{"id":6288,"date":"2021-11-04T22:15:54","date_gmt":"2021-11-05T01:15:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6288"},"modified":"2021-11-04T22:16:10","modified_gmt":"2021-11-05T01:16:10","slug":"entre-engacos-e-bagacos-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/11\/04\/entre-engacos-e-bagacos-iv\/","title":{"rendered":"ENTRE ENGA\u00c7OS E BAGA\u00c7OS (IV)"},"content":{"rendered":"<p>Continua\u00e7\u00e3o do poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Mac\u00e1rio no formato de cordel que fala da cultura nordestina e\u00a0 \u00a0seus personagens escritores. \u00c9 uma viagem do Maranh\u00e3o at\u00e9 a Bahia num tr\u00e2nsito com h\u00e1bitos, costumes e quem fez hist\u00f3ria nessa nossa na\u00e7\u00e3o da qual orgulho de pertencer.<\/p>\n<p>Casquei pra Ex\u00fa pra ver o monumento-rei Gonzaga;<\/p>\n<p>Apertei as precatas para conhecer a feira de Caruaru,<\/p>\n<p>Com a fome do saber popular, sem perder a ternura,<\/p>\n<p>De um estado que parecia ter visitado quando menino,<\/p>\n<p>Numa vaga do destino da reencarna\u00e7\u00e3o Pernambuco,<\/p>\n<p>Dos holandeses-judeus que implantaram uma cultura,<\/p>\n<p>E deixaram seus vest\u00edgios de uma comunidade futura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com meu trabuco fui logo ver o Manuel Bandeira,<\/p>\n<p>Para beber na fonte original das sagradas escrituras,<\/p>\n<p>Mas estava arrumando as malas para Pass\u00e1rgada,<\/p>\n<p>No desejo de ser livre e ter a mulher que sempre quis;<\/p>\n<p>Viver numa rede como rei com astutas prostitutas,<\/p>\n<p>Longe desse ch\u00e3o de intrigas e disputas pra ser feliz,<\/p>\n<p>E logo me convidou a embarcar em suas aventuras,<\/p>\n<p>Quando de pronto avisei que n\u00e3o ia viajar nessa saga;<\/p>\n<p>Que seu voo \u00e0 P\u00e9rsia de Ciro seria nas asas da utopia,<\/p>\n<p>E com afeto sai para ver o Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto,<\/p>\n<p>Para me juntar a ele na triste labuta de \u201cVida Severina\u201d,<\/p>\n<p>Do homem que s\u00f3 tem direito a sete palmos de altura,<\/p>\n<p>Esse her\u00f3i an\u00f4nimo valente resistente a esta secura,<\/p>\n<p>Dessa sina que nunca finda nessa paisagem nordestina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enfiei as m\u00e1gicas palavras em meu alforje surrado,<\/p>\n<p>E fui vagar pela Veneza-Recife at\u00e9 o monte Olinda,<\/p>\n<p>Com a cena do gado berrando na seca cacimba catinga,<\/p>\n<p>E pra esquecer passei nos botecos e enchi a cara de pinga;<\/p>\n<p>Sonhei que estava na Gr\u00e9cia com os deuses do Olimpo,<\/p>\n<p>E acordei entre os negros descritos por Gilberto Freyre,<\/p>\n<p>Com quem visitei \u201cCasa Grande e Senzala\u201d dos bantos N\u00edger,<\/p>\n<p>Dormi em \u201cSobrados e Mocambos\u201d de Angola e da Guin\u00e9,<\/p>\n<p>Onde tamb\u00e9m o doutor deitou, como me disse e provou,<\/p>\n<p>Mas vinha a cena do Bandeira em orgia como um rei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tomei tino e fui direto pra terra de \u201cMenino de Engenho\u201d,<\/p>\n<p>Do tempo dos coron\u00e9is estuprando negras de taca e reio,<\/p>\n<p>No mour\u00e3o escravo, ou no lamento \u00c1frica dos canaviais,<\/p>\n<p>Onde fui moleque com Jos\u00e9 Lins do Rego paraibano creio,<\/p>\n<p>E com ele me lambuzei na safadeza er\u00f3tica dos bacanais,<\/p>\n<p>Sem receio de fazer estripulias de verso menino travesso,<\/p>\n<p>Com aquela gente que lembra o filme \u201cVinhas da Ira\u201d,<\/p>\n<p>Expulsa do seu torr\u00e3o e varrida como um lixo caipira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continua\u00e7\u00e3o do poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Mac\u00e1rio no formato de cordel que fala da cultura nordestina e\u00a0 \u00a0seus personagens escritores. \u00c9 uma viagem do Maranh\u00e3o at\u00e9 a Bahia num tr\u00e2nsito com h\u00e1bitos, costumes e quem fez hist\u00f3ria nessa nossa na\u00e7\u00e3o da qual orgulho de pertencer. 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