{"id":623,"date":"2014-11-11T22:47:07","date_gmt":"2014-11-12T01:47:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=623"},"modified":"2014-11-11T22:47:15","modified_gmt":"2014-11-12T01:47:15","slug":"itamar-indica-e-comenta-artigo-de-orlando-senna-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/11\/11\/itamar-indica-e-comenta-artigo-de-orlando-senna-3\/","title":{"rendered":"ITAMAR INDICA E COMENTA ARTIGO DE ORLANDO SENNA"},"content":{"rendered":"<p><strong>O dramaturgo Chico de Assis, <\/strong>em 08\/11\/2014<\/p>\n<p>Depois de anos sem nos ver, encontrei Chico de Assis esta semana, em Bras\u00edlia, contente por estar sendo homenageado com a Ordem do M\u00e9rito Cultural e cheio de projetos. O paulistano Chico de Assis, 80 anos bem vividos, \u00e9 um dos maiores dramaturgos brasileiros no sentido mais moderno, contempor\u00e2neo, deste of\u00edcio. Ainda adolescente foi trabalhar na nascente TV Tupi e come\u00e7ou sua aventura art\u00edstica pilotando uma c\u00e2mera. Esteve quase dez anos metido nos est\u00fadios de televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Em seguida embicou pelo teatro. Foi na porta certa: o Teatro de Arena de S\u00e3o Paulo, com Augusto Boal, Jos\u00e9 Renato, Oduvaldo Vianna Filho (o Vianinha),\u00a0Gianfrancesco\u00a0Guarnieri e toda aquela gente que balan\u00e7ou o coreto c\u00eanico brasileiro nos anos 1950 e 60. Chico dirigiu, atuou e escreveu na roda viva desse movimento (\u00e9 autor de mais de 20 pe\u00e7as). No alvorecer da d\u00e9cada 1960 foi um dos fundadores do Centro Popular de Cultura da UNE, que se espalhou por S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, pluralizado. Os Centros Populares de Cultura, os CPCs, trabalhavam a alian\u00e7a de estudantes, camponeses e oper\u00e1rios na cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de obras art\u00edsticas.<\/p>\n<p>Chico de Assis seguiu nesse caminho de descobertas est\u00e9ticas atrav\u00e9s das jun\u00e7\u00f5es sociais, do entendimento humanista da fun\u00e7\u00e3o social da arte. N\u00e3o sem raz\u00e3o um de seus trabalhos recentes \u00e9 um programa intitulado Intera\u00e7\u00f5es Est\u00e9ticas. Mas n\u00e3o vim aqui para contar a vida de meu amigo com nome de santo, quem n\u00e3o souber dela pode recorrer aos livros e \u00e0 internet. Quero falar sobre o que falamos em nosso encontro em Bras\u00edlia e voltar ao conceito atual de dramaturgo. O significado hist\u00f3rico (a palavra vem do grego) \u00e9 o de escritor de dramas, de pe\u00e7as teatrais. Mas a evolu\u00e7\u00e3o narrativa do teatro atrav\u00e9s dos tempos elasteceu esse significado para o artista que comp\u00f5e ou harmoniza as v\u00e1rias interfaces do fazer dram\u00e1tico \u2014 a palavra, a express\u00e3o corporal, a luz, o som, o movimento r\u00edtmico de pessoas e objetos em um espa\u00e7o.<\/p>\n<p><!--more-->O cinema e seus derivados, as artes tecnol\u00f3gicas, ratificaram a necessidade dessa amplia\u00e7\u00e3o conceitual. O que estivemos recordando em Bras\u00edlia foi um espet\u00e1culo dirigido por ele em 1962 ou 63, para o CPC da Bahia, do qual participei ao lado de Geraldo Sarno, Capinan, Johnson Santos e mais umas 30 pessoas. Chico apareceu na Bahia com um projeto que avan\u00e7ava ainda mais a ousadia criativa daqueles tempos revolucion\u00e1rios. A ideia era montar a pe\u00e7a\u00a0<em>Mutir\u00e3o em Novo Sol<\/em>, escrita a dez m\u00e3os por Augusto Boal,\u00a0Nelson\u00a0Xavier, Modesto Carone, Hamilton Trevisan e Benedito\u00a0Ara\u00fajo, da turma do Arena. Para Boal, essa pe\u00e7a representa \u201cum momento emblem\u00e1tico do encontro da produ\u00e7\u00e3o do teatro\u00a0pol\u00edtico com a luta camponesa da d\u00e9cada de 1960\u201d.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo foi mudado para\u00a0<em>Rebeli\u00e3o em Novo Sol<\/em>\u00a0e o projeto de Chico era juntar e misturar as linguagens do teatro, da dan\u00e7a, da m\u00fasica e do cinema. Naquele tempo n\u00e3o existia o conceito multim\u00eddia, n\u00e3o existia nem a palavra m\u00eddia, o que Chico pregava era a \u201csimultaneidade de distintas linguagens\u201d e a necessidade de \u201cdramatizar todas as nuances\u201d da narrativa. H\u00e1 meio s\u00e9culo Chico de Assis j\u00e1 se expressava e trabalhava na trilha do que o teatro contempor\u00e2neo, o cinema, a TV, o videogame entendem como dramaturgo. Geraldo Sarno e eu fomos os respons\u00e1veis pelo cinema, fizemos um document\u00e1rio silencioso sobre as Ligas Camponesas, que abria o espet\u00e1culo, e v\u00e1rias cenas que interagiam com as a\u00e7\u00f5es teatrais e musicais.<\/p>\n<p>A montagem foi na Concha Ac\u00fastica do Teatro Castro Alves, com capacidade para cinco mil pessoas e sempre lotado. As imagens eram projetadas em uma tela que ficava a cavaleiro do palco, permitindo \u201ddi\u00e1logos\u201d entre a imagem virtual e os atores reais. Lembro-me de uma cena, s\u00f3 como exemplo: algu\u00e9m na tela disparava um tiro e atingia uma personagem no palco, um pistoleiro assassinando um campon\u00eas. Aquele espet\u00e1culo praticamente futurista regido pelo Chico nos marcou profundamente a todos, aos que trabalhamos com ele e seguramente aos espectadores, entusiasmados com a novidade (Glauber fala de seu entusiasmo sobre\u00a0<em>Rebeli\u00e3o em Novo Sol<\/em>\u00a0no livro\u00a0<em>Revolu\u00e7\u00e3o do Cinema Novo<\/em>).<\/p>\n<p>Sobre isso conversamos, sobre aquele momento de descoberta, de inventar poesia e rebeli\u00f5es. Ele estava sendo homenageado pelo Estado Brasileiro pela sua condi\u00e7\u00e3o de artista mestre, esses artistas que ensinam aos outros artistas. E como ele me ensinou tanto, me abriu os olhos at\u00e9 o arreganho, me fez pensar no teatro sem palavras, na m\u00edmica sem gestos, no cinema sem imagens, tamb\u00e9m quis fazer minha pequena homenagem ao grande homem e meu jeito foi escrever essas coisas. Chico de Assis, o dramaturgo, o demiurgo.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio de Itamar :<\/p>\n<p>Assim como Chico de Assis, Orlando Senna, merecidamente, pela sua trajet\u00f3ria no mundo das artes, especialmente no Teatro e no Cinema, foi condecorado em 05 de novembro de 2014, pelo Governo brasileiro, com a Ordem do M\u00e9rito Cultural. Parab\u00e9ns a Orlando e a todos os demais homenageados e, justamente distinguidos pelas suas contribui\u00e7\u00f5es no mundo das Artes e da Cultura.<\/p>\n<p>Orlando Senna nasceu em Afr\u00e2nio Peixoto, munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is Bahia. Jornalista, roteirista, escritor e cineasta, premiado nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, P\u00e9saro, Havana, Porto Rico, Brasilia, Rio Cine. Entre seus filmes mais conhecidos est\u00e3o Diamante Bruto e o cl\u00e1ssico do cinema brasileiro, Iracema. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televis\u00e3o de San Antonio de los Ba\u00f1os e do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008). Atualmente e presidente da TAL \u2013 Televis\u00e3o Am\u00e9rica Latina e membro do Conselho Superior da Fundacion del Nuevo Cine Latinoamericano.<\/p>\n<p>Itamar Pereira de Aguiar nasceu em Iraquara &#8211; Bahia; concluiu o Gin\u00e1sio e Escola Normal em Len\u00e7\u00f3is, onde foi Diretor de Col\u00e9gio do 1\u00ba e 2\u00ba graus (1974\/1979); graduado em Filosofia, pela UFBA em 1979; Mestre em 1999 e Doutor em Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 2007, pela PUC\/SP; P\u00f3s doutorando em\u00a0Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 pela UNESP campus de Mar\u00edlia \u2013 SP. Professor Titula da Universidade Estadual do Sudoeste do Estado da\u00a0Bahia \u2013 UESB; elaborou com outros colegas os projetos e liderou o processo de cria\u00e7\u00e3o dos cursos de Licenciatura em Filosofia, Cinema e Audiovisual\/UESB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dramaturgo Chico de Assis, em 08\/11\/2014 Depois de anos sem nos ver, encontrei Chico de Assis esta semana, em Bras\u00edlia, contente por estar sendo homenageado com a Ordem do M\u00e9rito Cultural e cheio de projetos. O paulistano Chico de Assis, 80 anos bem vividos, \u00e9 um dos maiores dramaturgos brasileiros no sentido mais moderno, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/623"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=623"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/623\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":624,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/623\/revisions\/624"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}