{"id":6208,"date":"2021-10-12T21:43:49","date_gmt":"2021-10-13T00:43:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6208"},"modified":"2021-10-12T21:44:14","modified_gmt":"2021-10-13T00:44:14","slug":"a-inteligencia-do-ser-humano-esta-regredindo-com-a-passar-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/10\/12\/a-inteligencia-do-ser-humano-esta-regredindo-com-a-passar-do-tempo\/","title":{"rendered":"A INTELIG\u00caNCIA DO SER HUMANO EST\u00c1 REGREDINDO COM A PASSAR DO TEMPO"},"content":{"rendered":"<p>Estudos de pesquisadores cientistas (mat\u00e9ria da revista Veja) constataram que a intelig\u00eancia do homem, medida pelo Q.I. (quociente de intelig\u00eancia) est\u00e1 sofrendo um retrocesso por conta de mais tempo nas telas de televis\u00e3o e nas redes sociais. Ao inv\u00e9s de n\u00f3s tornar mais brilhantes, essa tecnologia mal-usada est\u00e1 nos deixando mais burros e nos levando aos tempos primitivos.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX tivemos d\u00e9cadas de avan\u00e7os, como as de 60 e 70 em plena efervesc\u00eancia da cultura, do conhecimento, do saber, da leitura e da pr\u00e1tica das artes em geral. Nesse s\u00e9culo passado, conforme reportagem de Ernesto Neves e Caio Saad, os pa\u00edses mais desenvolvidos anunciavam que o Q.I. de seus habitantes s\u00f3 fazia subir.<\/p>\n<p>Agora, nos tempos atuais, com o advento da internet e das redes, a intelig\u00eancia est\u00e1 dando marcha r\u00e9. Isso quer dizer que o homem est\u00e1 perdendo a l\u00f3gica do debate racional e do di\u00e1logo em troca do \u00f3dio e da intoler\u00e2ncia, com ideias retr\u00f3gradas ultraconservadoras. Tudo come\u00e7ou a partir dos anos 2000.<\/p>\n<p>Pela constata\u00e7\u00e3o, os filhos passaram a ter mentes menos afiadas que dos pais. Isso nos faz cair nesse buraco desprovido de massa cinzenta, como os antivacina, anti-institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas (apelos pela volta da ditadura) e contra a ci\u00eancia. \u00c9 o lado escuro da polariza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>No livro \u201cA F\u00e1brica de Cretinos Digitais\u201d, o renomado neurocientista franc\u00eas Michel Desmurget, diretor do Instituto Nacional de Sa\u00fade da Fran\u00e7a, aponta suas baterias para o excesso de tempo diante da tela dos mais variados aparelhos digitais, os quais est\u00e3o contribuindo para o atual estado de estagna\u00e7\u00e3o intelectual.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o, de acordo com ele, est\u00e1 no maior n\u00famero de horas frente \u00e0s telas. Afirma que o uso de computadores e celulares por pr\u00e9-adolescentes \u00e9 tr\u00eas vezes maior para se divertir do que para realizar trabalhos escolares. No caso de adolescentes, o n\u00famero sobe para oito.<\/p>\n<p>Durante a pandemia esse tempo de exposi\u00e7\u00e3o diante das telas e dispositivos, como todos n\u00f3s sabemos, se elevou, principalmente no Brasil. Antes do v\u00edrus, os participantes de uma pesquisa divulgada por universidades brasileiras relataram m\u00e9dia de seis horas e meia de exposi\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Durante a pandemia, o n\u00famero subiu para dez horas por dia.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0 Na verdade, o cientista n\u00e3o est\u00e1 anunciando uma novidade (muitos j\u00e1 perceberam esse fen\u00f4meno) quando adverte que \u201cinternet e aplicativos de redes sociais em demasia afetam negativamente as intera\u00e7\u00f5es, a linguagem (hoje se fala e se escreve mais por c\u00f3digos) e a concentra\u00e7\u00e3o, \u201cos tr\u00eas pilares b\u00e1sicos do progresso cognitivo em qualquer idade&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Cl\u00e1udio Serfaty, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Neuroci\u00eancias da Universidade Federal Fluminense alerta que, no caso das crian\u00e7as pequenas, o celular \u00e9 um entretenimento passivo sem reflex\u00f5es ou desafios. \u201cN\u00e3o passa de uma divers\u00e3o viciante\u201d. Tenho um primo que serve de exemplo. At\u00e9 certa idade n\u00e3o colocou um aparelho desse nas m\u00e3os de suas filhas, mas brinquedos e brincadeiras \u00fateis de crian\u00e7as utilizados em gera\u00e7\u00f5es passadas.<\/p>\n<p>O cientista deixa claro que a tecnologia n\u00e3o \u00e9 um mal, mas um benef\u00edcio para todas as \u00e1reas e o progresso humano, inclusive no estudo da intelig\u00eancia. O ruim, no entanto, \u00e9 o exagero. Esse ramo da ci\u00eancia neurol\u00f3gica ganhou for\u00e7a no s\u00e9culo XIX com o ingl\u00eas Francis Galton (1822-1911), primo de Charles Darwin.<\/p>\n<p>Para Galton, a intelig\u00eancia \u00e9 uma caracter\u00edstica heredit\u00e1ria. Em 1884 ele desenvolveu o primeiro m\u00e9todo de medida do intelecto. Tr\u00eas d\u00e9cadas depois o alem\u00e3o Wilhelm Stern elaborou o quociente de intelig\u00eancia de uma forma mais complexa. S\u00f3 depois, Lewis Terman, da Universidade de Stanford, simplificou o teste e popularizou a sigla Q.I.<\/p>\n<p>Outros pesquisadores entraram nesse labirinto do c\u00e9rebro e verificaram que, na d\u00e9cada de 70, pa\u00edses mais pr\u00f3speros ganharam tr\u00eas pontos na evolu\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia. Colaboraram para isso as melhorias na medicina, na educa\u00e7\u00e3o e no pensamento cr\u00edtico. Passado o apogeu, as conquistas no Q.I. foram descambando, sobretudo a partir do s\u00e9culo XXI, e a trajet\u00f3ria segue em queda.<\/p>\n<p>Sobre esse refluxo na intelig\u00eancia, pesquisadores da Noruega analisaram 73 mil testes de Q.I. em jovens convocados para o servi\u00e7o militar nos \u00faltimos 40 anos. Como resultado, os aumentos anuais dos noruegueses baixaram para dois pontos nos anos 80 e 1,3 para os 90, recuando 0,2 neste s\u00e9culo. O mesmo aconteceu no Reino Unido e na Dinamarca.<\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram que a imers\u00e3o constante nos eletr\u00f4nicos atrav\u00e9s das plataformas de v\u00eddeos, aplicativos e redes sociais alimentam as discuss\u00f5es nas quais cren\u00e7as se sobrep\u00f5em \u00e0 raz\u00e3o, e a ideologia impede o confronto de ideias enriquecido pelo saber cient\u00edfico.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 que a turma mais jovem \u00e9 presa f\u00e1cil dos efeitos delet\u00e9rios do excesso digital. Estudo no Canad\u00e1 mostrou que crian\u00e7as de cinco anos ou menos que passam mais de duas horas por dia on-line t\u00eam chances cinco vezes maior de apresentar dificuldades de concentra\u00e7\u00e3o e sete vezes mais risco de exibir transtornos do d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fatores comportamentais tamb\u00e9m influenciam na evolu\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia. Na inf\u00e2ncia, o desenvolvimento intelectual exige intera\u00e7\u00e3o social, engajamento em brincadeiras, pr\u00e1tica de esportes, boa forma\u00e7\u00e3o escolar e enfrentamento de problemas e discuss\u00f5es que ocorrem fora das telas.<\/p>\n<p>Segundo a psic\u00f3loga Chris Frith, da Universty College London, a intelig\u00eancia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 bagagem que adquirimos, mas capacidade de interpretar e de se lan\u00e7ar rumo ano novo, ao desconhecido. Sobre o tema, o fil\u00f3sofo grego S\u00f3crates dizia que existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Immanuel Kant dizia que, avalia-se a intelig\u00eancia de um indiv\u00edduo pela quantidade de incertezas que ele \u00e9 capaz de suportar. Para exercitar bem a intelig\u00eancia, a ci\u00eancia recomenda fazer arte, explorar o novo, optar pelo dif\u00edcil, devorar livros e cultivar boas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos de pesquisadores cientistas (mat\u00e9ria da revista Veja) constataram que a intelig\u00eancia do homem, medida pelo Q.I. (quociente de intelig\u00eancia) est\u00e1 sofrendo um retrocesso por conta de mais tempo nas telas de televis\u00e3o e nas redes sociais. Ao inv\u00e9s de n\u00f3s tornar mais brilhantes, essa tecnologia mal-usada est\u00e1 nos deixando mais burros e nos levando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6208"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6208"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6208\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6209,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6208\/revisions\/6209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}