{"id":6311,"date":"2021-11-09T23:29:39","date_gmt":"2021-11-10T02:29:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6311"},"modified":"2021-11-09T23:30:26","modified_gmt":"2021-11-10T02:30:26","slug":"de-vila-imperial-da-victoria-nao-maior-polo-de-desenvolvimento-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/11\/09\/de-vila-imperial-da-victoria-nao-maior-polo-de-desenvolvimento-1\/","title":{"rendered":"DE VILA IMPERIAL DA VICT\u00d3RIA NO MAIOR POLO DE DESENVOLVIMENTO (1)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PNN-PB001.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6312\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PNN-PB001.jpg\" alt=\"\" width=\"1320\" height=\"749\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PNN-PB001.jpg 1320w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PNN-PB001-300x170.jpg 300w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PNN-PB001-768x436.jpg 768w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PNN-PB001-1024x581.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1320px) 100vw, 1320px\" \/><\/a> <a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PNN-PB006b.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6313\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PNN-PB006b.jpg\" alt=\"\" width=\"470\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PNN-PB006b.jpg 470w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PNN-PB006b-300x221.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Este texto, de Jeremias Mac\u00e1rio, pode ser encontrado nos livros de sua autoria, \u201cA Imprensa e o Coronelismo\u201d e em \u201cUma Conquista Cassada\u201d, o qual fala da ditadura civil-militar de 1964, que cercou a cidade e cassou, na base das armas, o mandato democr\u00e1tico do prefeito da \u00e9poca Jos\u00e9 Pedral, na trig\u00e9sima sess\u00e3o da C\u00e2mara de Vereadores, em maio do mesmo ano.<\/p>\n<p>Os Mongoi\u00f3s ou Monoch\u00f3s, tamb\u00e9m conhecidos como Camacans, e os Patax\u00f3s e Ambor\u00e9s ou Imbor\u00e9s, eram os verdadeiros donos destas terras do sudoeste baiano, compreendidas entre os rios Pardo e das Contas, da regi\u00e3o do S\u00e3o Francisco at\u00e9 S\u00e3o Jorge dos Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>No centro deste vasto territ\u00f3rio chamado de \u201cSert\u00e3o da Ressaca\u201d, est\u00e1 \u00a0o munic\u00edpio de Vit\u00f3ria da Conquista que virou p\u00f3lo de desenvolvimento regional, e neste ano de 2021 est\u00e1 completando 181 anos de emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (9 de novembro).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PTN-PB002b.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6314\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PTN-PB002b.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PTN-PB002b.jpg 300w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/PTN-PB002b-259x300.jpg 259w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Imperial Vila de Nossa Senhora da Vict\u00f3ria, antes Arraial da Conquista, foi criada pelo decreto imperial de n\u00famero 124, em 19 de maio de 1840, desmembrando-se da Comarca de Caetit\u00e9.<\/p>\n<p>No entanto, a data pol\u00edtica \u00e9 comemorada em 9 de novembro quando aconteceu a posse da primeira C\u00e2mara Municipal. Com a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1889, a Vila passou a se chamar Cidade da Conquista, em 1\u00ba de junho de 1891, e em 1943 recebeu o nome de Vit\u00f3ria da Conquista.<\/p>\n<p>A CHEGADA DA BR-116<\/p>\n<p>O pequeno povoado, com as primeiras habita\u00e7\u00f5es de taipa cresceu, e em 1817, conforme registrou o pr\u00edncipe alem\u00e3o Maximiliano Wied-Newied, em visita ao lugarejo, j\u00e1 contava com 40 casas. A Vila expandiu-se aos poucos na encosta verdejante da Serra do Periperi; foi parada de tropeiros; mudou de nome; e come\u00e7ou a prosperar a partir da d\u00e9cada de 1960 com a chegada da BR-116 (Rio-Bahia).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/RLA-PB007.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6315\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/RLA-PB007.jpg\" alt=\"\" width=\"470\" height=\"339\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/RLA-PB007.jpg 470w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/RLA-PB007-300x216.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A cidade ampliou sua economia com a introdu\u00e7\u00e3o da cafeicultura, em meados dos anos 70, e se firmou no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI com a implanta\u00e7\u00e3o de novos projetos nas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade at\u00e9 se transformar num dos maiores p\u00f3los de desenvolvimento do Estado e do Nordeste. Com cerca de 340 mil habitantes, \u00e9 hoje a terceira maior cidade da Bahia.<\/p>\n<p>CONQUISTA E SUA EVOLU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>At\u00e9 antes da instala\u00e7\u00e3o da Vila, (1840), na resid\u00eancia do coronel Teot\u00f4nio Gomes Roseira, situada na Rua Grande (Pra\u00e7a Tancredo Neves), o territ\u00f3rio pertencia ao munic\u00edpio de Caetit\u00e9. Depois a casa do coronel veio a se tornar Pa\u00e7o Municipal.<\/p>\n<p>Naquela data de 9 de novembro foram escolhidos os conselheiros, membros do Conselho Municipal, hoje denominados de vereadores, para cuidar da sua administra\u00e7\u00e3o. O presidente desse colegiado exercia o cargo de prefeito.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM13EC1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6316\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM13EC1.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM13EC1.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM13EC1-300x164.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O primeiro Conselho foi composto pelos cidad\u00e3os Manoel Jos\u00e9 Vianna, Joaquim Moreira dos Santos, Theot\u00f4nio Gomes Roseira, Manoel Francisco Soares, Justino Ferreira Campos, Luiz Fernandes de Oliveira (primeiro presidente da C\u00e2mara) e Francisco Xavier da Costa.<\/p>\n<p>Com governo pr\u00f3prio, a Vila come\u00e7ou a se organizar e, al\u00e9m do seu Conselho, foi instalada a Casa do Conselho a quem coube aprovar o C\u00f3digo de Posturas, com 80 artigos, para disciplinar os moradores, punir os transgressores e orientar o crescimento urbano, inclusive com regras para preservar os rios e as nascentes. Entre as normas, reprimia o batuque e o h\u00e1bito de vagar pelas ruas durante altas horas da noite, especialmente os escravos sem o passe do seu senhor. A partir da\u00ed, foram contratados os primeiros funcion\u00e1rios p\u00fablicos.<\/p>\n<p>DE VILA A CIDADE, EM 1891<\/p>\n<p>Anos depois, em 1891, Conquista passou de vila a cidade, e as fun\u00e7\u00f5es do presidente do Conselho Municipal passaram a ser exercidas por um intendente a que deram o nome de prefeito, com autonomia para governar. As ruas eram lamacentas e esburacadas, mas o primeiro intendente, Joaquim Correia de Mello, adotou algumas provid\u00eancias para melhorar o visual da cidade.<\/p>\n<p>Por cerca de 100 anos, Conquista passou esquecida dos poderes p\u00fablicos, contrastando com a evolu\u00e7\u00e3o de outros centros urbanos. Segundo observadores, viajantes e cronistas da \u00e9poca, o esquecimento se deveu mais ao fato da sua dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capital. At\u00e9 os anos de 1890, as ruas eram iluminadas por lampi\u00f5es a g\u00e1s, depois substitu\u00eddos por carbureto. S\u00f3 a partir de 1920 veio a energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM01841.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6317\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM01841.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM01841.jpg 500w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM01841-300x202.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A partir deste per\u00edodo a cidade veio a sair do isolamento quando um grupo de fazendeiros e comerciantes se reuniu e fundou um cons\u00f3rcio para construir uma estrada carro\u00e7\u00e1vel ligando at\u00e9 Jequi\u00e9. Nessa \u00e9poca, o trem j\u00e1 existia at\u00e9 Jaguaquara, e os trilhos avan\u00e7avam \u00e0s terras jequieenses. A linha at\u00e9 esta localidade chegou em 1927.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, o aspecto urbano foi melhorando, mas o conquistense n\u00e3o se preocupou muito com a preserva\u00e7\u00e3o da sua hist\u00f3ria, tanto que muitos sobrados e casar\u00f5es foram sendo derrubados para dar lugar a edifica\u00e7\u00f5es novas, como o velho barrac\u00e3o acolhedor de tropeiros que foi demolido em 1913.<\/p>\n<p>Para se abastecer, os conquistenses dependiam das mercadorias, transportadas no lombo dos burros, vindas das cidades de S\u00e3o Felipe e Cachoeira, passando depois por Jequi\u00e9 (150 quil\u00f4metros). Mas, Conquista tamb\u00e9m tocava o gado trazido de Minas Gerais para fornecer carne para o Rec\u00f4ncavo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM01881.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6318\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM01881.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM01881.jpg 450w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IM01881-300x221.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por volta de 1940 chegou a Rio-Bahia, asfaltada no in\u00edcio dos anos 60, no Governo de Jo\u00e3o Goulart. A partir desses anos, Vit\u00f3ria da Conquista n\u00e3o parou mais de crescer, e \u00e9 hoje a capital do sudoeste e terceira maior\u00a0 da Bahia, cujo munic\u00edpio tem cerca de 340 mil habitantes, distante 510 quil\u00f4metros de Salvador.<\/p>\n<p>Apesar da sua grandeza e beleza, Conquista dos tempos atuais ainda \u00e9 carente de muitos projetos na \u00e1rea de infraestrutura, como a prometida obra da barragem de abastecimento de \u00e1gua; servi\u00e7os modernos no setor de mobilidade urbana; um centro administrativo para desafogar o centro; e, acima de tudo, uma pol\u00edtica cultural, mais escolas e expans\u00e3o na sa\u00fade.<\/p>\n<p>OURO, MORTE E EXPULS\u00c3O<\/p>\n<p>Na busca por riquezas, especialmente o ouro, a primeira investida no Sert\u00e3o da Bahia foi feita pelo castelhano Francisco Bruzza de Spinosa, em 1553, acompanhado de 12 portugueses, partindo de Porto Seguro e indo at\u00e9 o rio S\u00e3o Francisco. A passagem dos bandeirantes pelas terras dos \u00edndios significava expuls\u00e3o, morte e escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM02.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6319\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM02.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM02.jpg 500w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMAGEM02-300x219.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A descoberta de ouro nas imedia\u00e7\u00f5es de Rio das Contas e em Jacobina, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, aumentou o povoamento em Minas Gerais. \u00a0J\u00e1 em 1724, Rio das Contas passava \u00e0 categoria de vila, com a implanta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os de administra\u00e7\u00e3o pela Coroa Portuguesa.<\/p>\n<p>Como descreve a historiadora Maria Aparecida Silva de Sousa, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, em seu livro \u201cA Conquista do Sert\u00e3o da Ressaca: povoamento e posse da terra no interior da Bahia\u201d, por volta de 1728, o coronel Pedro Leolino Mariz recebe do governo portugu\u00eas a miss\u00e3o de desbravar diversas \u00e1reas do interior da Bahia e do norte de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Essa personagem aparece como importante figura da hist\u00f3ria que realizou investiga\u00e7\u00f5es nos rios das Contas, Paramirim e R\u00e3s, chegando a ocupar o posto de superintendente Geral de todas as minas da Bahia e das Minas Novas do Ara\u00e7ua\u00ed. Sabedor de que essa por\u00e7\u00e3o de terra era uma das melhores do Brasil para cria\u00e7\u00e3o de gado e a cultura de lavouras, o Governo de Portugal mandou que Pedro Leolino averiguasse as not\u00edcias. Em recompensa pelo seu trabalho, o superintendente recebeu uma sesmaria em 1743.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMDC8C1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6320\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMDC8C1.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMDC8C1.jpg 400w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/IMDC8C1-300x252.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com intuito de obter o mesmo \u00eaxito conseguido na regi\u00e3o vizinha de Rio das Contas e Jacobina, com a descoberta de ouro, o coronel organizou uma Bandeira, sob a dire\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 da Rocha Pinto, para conquistar o sert\u00e3o entre os rios das Contas, Pardo e S\u00e3o Mateus. A inten\u00e7\u00e3o era tamb\u00e9m a de encontrar ouro, estabelecer fazendas de gado e matar os \u00edndios que se opusessem \u00e0 conquista.<\/p>\n<p>SANGRENTAS BATALHAS<\/p>\n<p>Ao lado de Andr\u00e9 Pinto, aparece a pessoa de Jo\u00e3o da Silva Guimar\u00e3es, designado para percorrer o rio S\u00e3o Mateus. Ele ocupou o posto de Mestre-de-Campo, concedido em 1735, pelo conde de Sabugosa. Pouco antes disso, Jo\u00e3o Guimar\u00e3es fez um relat\u00f3rio ao rei D. Jo\u00e3o V, contando os perigos que enfrentou na luta contra os bravos gentios. O desejo dos sertanistas era o de encontrar as cobi\u00e7adas minas de prata de Belchior Dias Moreira, que foi um dos principais conquistadores do sert\u00e3o baiano.<\/p>\n<p>Tudo indica que o Mestre-de-Campo tenha percorrido o territ\u00f3rio onde hoje est\u00e1 situado o munic\u00edpio de Vit\u00f3ria da Conquista. Cita a historiadora Maria Aparecida, que sua Bandeira, pelo meado do s\u00e9culo XVIII, tenha passado pelos rios das Contas, Gavi\u00e3o e riacho do Gado Bravo onde hoje \u00e9 Bom Jesus da Serra. Sua expedi\u00e7\u00e3o foi marcada por sangrentas batalhas com os \u00edndios mongoi\u00f3s, Imbor\u00e9s e Patax\u00f3s.<\/p>\n<p>A chegada dos primeiros colonizadores portugueses, por volta de 1730 e 1734, comandados pelo Mestre-de-Campo Jo\u00e3o da Silva Guimar\u00e3es e pelo Capit\u00e3o-M\u00f3r, Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Costa, deu in\u00edcio a uma s\u00e9rie de batalhas com os \u00edndios da terra, que durou cerca de um s\u00e9culo, culminando com o exterm\u00ednio dos nativos, num dos mais terr\u00edveis genoc\u00eddios da hist\u00f3ria. As explora\u00e7\u00f5es feitas pelas bandeiras baianas, como relata a pesquisadora Aparecida, n\u00e3o tiveram o mesmo sucesso dos paulistas que encontraram ouro em Minas Gerais.<\/p>\n<p>UMA LENDA ODIADA<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0 Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Costa, o fundador da aldeia da Conquista do \u201cSert\u00e3o da Ressaca\u201d, foi odiado como matador brutal, mas n\u00e3o se pode negar que foi uma lenda e her\u00f3i como desbravador, chegando a ser citado como protegido de Nossa Senhora da Vit\u00f3ria na luta contra os \u00edndios.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o capit\u00e3o foi um dos pioneiros no povoamento do Arraial de Conquista, que depois passou a Imperial Vila da Vit\u00f3ria, em 1840. Com o tempo, acumulou uma fortuna consider\u00e1vel com sua fam\u00edlia, atrav\u00e9s da posse de terras, gado e escravos.<\/p>\n<p>Contam historiadores, que os Mongoi\u00f3s habitavam, anteriormente, o territ\u00f3rio de Ilh\u00e9us, vindo depois a se instalar nessas terras, precisamente entre a atual Pra\u00e7a Tancredo Neves (Jardim das Borboletas e Pra\u00e7a da Rep\u00fablica), um dos cart\u00f5es postais da cidade, e no local que recebeu o nome de \u201cBatalha\u201d, do outro lado da encosta da Serra do Periperi, onde se travou a primeira guerra com os colonizadores.<\/p>\n<p>O destemido Jo\u00e3o da Silva Guimar\u00e3es com sua gente, esteve por estas bandas do \u201cSert\u00e3o da Ressaca\u201d, \u00e1rea geogr\u00e1fica entre a caatinga e o litoral (Rio Pardo e Rio das Contas), por volta de 1730, desbravando o territ\u00f3rio \u00e0 procura de ouro e pedras preciosas, mas n\u00e3o tinha autoriza\u00e7\u00e3o do rei D. Jo\u00e3o V, para combater os \u00edndios. Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel em 1734, quando explorou parte do Rio das Contas at\u00e9 1744, mas n\u00e3o obteve vit\u00f3ria sobre os \u00edndios.<\/p>\n<p>Retornou em 1752, quando sofreu novas derrotas. Numa nova expedi\u00e7\u00e3o, em 1782, Jo\u00e3o Guimar\u00e3es e Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Costa sa\u00edram do litoral, cruzaram o Rio das Contas, e travaram uma dif\u00edcil batalha com os Mongoi\u00f3s. Foi uma sangrenta luta na localidade hoje conhecida como \u201cBatalha\u201d (9 quil\u00f4metros da cidade).<\/p>\n<p>Os bandeirantes perdiam a luta, mas Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, como narra a lenda, resolveu animar seus homens fazendo uma promessa a Nossa Senhora das Vit\u00f3rias. Se vencesse os \u00edndios, ergueria uma capela em seu nome, nascendo, a partir da\u00ed a Imperial Vila da Vict\u00f3ria, e depois Vit\u00f3ria da Conquista.<\/p>\n<p>At\u00e9 idos de 1933, muitos desses \u00edndios continuaram habitando as matas da regi\u00e3o de Conquista, mas todos foram expulsos pelos brancos. Na d\u00e9cada de 1970, o desmatamento se agravou para dar lugar \u00e1 cafeicultura que duas d\u00e9cadas depois entrou em decad\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A VIOL\u00caNCIA E A FROUXID\u00c3O DA JUSTI\u00c7A<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na \u00e9poca de sua vista, em 1817, o pr\u00edncipe Maximiliano\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 fez um perfil do arraial, dizendo que era ocupado por trabalhadores e desocupados, que faziam badernas e se embriagavam com bebidas fortes, provocando brigas, mortes e confus\u00f5es. As pessoas sempre andavam armadas de punhal e estiletes, sendo frequentes os assassinatos e atos de viol\u00eancia que expandiam em todo territ\u00f3rio, com tiros que davam durante a noite. A Justi\u00e7a ficava muito distante, tornando dif\u00edcil a solu\u00e7\u00e3o dos problemas.<\/p>\n<p>Em 1824, o senado da C\u00e2mara chegou a recomendar que os capit\u00e3es-mores fizessem dilig\u00eancias nos arraiais para conter e deter os fac\u00ednoras. A orienta\u00e7\u00e3o partiu das c\u00e2maras no sentido de empregar os vadios e exigir passaporte de quem entrasse e sa\u00edsse dos povoados. Tamb\u00e9m foi solicitada uma tropa de linha para controlar a viol\u00eancia. No Arraial de Conquista, o Juiz de Paz Ant\u00f4nio Dias de Miranda e seu irm\u00e3o sargento-mor, Raymundo Gon\u00e7alves da Costa passaram a fazer mais dilig\u00eancias para prender os criminosos.<\/p>\n<p>Por volta de 1829\/30, os bandoleiros deixavam os moradores de Conquista e arredores em p\u00e2nico. Para combater a viol\u00eancia, foi pedido muni\u00e7\u00e3o de guerra ao presidente da Prov\u00edncia, sendo que os quilombolas de pretos foram os principais alvos de persegui\u00e7\u00e3o. Os tropeiros tamb\u00e9m reclamavam, inclusive da falta de ranchos para pernoitarem.<\/p>\n<p>Somente em 1845, a Prov\u00edncia tomou algumas provid\u00eancias, melhorando as estradas e construindo ranchos. Para tanto, as autoridades exigiram dos senhores que um dia em cada m\u00eas, os cativos fossem utilizados nas obras de melhoria, como na estrada Conquista-Nazar\u00e9.<\/p>\n<p>Em 1810, a freguesia de Santa Anna de Caetit\u00e9, depois de muitos embates, foi elevada a vila, se desmembrando de Minas de Rio das Contas, que era vinculada \u00e0 comarca de Jacobina. Caetit\u00e9 j\u00e1 era grande produtora de algod\u00e3o e gado. Conquista, ent\u00e3o, passou a novo termo de Caetit\u00e9 somente alcan\u00e7ando a categoria de vila, em 1840, mas sem ser comarca.<\/p>\n<p>O arraial estava ligado \u00e0 comarca de Jacobina, numa dist\u00e2ncia de cerca de 200 l\u00e9guas. O capit\u00e3o Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Costa chegou a reclamar ao governador por diversas vezes quanto a esta situa\u00e7\u00e3o, porque os conflitos demoravam de ser resolvidos, sem contar os custos. Ele chegou a denunciar a frouxid\u00e3o da Justi\u00e7a de Caetit\u00e9 e Jacobina, denominando-se nas cartas como o \u201ccapit\u00e3o da Conquista do gentio mongoi\u00f3\u201d.<\/p>\n<p>Ele queria que o arraial fosse ligado a Ilh\u00e9us por ser mais perto. Argumentava que n\u00e3o dava para entender a vincula\u00e7\u00e3o com a Ouvidoria de Jacobina, criada em 1735. Segundo Ruy Medeiros, era mais por interesses econ\u00f4micos, e a Coroa queria promover a integra\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>Mesmo depois de 1840, Conquista ficou subordinada \u00e0 comarca de Caetit\u00e9 e depois, em 1873, a Santo Ant\u00f4nio da Barra (Conde\u00faba) de onde se desligou em 1882, se transformando em comarca.<\/p>\n<p>Antes disso, o capit\u00e3o fazia duras cr\u00edticas aos ju\u00edzes e vig\u00e1rios, que cobravam absurdos pelos invent\u00e1rios (300 mil r\u00e9is) e pelos casamentos (quatro mil r\u00e9is). Dizia ele: \u201c\u00c9 melhor ser gentio do mato que ser crist\u00e3o nesta terra\u201d. Por isso, chegou a ser amea\u00e7ado de pris\u00e3o pelo juiz de \u00d3rf\u00e3os de Rio das Contas. Tudo era prec\u00e1rio e faltavam casas de corre\u00e7\u00e3o e escolas. Em Conquista s\u00f3 existia uma escola, com 13 alunos.<\/p>\n<p>Na guerra da Independ\u00eancia, Conquista contribuiu com v\u00edveres e homens para lutarem, sob o comando do sargento-mor Raymundo Gon\u00e7alves da Costa, mas o distrito ficou sob as ordens do Corpo de Ordenan\u00e7a de Caetit\u00e9, o que n\u00e3o lhe agradou.<\/p>\n<p>Outra disputa se deu quando resolveram vincular a regi\u00e3o\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00e0 freguesia do Rio Pardo (Minas Gerais) com a capital em Ouro Preto. Isso contribuiu para que a Assembl\u00e9ia Legislativa Provincial da Bahia decretasse, em 19 de maio de 1840, a emancipa\u00e7\u00e3o do arraial a Imperial Vila da Vit\u00f3ria. A Hist\u00f3ria de Conquista se confunde com a trajet\u00f3ria do capit\u00e3o-mor, como se expressou a historiadora Maria Aparecida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto, de Jeremias Mac\u00e1rio, pode ser encontrado nos livros de sua autoria, \u201cA Imprensa e o Coronelismo\u201d e em \u201cUma Conquista Cassada\u201d, o qual fala da ditadura civil-militar de 1964, que cercou a cidade e cassou, na base das armas, o mandato democr\u00e1tico do prefeito da \u00e9poca Jos\u00e9 Pedral, na trig\u00e9sima sess\u00e3o da C\u00e2mara [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6311"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6311"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6322,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6311\/revisions\/6322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}