{"id":6067,"date":"2021-09-11T00:16:41","date_gmt":"2021-09-11T03:16:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=6067"},"modified":"2021-09-11T00:17:06","modified_gmt":"2021-09-11T03:17:06","slug":"o-decano-da-filosofia-africana-paulin-jidnenu-hountondji","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/09\/11\/o-decano-da-filosofia-africana-paulin-jidnenu-hountondji\/","title":{"rendered":"&#8220;O DECANO DA FILOSOFIA AFRICANA: PAULIN JIDNENU HOUNTONDJI&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>No livro \u201cIntelectuais das \u00c1fricas\u201d, o professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Itamar Pereira de Aguiar escreve um artigo em que fala do fil\u00f3sofo Paulin Jidnenu Hountondji, que nasceu na Costa do Marfim, em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial. Concluiu seus primeiros anos de estudos em Porto Novo no Daom\u00e9, em 1960. Essas regi\u00f5es sofreram administra\u00e7\u00e3o colonial francesa.<\/p>\n<p>No per\u00edodo de decl\u00ednio colonial, Paulin mudou-se para Paris onde acompanhou a movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que promoveu a derrocada do colonialismo franc\u00eas. Matriculou-se no curso de Filosofia na conhecida \u00c9cole Normale Sup\u00e9rieure onde se formou em 1970. Depois chegou a ministrar aulas em universidades da Fran\u00e7a, dos Estados Unidos e da pr\u00f3pria \u00c1frica.<\/p>\n<p>De acordo com Itamar, durante o mandato do ditador Mobutu, no Zaire (Congo), o fil\u00f3sofo procurou, em sil\u00eancio, observar como atuava o nacionalismo dito republicano em uma ditadura ao modo africano. Como ativista pol\u00edtico, Paulin se op\u00f5e ao regime militarista em vigor, \u201ccujos defensores se proclamavam revolucion\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>Em Benin, sob a dire\u00e7\u00e3o do Alto Conselho da Rep\u00fablica, em mar\u00e7o de 1990, Paulin foi nomeado ministro da Educa\u00e7\u00e3o. Diz o professor Itamar que, \u201co conjunto da sua obra recebeu influ\u00eancia da Filosofia Moderna Ocidental, do Iluminismo, mais especificamente, dos pensadores marxistas Althusser e Derrida\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto intelectual, Paulin voltou-se mais para a filosofia pol\u00edtica. \u201cpor\u00e9m cioso da import\u00e2ncia dos elementos culturais e hist\u00f3ricos do continente africano, torna-se postulante do pensamento end\u00f3geno, cr\u00edtico da filosofia enquanto vis\u00e3o de mundo em pa\u00edses da \u00c1frica\u201d.<\/p>\n<p>As suas obras (mais de vinte), segundo o professor Itamar, \u201crevelam sua intensa e diversificada atividade acad\u00eamica, assim como os temas por ele explorado enquanto pesquisador engajado pol\u00edtica, cultural e filosoficamente nas quest\u00f5es essenciais e existenciais dos africanos na contemporaneidade, especialmente dos povos da Costa do Marfim, onde nasceram seus ancestrais&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Em sua primeira obra Remarques sur la philosophie africaine contemporaine, Paulin procura colocar em pr\u00e1tica a filosofia africana, voltando-se para os problemas das condi\u00e7\u00f5es de vida de seu povo. Ele passa a abordar as graves quest\u00f5es que afligem as na\u00e7\u00f5es africanas.<\/p>\n<p>Ao estabelecer comparativo entre a filosofia africana e a europeia, afirma que muitas posi\u00e7\u00f5es dos fil\u00f3sofos do continente fazem parte da mesma estrat\u00e9gia dos colonizadores em desqualificar e de considerar os africanos incapazes de refletir por si e sobre si, e de produzir pensamentos l\u00f3gicos. \u201cEm \u00faltimas palavras, de filosofar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu chamo de filosofia africana um conjunto de textos: precisamente, os textos escritos por autores africanos e qualificados por eles mesmos como filos\u00f3ficos \u2013 ressalta Paulin em seu livro. Ele convoca os pesquisadores conterr\u00e2neos a produzirem sobre e para os africanos que ali nasceram, ou que ali vivem.<\/p>\n<p>Paulin defende que os africanos, confiantes em si mesmos e de modo aut\u00f4nomo, se ocupem com as investiga\u00e7\u00f5es e conhecimentos que respondam aos problemas e quest\u00f5es de interesse direta ou indiretamente dos africanos.<\/p>\n<p>Em seu texto, o professor Itamar enfatiza que o \u201ccolonialismo, a escraviza\u00e7\u00e3o e a di\u00e1spora praticados por franceses, belgas, alem\u00e3es, ingleses, portugueses e outros, ocasionaram movimentos de resist\u00eancia diversas, principalmente nas Am\u00e9ricas para onde foram levados aos milh\u00f5es de indiv\u00edduos na condi\u00e7\u00e3o de mercadorias, comprados e vendidos como animais de tra\u00e7\u00e3o para servi\u00e7os nas planta\u00e7\u00f5es, minera\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o de gado, nos servi\u00e7os dom\u00e9sticos e de ganho, em pa\u00edses como Brasil, Cuba, Estados Unidos, Haiti, M\u00e9xico e outros, no lapso temporal do s\u00e9culo XVI ao XIX, quando se efetivou atr\u00e1s das lutas libert\u00e1rias, a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, sendo o Brasil o \u00faltimo a efetiv\u00e1-la em 13 de maio de 1888\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No livro \u201cIntelectuais das \u00c1fricas\u201d, o professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Itamar Pereira de Aguiar escreve um artigo em que fala do fil\u00f3sofo Paulin Jidnenu Hountondji, que nasceu na Costa do Marfim, em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial. 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