{"id":5994,"date":"2021-08-20T23:33:05","date_gmt":"2021-08-21T02:33:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5994"},"modified":"2021-08-20T23:36:30","modified_gmt":"2021-08-21T02:36:30","slug":"lendas-brasileiras-camara-cascudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/08\/20\/lendas-brasileiras-camara-cascudo\/","title":{"rendered":"&#8220;LENDAS BRASILEIRAS&#8221; &#8211; C\u00c2MARA CASCUDO"},"content":{"rendered":"<p>DIA DO FOLCLORE \u2013 22 DE AGOSTO.<\/p>\n<p>Quando se fala em folclore lembra-se logo do grande escritor potiguar Luis da C\u00e2mara Cascudo que se dedicou ao tema. Com o estrangeirismo na nossa l\u00edngua e o complexo de se imitar tudo que vem de fora, infelizmente nossa juventude prefere incorporar, em corpo e alma, os super-her\u00f3is norte-americanos (falha da nossa educa\u00e7\u00e3o) at\u00e9 em cadernos escolares e esquece dos nossos personagens folcl\u00f3ricos. Em meio a essa perda de identidade, poucos comemoram o dia 22 de agosto, dedicado ao nosso rico folclore brasileiro. Outros nem sabem o que seja folclore.<\/p>\n<p>Primeiro vamos conhecer um pouco sobre o mestre nesse assunto, C\u00e2mara Cascudo, que veio l\u00e1 do Rio Grande do Norte. O professor Osmar Barbosa nos apresenta que ele iniciou sua carreira liter\u00e1ria como jornalista do peri\u00f3dico \u201cA Imprensa\u201d, de Natal, de propriedade do pr\u00f3prio pai. Iniciou seus estudos de medicina na Bahia, mas por quest\u00f5es financeiras, se bacharelou em Direito pela Faculdade de Recife.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2383.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5995\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2383.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2383.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2383-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>C\u00e2mara nasceu em 30 de dezembro de 1898 e faleceu em 30 de junho de 1986 (coincid\u00eancia do 30). Era filho do coronel Francisco Justino de Oliveira Cascudo e Ana Maria da C\u00e2mara Cascudo. Na juventude, viveu na ch\u00e1cara Villa Cascudo, no bairro Tirol. Em sua casa acompanhava desde crian\u00e7a as reuni\u00f5es liter\u00e1rias que ocorriam entre a fam\u00edlia e amigos. Com 19 anos ingressou no jornal do seu pai, e sua primeira cr\u00f4nica foi \u201cTempo e Eu\u201d.<\/p>\n<p>Em 1920 escreveu a introdu\u00e7\u00e3o e as notas na antol\u00f3gica po\u00e9tica de Lourival A\u00e7ucena, intitulada \u201cVersos Reunidos\u201d. Em 1941 fundou a Sociedade Brasileira de Folclore. Foi professor de Direito Internacional entre os anos 50 e 60. Em sua viagem pelo exterior, esteve em Angola, Guin\u00e9, Congo, S\u00e3o Tom\u00e9, Cabo Verde e Guin\u00e9-Bissau. Com resultado, escreveu \u201cA Cozinha Africana no Brasil\u201d (1964) e \u201cHist\u00f3ria da Alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d, entre 1967 e 1968.<\/p>\n<p>Aos 21 anos, C\u00e2mara lan\u00e7ou seu primeiro livro \u201cAlma Patr\u00edcia\u201d sobre autores do Rio Grande do Norte onde foi professor de Direito Internacional. Em sua vida, publicou mais de 50 volumes. \u00a0Sempre manteve suas ra\u00edzes fincadas em sua terra natal, cercado de pessoas humildes e velhos amigos, quando poderia ter gozado de grandes prest\u00edgios em outros centros culturais do pa\u00eds.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2387.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5996\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2387.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2387.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2387-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Diz o professor Osmar, que C\u00e2mara fez-se not\u00e1vel folclorista dedicando todo seu tempo a buscar conhecimento no assunto. Foi o primeiro a compor um Dicion\u00e1rio do Folclore Brasileiro. Entre seus trabalhos merecem destaque Vaqueiros e Cantadores, Lendas Brasileiras, Contos Tradicionais do Brasil, Geografia dos Mitos Brasileiros, Trinta Est\u00f3rias Brasileiras, Vida e Conto de Cangaceiros e Tradi\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancia do Povo.<\/p>\n<p>\u201cLendas Brasileiras\u201d cont\u00e9m 21 hist\u00f3rias, tais como A Lenda de Iara, Cobra Nonato, Lenda da Sapucaia-Roca e Barba-Ruiva relacionadas \u00e0 regi\u00e3o Norte. Com refer\u00eancia ao Nordeste, destacam-se A Cidade Encantada de Jericoacoara, Carro Ca\u00eddo, Senhor do Corpo Santo, As Mangas de Jasmim de Itamarac\u00e1 e A Morte de Zumbi. Para o oeste, O Frade e a Freira, A Serpente Emplumada da Lapa e O Sonho de Paragua\u00e7u. Para a regi\u00e3o Sul, O Negrinho do Pastoreio, A Lenda da Gralha Azul, Fonte dos Amores, A Virgem Aparecida e a Lenda de Itarar\u00e9. Para o Centro, Tatus Brancos, A Missa dos Mortos, Chico Rei e Rom\u00e3ozinho. S\u00e3o lendas oriundas do folclore e da poesia dos estados brasileiros.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2389.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5997\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2389.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2389.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2389-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>De acordo com o professor Osmar, n\u00e3o se faz literatura sem tradi\u00e7\u00e3o popular. \u201cO pr\u00f3prio classicismo termina se inspirando nas fontes mitol\u00f3gicas da velha Gr\u00e9cia. O folclore \u00e9 um ramo da ci\u00eancia antropol\u00f3gica que estuda as manifesta\u00e7\u00f5es coletivas da cultura popular, abrangendo estudos e classifica\u00e7\u00e3o de pa\u00edses civilizados atrav\u00e9s de contos, lendas, f\u00e1bulas, can\u00e7\u00f5es, crendices, supersti\u00e7\u00f5es, usos, costumes e adivinha\u00e7\u00f5es\u201d, entre outras.<\/p>\n<p>\u201cAinda hoje em todo mundo os estudiosos do tema examinam objetos, utens\u00edlios, tipos de habita\u00e7\u00e3o e trajes t\u00edpicos regionalistas. Em todos pa\u00edses existem lendas, ap\u00f3logos, costumes e supersti\u00e7\u00f5es, unindo a tradi\u00e7\u00e3o popular que faz parte da alma de um povo\u201d. Para o professor, \u201cos contos populares do Brasil t\u00eam o sabor de uma fruta do mato, o cheiro agreste da flor mais vi\u00e7osa, a fantasia colorida com as tintas da nossa selva e o encanto de um primitivismo tropical\u201d.<\/p>\n<p>O escritor Jo\u00e3o Ribeiro dizia que \u201co folclore \u00e9 uma pesquisa de psicologia dos povos, das suas ideias e seus sentimentos comuns, do seu inconsciente, constituindo a fonte viva donde saem os g\u00eanios&#8230;\u201d. No folclore, a literatura encontra o veio certo para produzir obras imortais da arte que d\u00e3o gl\u00f3ria a um povo.<\/p>\n<p>\u201cVaqueiros e Cantadores\u201d &#8211; folclore po\u00e9tico do sert\u00e3o de Pernambuco, Para\u00edba, Rio Grande do Norte e Cear\u00e1, de Luis da C\u00e2mara Cascudo, fala dos temas O Desafio, A Donzela Teodoro, Boi Surubim, O Padre C\u00edcero, Pedro Malasarte, As Lendas de Pedro Cem, a Cria\u00e7\u00e3o do Mundo, A Princesa Magalona e Sert\u00e3o d\u00b4Inverno.<\/p>\n<p>\u201cTanto pego boi no fechado como canto desafio\u201d. C\u00e2mara afirma que neste livro ele re\u00fane quinze anos de sua vida. Notas, leituras, observa\u00e7\u00f5es, tudo compendiei pensando um dia neste \u201cVaqueiros e Cantadores\u201d. Diz o autor que o material foi colhido diariamente na mem\u00f3ria de uma inf\u00e2ncia sertaneja, despreocupada e livre.<\/p>\n<p>\u201cVivi no sert\u00e3o t\u00edpico agora desaparecido. A luz el\u00e9trica n\u00e3o aparecera. O gramofone era um deslumbramento. O velho Jo\u00e3o de Holanda, de Caiana, perto de Augusto Severo, ajoelhou-se no meio da estrada e confessou, aos berros, todos os pecados, quando avistou, ao sol-se-p\u00f4r, o primeiro autom\u00f3vel\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DIA DO FOLCLORE \u2013 22 DE AGOSTO. Quando se fala em folclore lembra-se logo do grande escritor potiguar Luis da C\u00e2mara Cascudo que se dedicou ao tema. 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