{"id":632,"date":"2014-11-12T10:59:24","date_gmt":"2014-11-12T13:59:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=632"},"modified":"2014-11-12T10:59:33","modified_gmt":"2014-11-12T13:59:33","slug":"o-centenario-do-poeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/11\/12\/o-centenario-do-poeta\/","title":{"rendered":"O CENTEN\u00c1RIO DO POETA"},"content":{"rendered":"<p>Quando se estava na d\u00e9cada de 60 e 70 com a alma triste, de vazio existencial, pessimista e melanc\u00f3lica, podia se dizer que o indiv\u00edduo estava na fossa. Lia-se muito sobre o existencialismo do franc\u00eas de Jean-Paul-Sartre. \u201cEstou na fossa, cara, Me deixa curtir minha fossa\u201d.<\/p>\n<p>Tudo isso, e mais o tema da morte, tem a ver com a poesia do paraibano de Sap\u00e9, Augusto dos Anjos, que hoje (dia 12\/11) completa cem anos da sua morte e continua conquistando leitores com seus versos rasgados e desgra\u00e7ados sobre o outro lado da alma humana.<\/p>\n<p>Augusto dos Anjos viveu apenas 30 anos (morreu em Leopoldina \u2013 Minas Gerais) e publicou o \u00fanico livro \u201cEU\u201d. Mesmo menosprezado e criticado na \u00e9poca, \u00e9 um dos poetas mais editados no Brasil, com mais de 40 edi\u00e7\u00f5es. \u00c8 muito para um escritor nordestino. Falou para acad\u00eamicos e gente simples que admiram seus versos que mostram o outro lado da alma humana. Marcou \u00e9poca entre o rural e o urbano.<\/p>\n<p>Como reconhecimento pela sua obra, foi criado em 2006, em Sap\u00e9 (Para\u00edba), o Memorial Augusto dos Anjos. Recentemente, o quadrinista Jairo C\u00e9zar Soares lan\u00e7ou o roteiro \u201cAugusto dos Anjos em Quadrinhos\u201d e recomendou ler o poeta, sem medo. \u201cEsque\u00e7am o pessimismo, a podrid\u00e3o, porque ele \u00e9 muito mais metaf\u00f3rico, precisa ser relativizado\u201d.<\/p>\n<p>Impactante e diferente, o poeta chama a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico por suas frases fortes, especialmente quando fala da morte e da melancolia. Para a fil\u00f3sofa \u00cdsis Nery, por sua abordagem negativa e pessimista da condi\u00e7\u00e3o humana, \u201co poeta favoreceu uma perspectiva mais plural acerca do que somos\u201d.<\/p>\n<p>A casa onde o poeta viveu seus \u00faltimos quatro meses em Leopoldina (faleceu de pneumonia) foi transformada no \u201cMuseu Espa\u00e7o dos Anjos\u201d. Augusto dos Anjos foi parnasiano, simbolista e pr\u00e9-modernista.<\/p>\n<p>Versos \u00cdntimos \u00e9 um de seus poemas mais famosos: V\u00eas! Ningu\u00e9m assistiu ao formid\u00e1vel\/Enterro de \u00faltima quimera.\/Somente a Ingratid\u00e3o \u2013 esta pantera &#8211; \/Foi tua companheira\/Insepar\u00e1vel!<\/p>\n<p>Acostuma-te \u00e0 lama\/que te espera!\/O homem, que, nesta\/terra miser\u00e1vel,\/Mora, entre feras,\/sente inevit\u00e1vel\/Necessidade de\/tamb\u00e9m ser fera.<\/p>\n<p>Toma um f\u00f3sforo.\/Acende teu cigarro!\/O beijo, amigo, \u00e9 a \/v\u00e9spera do escarro,\/A m\u00e3o que afaga\/ \u00e9 a mesma que apedreja.<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m causa inda\/pena a tua chaga,\/Apedreja essa m\u00e3o\/vil que te afaga,\/Escarra nessa boca\/que te beija!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se estava na d\u00e9cada de 60 e 70 com a alma triste, de vazio existencial, pessimista e melanc\u00f3lica, podia se dizer que o indiv\u00edduo estava na fossa. Lia-se muito sobre o existencialismo do franc\u00eas de Jean-Paul-Sartre. \u201cEstou na fossa, cara, Me deixa curtir minha fossa\u201d. Tudo isso, e mais o tema da morte, tem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/632"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=632"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/632\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":633,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/632\/revisions\/633"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}