{"id":6323,"date":"2021-11-10T22:36:59","date_gmt":"2021-11-11T01:36:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6323"},"modified":"2021-11-10T22:37:23","modified_gmt":"2021-11-11T01:37:23","slug":"de-vila-imperial-da-victoria-ao-maior-polo-de-desenvolvimento-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/11\/10\/de-vila-imperial-da-victoria-ao-maior-polo-de-desenvolvimento-final\/","title":{"rendered":"DE VILA IMPERIAL DA VICT\u00d3RIA AO MAIOR POLO DE DESENVOLVIMENTO (Final)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM17.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6324\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM17.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"314\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM17.jpg 500w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM17-300x188.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>CONQUISTADOR E DIZIMADOR<\/p>\n<p>Portugu\u00eas da cidade de Chaves, Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Costa iniciou sua lida como bandeirante muito cedo, tendo logo conquistado matas baianas. Em 1744 integra-se ao grupo de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es, como capit\u00e3o-mor que partiu do norte de Minas Gerais (Minas Novas). Logo o capit\u00e3o se destacou pelos seus feitos de conquistador e dizimador de tribos ind\u00edgenas. Na busca pelo ouro esgotado em Minas e Rio das Contas, se embrenhou pelo sert\u00e3o e terminou se fixando na regi\u00e3o de Conquista em fins do s\u00e9culo XVIII, se tornando grande propriet\u00e1rio de terras e gado.<\/p>\n<p>Por ter expulsado os \u00edndios \u00e0s margens dos rios Pardo, das Contas, dos Ilh\u00e9us, principalmente os valentes Imbor\u00e9s, ou Botocudos, se tornou num dos principais desbravadores. Mas, n\u00e3o foi s\u00f3 isso, Jo\u00e3o Gon\u00e7alves abriu estradas, ligando Conquista ao litoral e tirando o sert\u00e3o do isolamento.<\/p>\n<p>POVOADO IND\u00cdGENA<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM19.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6325\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM19.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM19.jpg 500w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM19-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo XVIII (1782), o desembargador de Ilh\u00e9us, Francisco Nunes da Costa determinou que Jo\u00e3o Gon\u00e7alves fundasse um povoado ind\u00edgena no lugar chamado Funil, visando afastar os \u00edndios Patax\u00f3s ao sul da Capitania de Camamu, Mara\u00fa e Cair\u00fa, para facilitar a abertura das estradas que se tornaram passagem do gado que sa\u00eda do \u201cSert\u00e3o da Ressaca\u201d.<\/p>\n<p>Numa outra carta \u00e0s autoridades da capitania, o desembargador mostrava a import\u00e2ncia da expedi\u00e7\u00e3o, discriminando o armamento entregue ao capit\u00e3o-mor para explorar as cabeceiras do Rio das Contas. Durante dois meses de viagem, como conta em seus registros, o capit\u00e3o percorreu matas e encontrou as aldeias dos mangoi\u00f3s que assustavam moradores de Ilh\u00e9us e Porto Seguro. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves sofreu uma doen\u00e7a grave e narrou a fuga dos \u00edndios e dos soldados da expedi\u00e7\u00e3o. Dos 74, restaram apenas 34 soldados.<\/p>\n<p>Nessa viagem, ele se deparou com cinco aldeias (cerca de duas mil almas) com as quais, depois de parlamentar com o chefe Capivara, conseguiu que aceitasse um tratado de paz, e ainda se comprometeu a ajudar as tribos contra os Imbor\u00e9s.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM21.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6326\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM21.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM21.jpg 500w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM21-300x215.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O nome de Jo\u00e3o Gon\u00e7alves \u00e9 citado em outras correspond\u00eancias enviadas pelo Intendente Geral do Ouro, Jo\u00e3o Ferreira Bittencourt ao Governo da Bahia, n\u00e3o poupando elogios pela sua bravura. Para o Intendente, o capit\u00e3o era homem indicado para o processo de coloniza\u00e7\u00e3o da metr\u00f3pole; para abrir a estrada Rio das Contas-Camamu; e povoar o \u201cSert\u00e3o da Ressaca\u201d, tudo feito com a devasta\u00e7\u00e3o das aldeias ind\u00edgenas em final do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>Seu nome varou fronteiras e era sin\u00f4nimo de valentia, aud\u00e1cia e fidelidade \u00e0 Monarquia. \u201cN\u00e3o produz um s\u00e9culo um homem do g\u00eanio deste capit\u00e3o-mor\u201d &#8211; assim escreveu o conde da Ponte em 1807. Apesar do seu ingresso no sert\u00e3o com a miss\u00e3o de encontrar ouro, o capit\u00e3o n\u00e3o \u00e9 lembrado nos documentos como descobridor de minas aur\u00edferas.<\/p>\n<p>Seu m\u00e9rito foi ter desbravado o sert\u00e3o com a abertura de estradas; descoberto rios; dizimado \u00edndios; e ter feito a liga\u00e7\u00e3o litoral-interior. Os \u00edndios tinham tanto medo da sua viol\u00eancia que pediram, em 1790, ao governador Fernando Jos\u00e9 de Portugal, que eles n\u00e3o ficassem subordinados ao capit\u00e3o-mor.<\/p>\n<p>O pr\u00edncipe Maximiliano de Wied-Newied esteve no Brasil, em 1815, e no arraial da Conquista, em 1817. Na ocasi\u00e3o, conheceu o capit\u00e3o com 86 anos e ficou impressionado com sua resist\u00eancia. Provavelmente deve ter morrido com 88 anos, mas n\u00e3o se tem certeza.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM20.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6327\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM20.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM20.jpg 500w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM20-300x215.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>INTEGRAVA O TER\u00c7O DE HENRIQUE DIAS<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, conforme historiadores, a seguran\u00e7a da Col\u00f4nia era feita pela Tropa de Linha (portugueses, comerciantes, propriet\u00e1rios, etc), Tropas Auxiliares chamadas de Ter\u00e7os (depois regimentos), Mil\u00edcias e Corpos de Ordenan\u00e7as (for\u00e7a local) onde os moradores faziam parte. Todas as vilas tinham um capit\u00e3o-mor ou sargento-mor. As mil\u00edcias estavam organizadas sob a forma de regimentos e funcionavam como for\u00e7a auxiliar da tropa de primeira linha. Os regimentos eram formados conforme a cor e a ocupa\u00e7\u00e3o dos recrutados.<\/p>\n<p>De acordo com Caio Prado J\u00fanior, na Bahia, existiam quatro regimentos. O primeiro e o segundo eram constitu\u00eddos por homens brancos. O terceiro e o quarto por homens de cor. Os pretos forros (libertos) pertenciam ao terceiro, conhecido por \u201cHenrique Dias\u201d. Os pardos e mulatos integravam o quarto.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM25.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6328\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM25.jpg\" alt=\"\" width=\"470\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM25.jpg 470w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM25-300x221.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Pouco se fala sobre os \u201cTer\u00e7os de Henrique Dias\u201d s\u00f3 que eram formados por negros libertos, e a denomina\u00e7\u00e3o era em sua homenagem por ter se destacado como comandante de umas das corpora\u00e7\u00f5es que lutaram contra os holandeses em Pernambuco (chegou a perder uma das m\u00e3os na luta). Foi condecorado em 1639 com o t\u00edtulo de Governador das Companhias dos Homens Negros e Mulatos. \u201cOs Ter\u00e7os\u201d foram extintos, em 1831, com a cria\u00e7\u00e3o da Guarda Nacional.<\/p>\n<p>O capit\u00e3o Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Costa integrava o \u201cTer\u00e7o de Henrique Dias\u201d, patente dada pela sua Majestade, com a incumb\u00eancia de servir na conquista e descobrimento do mestre-de-campo Jo\u00e3o da Silva Guimar\u00e3es. Ocupou um dos cargos mais cobi\u00e7ados dentro da hierarquia militar e gozava de toda confian\u00e7a do governo portugu\u00eas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe se por puro preconceito, nos livros em geral de hist\u00f3ria e em apresenta\u00e7\u00f5es de palestras no meio intelectual, mesmo em conversas em geral, Jo\u00e3o Gon\u00e7alves raramente \u00e9 citado como negro pertencente ao \u201cTer\u00e7o de Henrique Dias\u201d, conforme est\u00e1 registrado em sua carta de patente.<\/p>\n<p>A DESCEND\u00caNCIA E O PODER DOS GON\u00c7ALVES<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM26.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6329\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM26.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM26.jpg 480w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM26-300x221.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio de gado foram fatores fundamentais para o povoamento e desenvolvimento do \u201cSert\u00e3o da Ressaca\u201d. A pecu\u00e1ria, ent\u00e3o, foi primordial para a ocupa\u00e7\u00e3o da terra. Depois das frustradas buscas pelo ouro, o capit\u00e3o decidiu se fixar no Sert\u00e3o, dedicando-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de bovinos. No seu invent\u00e1rio dos bens do casal, quando da morte da mulher, o capit\u00e3o declarou, entre outros bens, 700 cabe\u00e7as de gado e 39 escravos, sem contar o plantio de algod\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre final do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, a Imperial Vila da Victoria era t\u00e3o importante como qualquer vila do litoral. Al\u00e9m do algod\u00e3o, era passagem das boiadas vindas do S\u00e3o Francisco para Nazar\u00e9-Cachoeira.<\/p>\n<p>Na condi\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio do \u201cSert\u00e3o da Ressaca\u201d, o capit\u00e3o deixou muitos herdeiros dos seus bens materiais e pol\u00edticos na condu\u00e7\u00e3o dos destinos da Vila da Vit\u00f3ria. Seu filho Ant\u00f4nio Dias de Miranda e o marido de sua neta, Luiz Fernandes de Oliveira ocuparam o cargo de Juiz de Paz do Arraial. Ant\u00f4nio Miranda e seu irm\u00e3o Raymundo Gon\u00e7alves da Costa (filho natural) lutaram ao lado do pai no combate aos \u00edndios e na explora\u00e7\u00e3o do rio Pardo. Raymundo, inclusive, era tido como o terror dos \u00edndios pela sua bravura.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0 O capit\u00e3o, na \u00e9poca, com mais de 20 anos, casou-se com Josefa Gon\u00e7alves da Costa, ainda menina de 9 anos, nascida em 1739, filha de Jo\u00e3o Mathias da Costa, portugu\u00eas de Montalegre. Seu sogro, conforme declara\u00e7\u00e3o em seu testamento, morava no s\u00edtio Caetit\u00e9, da Vila Nova de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio das Contas, e possu\u00eda uma sesmaria de tr\u00eas l\u00e9guas doada pelo Governo de Portugal, em 1732. Na morte de sua mulher Clara, em 1741, declarou ter 11 herdeiros, entre eles sua filha Josefa.<\/p>\n<p>Com sua morte, por volta de 1758, Mathias deixou uma grande riqueza (mais de mil cabe\u00e7as de gado \u2013 fazendas, engenhos, escravos e grande n\u00famero de devedores, inclusive Jo\u00e3o da Silva Guimar\u00e3es).<\/p>\n<p>Ao casar-se, o capit\u00e3o recebeu um dote como era de costume. Depois foi intimado pelo juiz a comparecer e declarar seu dote, s\u00f3 que o capit\u00e3o n\u00e3o atendeu ao chamado e fez um documento se abstendo da heran\u00e7a que cabia \u00e0 sua mulher. Mesmo assim, a recusa n\u00e3o impediu que sua esposa ficasse com as fazendas Conquista e Catul\u00e9s.<\/p>\n<p>Mathias colocou em seu testamento que os filhos que n\u00e3o casassem com mulher ou homem de cor branca, ficariam fora do esp\u00f3lio. Da\u00ed historiadores conclu\u00edrem que o capit\u00e3o teve desentendimentos com o sogro, talvez ressentido pelo seu preconceito.<\/p>\n<p>Do casamento com Josefa, o capit\u00e3o teve oito filhos. Jo\u00e3o Dias de Miranda, Ant\u00f4nio Dias de Miranda, Louren\u00e7a, Joana, Jos\u00e9, Faustina, Manoel e Maria. Al\u00e9m desses, teve o filho natural Raymundo Gon\u00e7alves da Costa. Todos se fixaram na regi\u00e3o como donos de vastas extens\u00f5es de terras, tanto que ao longo do s\u00e9culo XIX a fam\u00edlia era considerada como a mais abastada do \u201cSert\u00e3o da Ressaca\u201d. Com o passar do tempo, e com as divis\u00f5es das heran\u00e7as, toda fortuna foi se fragmentando e desaparecendo.<\/p>\n<p>A matriarca faleceu, em 1799, deixando muitos bens para o vi\u00favo, como as fazendas Conquista, Catul\u00e9s e Ribeir\u00e3o. Esta \u00faltima com mais de 10 l\u00e9guas de cumprimento. Em vida, Jo\u00e3o Gon\u00e7alves fez muitas doa\u00e7\u00f5es e chegou a construir a capela da Imperial Vila. Nos seus \u00faltimos anos, foi morar na fazenda Cachoeira, conforme cita o pr\u00edncipe Maximiliano quando o visitou, em 1817.<\/p>\n<p>Dos seus filhos, Ant\u00f4nio Dias chegou a ser capit\u00e3o-mor e foi o que teve maior inser\u00e7\u00e3o na vida dos moradores da regi\u00e3o. Residia na fazenda Urubu, em Po\u00e7\u00f5es, e foi assassinado em 1831. No entanto, Faustina superou todos os irm\u00e3os em termos de riqueza. Ela casou-se com o portugu\u00eas Manoel de Oliveira Freitas. Em sua vida, o que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o foi seu apego ao genro Luiz Fernandes de Oliveira a quem entregou seus neg\u00f3cios. Ele casou-se com Thereza de Oliveira Freitas e teve 12 filhos. Quando morreu, Luiz Fernandes deixou oito fazendas, conforme atestou seu filho Paulino Fernandes de Oliveira.<\/p>\n<p>Posse de escravos, quantidade de gado, produ\u00e7\u00e3o de lavouras e fazendas marcavam o n\u00edvel de riqueza, import\u00e2ncia e poder das pessoas. Os limites das propriedades eram imprecisos e os recursos naturais serviam para demarcar os limites das terras. Entre os propriet\u00e1rios, figurava Nossa Senhora das Vit\u00f3rias atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es do capit\u00e3o que no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX j\u00e1 era chamado de coronel.<\/p>\n<p>OS DOCUMENTOS DA CONQUISTA<\/p>\n<p>Sobre a ocupa\u00e7\u00e3o do \u201cSert\u00e3o da Ressaca\u201d, o historiador Ruy Medeiros escreveu, em 2009, sobre o tema, tomando como base os documentos da Torre do Tombo (Arquivo Nacional), do Arquivo Hist\u00f3rico Ultramarino (ambos em Lisboa) e do Arquivo da Propaganda Fide, em Roma.<\/p>\n<p>Da Torre do Tombo, Medeiros cita a carta de Pedro Barbosa Leal onde prop\u00f5e a conquista de toda faixa de terra entre os rios Pardo e das Contas, nos \u201ccampos que abeiram as matas que se avizinham do mar\u201d, e as terras entre os rios Doce e Jequitinhonha. Outro documento refere-se ao \u201cRegimento\u201d onde Pedro Leolino Mariz conferiu a Andr\u00e9 da Rocha Pinto, nomeando-o cabo maior da conquista das terras ocupadas do gentio bravo, desde Rio das Contas at\u00e9 o rio S\u00e3o Matheus.<\/p>\n<p>Declara Medeiros, que o documento de Pedro Barbosa \u00e9 muito importante porque dele pode-se extrair o grau de conhecimento que os portugueses possu\u00edam da vasta regi\u00e3o entre os rios Pardo e das Contas, por volta de 1720. A partir disso, fica claro que Pedro Barbosa queria ocupar o Planalto de Conquista.<\/p>\n<p>Sua estrat\u00e9gia era desencadear uma opera\u00e7\u00e3o de guerra com aprisionamento de \u00edndios como escravos, estabelecendo um arraial no Morro de S\u00e3o Paulo, meio caminho entre Salvador e Rio das Contas. A motiva\u00e7\u00e3o para a invas\u00e3o do sert\u00e3o era tamb\u00e9m a procura de ouro e os estabelecimentos de arraiais.<\/p>\n<p>O documento da Torre do Tombo \u201cRegimento\u201d que Pedro Leolino passou a Andr\u00e9 da Rocha, tem car\u00e1ter estrat\u00e9gico-militar, conforme assinala Ruy Medeiros. Foi organizada uma Bandeira para ocupar as terras, incluindo o Planalto da Conquista. Os objetivos eram encontrar minas de metais preciosos, estabelecer fazendas de gado e travar guerra com os \u00edndios.<\/p>\n<p>Outros documentos da ocupa\u00e7\u00e3o se encontram no Arquivo Hist\u00f3rico Ultramarino. Um \u00e9 o of\u00edcio de Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Costa ao Ouvidor de Porto Seguro, dando conta das conquistas feitas no \u201cSert\u00e3o da Ressaca\u201d, em 1783. Outro \u00e9 a Mem\u00f3ria Sum\u00e1ria e Compendiosa da Conquista do Rio Pardo, de 1806. Pelo primeiro documento, o capit\u00e3o j\u00e1 andava pela encosta do Planalto (Jequi\u00e9 e Ipia\u00fa), regi\u00e3o Pastoril de Itapetinga, mencionando lutas conta os \u00edndios Mongoi\u00f3s e Imbor\u00e9s. O segundo cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es sobre os \u00edndios e a luta sobre a conquista, especialmente a ocorrida na proximidade de Couro D`Anta.<\/p>\n<p>Quanto ao rico acervo do Arquivo da Propaganda Fide, da Ordem dos Capuchinhos, em Roma, Medeiros menciona que a historiografia conquistense ainda n\u00e3o explorou esse documento. Na maioria s\u00e3o cartas e relatos dos capuchinhos italianos que trabalharam na bacia do rio Catul\u00e9, do Verruga, do Pardo, na \u00e1rea de Itamb\u00e9, Itapetinga, Potiragu\u00e1 e Cachimbo (Ribeir\u00e3o do Largo).<\/p>\n<p>Aturam nessa regi\u00e3o o frei Ludovico de Livorno (Camac\u00e3s e Aimor\u00e9s por volta de 1817\/20); frei Francisco Antonio de Salerno, entre Mongoi\u00f3s e Imbor\u00e9s pela regi\u00e3o de Inhobim; frei\u00a0 Rainero de Ovada, na Barra do Catul\u00e9 (Aimor\u00e9s). Todos deixaram escritos e cartas que est\u00e3o no Arquivo da Propaganda Fide, inclusive do frei Ludovico, datada de 14 de julho de 1817.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONQUISTADOR E DIZIMADOR Portugu\u00eas da cidade de Chaves, Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Costa iniciou sua lida como bandeirante muito cedo, tendo logo conquistado matas baianas. 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