{"id":6101,"date":"2021-09-18T00:29:13","date_gmt":"2021-09-18T03:29:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6101"},"modified":"2021-09-18T00:29:27","modified_gmt":"2021-09-18T03:29:27","slug":"a-cultura-arabe-islamica-e-os-direitos-da-mulher-por-chebel-e-fatema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/09\/18\/a-cultura-arabe-islamica-e-os-direitos-da-mulher-por-chebel-e-fatema\/","title":{"rendered":"A CULTURA \u00c1RABE-ISL\u00c2MICA E OS DIREITOS DA MULHER POR CHEBEL E FATEMA"},"content":{"rendered":"<p>No livro \u201cIntelectuais das \u00c1fricas\u201d, o fil\u00f3sofo argelino Malek Chebel se debru\u00e7ou nas quest\u00f5es da cultura \u00e1rabe-isl\u00e2mica, enquanto a soci\u00f3loga ativista marroquina tratou dos problemas da submiss\u00e3o e dos direitos das mulheres mul\u00e7umanas, com base na legisla\u00e7\u00e3o e na religi\u00e3o do isl\u00e3.<\/p>\n<p>O pensamento de Chebel (1953-2016) \u00e9 interpretado pelo historiador Murilo Sebe Bom Meihy quando escreve que o trabalho do fil\u00f3sofo merece destaque por retirar o monop\u00f3lio do conhecimento cient\u00edfico das m\u00e3os dos analistas europeus, e por romper a dura supremacia dos te\u00f3logos e pensadores do Oriente M\u00e9dio cl\u00e1ssico em rela\u00e7\u00e3o aos temas e debates sobre o isl\u00e3.<\/p>\n<p>Murilo destaca ainda que, \u201cno contexto de reconstru\u00e7\u00e3o nacional ap\u00f3s a independ\u00eancia, uma gera\u00e7\u00e3o de jovens, incluindo Chebel, tentava sobreviver no interior de uma conjuntura pol\u00edtica centralizadora dominada pelos l\u00edderes da emancipa\u00e7\u00e3o, e marcada pelo flerte com o pan-arabismo, o socialismo terceiro mundista da Guerra Fria, e a cren\u00e7a em uma revolu\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e cultural que n\u00e3o se limitasse \u00e0s fronteiras da Arg\u00e9lia rec\u00e9m-criada.<\/p>\n<p>De acordo com o historiador, autor de dezenas de livros, a obra de Chebel pode ser dividida em tr\u00eas \u00e1reas, tais como, os estudos mediterr\u00e2neos, a quebra da imagem do isl\u00e3 como uma amea\u00e7a para o Ocidente e a rela\u00e7\u00e3o entre cultura e sexualidade no isl\u00e3. Entre suas obras primas, Murilo cita L\u00b4esclavage em Terre d\u00b4Islam, de 2007.<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o sobre as formas de servid\u00e3o, Murilo diz que o fil\u00f3sofo redireciona a b\u00fassola cultural africana para o Oriente, conectando o espa\u00e7o mediterr\u00e2neo do isl\u00e3 ao infame caminho da escravid\u00e3o que parte do Magrebe (L\u00edbia, Tun\u00edsia, Arg\u00e9lia, Marrocos e Maurit\u00e2nia) para o Golfo P\u00e9rsico, n\u00e3o antes de deixar um rastro de sofrimento envolvendo negros, brancos, europeus, africanos, crentes e infi\u00e9is.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Chebel constr\u00f3i uma geografia da escravid\u00e3o quando se relaciona ao territ\u00f3rio da \u00c1frica. Afirma em sua obra que partes espec\u00edficas da rota comercial dos escravos tinham uma fun\u00e7\u00e3o bem determinada no interior da cultura escravista desenvolvida nas terras do isl\u00e3. Assinala que o Egito era o c\u00e9rebro do tr\u00e1fico de escravos.<\/p>\n<p>A QUEST\u00c3O DO FEMINISMO<\/p>\n<p>Sobre Fatema Mernissi, a abordagem coube a Isabelle Christine de Castro, doutora em Hist\u00f3ria Social. Ela afirma que Fatema desenvolveu em suas obras a quest\u00e3o do feminismo. \u201cDedicou-se em sua vida (faleceu em 2015) a demonstrar a necessidade de combater o discurso de uma elite sobre uma propalada inferioridade feminina que, ao contr\u00e1rio do que \u00e9 disseminado, n\u00e3o teria apoio nas escrituras religiosas\u201d.<\/p>\n<p>Assinalou que Fatema deixou bem claro em seus livros a for\u00e7a da mulher magrebina, mul\u00e7umana e africana com seu pr\u00f3prio exemplo ao desafiar o patriarcalismo global. A soci\u00f3loga argumentava que, mesmo que a religi\u00e3o conceda privil\u00e9gios aos homens, n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es inquestion\u00e1veis nos textos religiosos que justifiquem uma posi\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p>Isabelle enfatiza que a marroquina sempre questionou premissas tradicionais em busca de demonstrar que a igualdade de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 apenas uma necessidade social, mas uma demanda da religi\u00e3o que se instalou na regi\u00e3o h\u00e1 cerca de 14 s\u00e9culos.<\/p>\n<p>\u201cMernissi (nasceu na cidade de Fez no ano de 1940) fez parte de uma gera\u00e7\u00e3o de marroquinas que se beneficiou da abertura promovida para a educa\u00e7\u00e3o feminina, pouco antes da independ\u00eancia do Marrocos, em 1956. Ela fez doutorado em sociologia, em 1973. Ao contr\u00e1rio de outras mulheres ativistas, como a m\u00e9dica eg\u00edpcia Nawal el Saadawi, a marroquina n\u00e3o se afastou da religi\u00e3o para combater a priva\u00e7\u00e3o de direitos que muitas sociedades mul\u00e7umanas imp\u00f5em \u00e0 metade de seus cidad\u00e3os. Ela sempre tentou combater a subordina\u00e7\u00e3o feminina usando como arma os ensinamentos ligados ao isl\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Igual a ela, muitas ousaram desafiar o mundo patriarcal, especialmente no campo da pol\u00edtica. \u201cFatema optou por desafiar o establishment religioso em seus pr\u00f3prios termos, ao acus\u00e1-lo de promover uma interpreta\u00e7\u00e3o equivocada dos fundamentos do isl\u00e3 relativos aos direitos da fam\u00edlia. Criticou a falta de pol\u00edticas estatais para atacar as desigualdades e denunciou o impacto delas sobre as mulheres. Preferiu criticar as bases do discurso religioso\u201d.<\/p>\n<p>Nesse cap\u00edtulo dedicado \u00e0 soci\u00f3loga pela historiadora Isabelle, vamos ainda falar sobre o v\u00e9u, o har\u00e9m e as fronteiras e a revolu\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No livro \u201cIntelectuais das \u00c1fricas\u201d, o fil\u00f3sofo argelino Malek Chebel se debru\u00e7ou nas quest\u00f5es da cultura \u00e1rabe-isl\u00e2mica, enquanto a soci\u00f3loga ativista marroquina tratou dos problemas da submiss\u00e3o e dos direitos das mulheres mul\u00e7umanas, com base na legisla\u00e7\u00e3o e na religi\u00e3o do isl\u00e3. 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