Izabel de F\u00e1tima Brand\u00e3o, titular da Universidade Federal de Alagoas, que analisa a literatura de autoria feminista.<\/p>\n<p>De acordo com Izabel, sua obra j\u00e1 foi traduzida para mais de trinta l\u00ednguas, incluindo a portuguesa. No Brasil foram traduzidos seus romances Purple Hibiscus e Americanah. Adichie publicou ainda Half of a Yellow Sun, The Thing Around Your Neck entre outros, al\u00e9m de uma pe\u00e7a teatral.<\/p>\n<p>A professora ressalta que seu pensamento feminista choca e atrai seu p\u00fablico leitor, com seu senso de humor e tamb\u00e9m pela forte identidade com suas origens africanas nigerianas, embora j\u00e1 esteja nos Estados Unidos desde 1996. Adichie fez mestrado em literatura africana na Universidade de Yale.<\/p>\n<p>Com seus her\u00f3is e hero\u00ednas brancas, posi\u00e7\u00e3o que a professora confessa que ainda lhe deixou atordoada, a nigeriana fala, entre outros assuntos, da relev\u00e2ncia do cabelo para as mulheres negras. Na sua vis\u00e3o, trata-se de um tema de natureza pol\u00edtica, conforme disse certa vez numa entrevista.<\/p>\n<p>Adichie conta, segundo a professora Izabel, que quando se mudou para os Estados Unidos, sua colega de quarto, na Universidade da Filad\u00e9lfia, n\u00e3o conhecia nada sobre a \u00c1frica, e o sentimento dela sobre a jovem nigeriana foi de \u201cpena condescendente\u201d, porque tudo o que se sabe sobre a \u00c1frica \u00e9 que l\u00e1 existe muita gente pobre.<\/p>\n<p>Perguntada numa entrevista sobre a quest\u00e3o da mutila\u00e7\u00e3o genital das mulheres em certas etnias, e se elas t\u00eam como recusar (a sua \u00e9 da Ibo e n\u00e3o tem esse procedimento), Adichie respondeu que a cultura muda; sua preserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica a exclus\u00e3o das mulheres. \u201cEssa consci\u00eancia sobre a possibilidade de mudan\u00e7a cultural indica o seu engajamento pol\u00edtico\u201d- destaca a professora.<\/p>\n<p>A escritora nigeriana se define como uma contadora de hist\u00f3rias, que ouve, absorve e reconta, \u00e0 sua maneira. Diz ser acima de tudo, uma grande observadora. \u201cComo sou escritora, sempre me senti a um passo atr\u00e1s de tudo, observando\u201d.<\/p>\n<p>Em um de seus romances (Half of a Yellow) ela fala das g\u00eameas Olanna e Kainene, filhas da elite Ibo, onde trata dos tr\u00eas anos da Guerra do Biafra, na d\u00e9cada de 60; dos massacres e viol\u00eancias cometidos, envolvendo for\u00e7as mu\u00e7ulmanas do norte em conflito com os crist\u00e3o ibos do sul.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o religiosa \u00e9 outro tema abordado pela escritora. No conto \u201cA Historiadora Impetuosa\u201d, ela escreve sobre choques e rupturas entre as tradi\u00e7\u00f5es seculares do pa\u00eds e as imposi\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica fomentada pelos mission\u00e1rios estrangeiros aos filhos de fam\u00edlias nigerianas.<\/p>\n<p>Por meio da sua literatura, ela defende que se respeite a cultura de seu povo, sem julg\u00e1-la primitiva ou inferior. Seu \u00fanico livro de contos (The Thing Around Your Neck \u2013 2009) aborda o universo de mulheres africanas. Uma tem\u00e1tica recorrente em sua obra \u00e9 a opress\u00e3o localizada em v\u00e1rias frentes, como na fam\u00edlia, na profiss\u00e3o, na religi\u00e3o, ra\u00e7a, etnia e na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias deste livro tratam de homens e mulheres, jovens e adultos, novos e velhos, em situa\u00e7\u00f5es as mais diversas, mas que, fundamentalmente, abordam quest\u00f5es culturais e identit\u00e1rias localizadas n\u00e3o apenas no contexto do ambiente africano, mas tamb\u00e9m relacionadas \u00e0 di\u00e1spora africana, especialmente da Nig\u00e9ria para os Estados Unidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nigeriana contadora de hist\u00f3rias, radicada nos Estados Unidos, Chimamanda Adichie, est\u00e1 no livro \u201cIntelectuais das \u00c1fricas\u201d no cap\u00edtulo escrito pela professora Izabel de F\u00e1tima Brand\u00e3o, titular da Universidade Federal de Alagoas, que analisa a literatura de autoria feminista. 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