{"id":597,"date":"2014-11-06T23:35:33","date_gmt":"2014-11-07T02:35:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=597"},"modified":"2014-11-06T23:35:46","modified_gmt":"2014-11-07T02:35:46","slug":"futebol-do-sul-a-paixao-nordestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/11\/06\/futebol-do-sul-a-paixao-nordestina\/","title":{"rendered":"FUTEBOL DO SUL, A PAIX\u00c3O NORDESTINA"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez &#8211; Jornalista<\/p>\n<p>Os n\u00fameros da \u00faltima elei\u00e7\u00e3o presidencial elevaram o clima de animosidade entre o Norte e o Sul do Brasil. Internautas paulistas, cariocas, ga\u00fachos, paranaenses e catarinenses, utilizaram as redes sociais para ofender os nordestinos e para propor a separa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, reivindica\u00e7\u00e3o que nos remota ao passado, com a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, entre 1835 e 1845, e o levante de S\u00e3o Paulo, na d\u00e9cada de 30 do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Os raivosos separatistas de hoje n\u00e3o cogitam, pelo menos, no momento, em pegar em armas, como fizeram, no passado, ga\u00fachos e paulistas, que sonhavam em formar estados independentes, como quer, por exemplo, a Catalunha, na Espanha. As propostas de hoje visam, sobretudo, confinar o cabe\u00e7a chata em seu territ\u00f3rio. Romeu Tuma J\u00fanior, ex-secret\u00e1rio nacional de Justi\u00e7a, sugere a constru\u00e7\u00e3o de um muro, uma c\u00f3pia do que foi erguido em Berlim ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra Mundial, que se estenderia desde a fronteira do Acre com o Peru at\u00e9 o extremo sul da Bahia. A cantora paraibana Elba Ramalho declarou, certa vez, que, diante da secess\u00e3o, o Nordeste adotaria, oficialmente, a obra prima &#8220;Asa Branca&#8221;, do compositor pernambucano Luiz Gonzaga, como o seu hino.<\/p>\n<p>Uma das preocupa\u00e7\u00f5es do movimento separatista catal\u00e3o diz respeito ao esporte e, mas particularmente, ao futebol. O Barcelona, a maior for\u00e7a esportiva da regi\u00e3o, seria exclu\u00eddo do milion\u00e1rio campeonato espanhol, impedido de medir for\u00e7as com Real Madrid, Sevilla e Valencia, jogos que levam mais de 80 mil pessoas ao Camp Nou?<\/p>\n<p><!--more-->Provavelmente, nenhum dos indignados defensores de uma mudan\u00e7a radical na geografia do Brasil pensou no esporte. Desde a implanta\u00e7\u00e3o dos torneios nacionais de futebol apenas dois clubes nordestinos, o Bahia e o Sport do Recife, colocaram os seus nomes entre os campe\u00f5es brasileiros, sendo que o tricolor baiano foi o \u00fanico representante do Norte-Nordeste na forma\u00e7\u00e3o do Clube dos 13, respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o de competi\u00e7\u00f5es nacionais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do futebol, cujos representantes na s\u00e9rie &#8220;A&#8221; lutam todos os anos contra o rebaixamento, o Nordeste n\u00e3o traz nenhuma contribui\u00e7\u00e3o para o esporte brasileiro. No ano passado, o Sport chegou a disputar a liga nacional de v\u00f4lei e o Maranh\u00e3o formou uma razo\u00e1vel equipe de basquete feminino. Foram exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Vamos tomar a Bahia como exemplo. No profissionalismo, Bahia e Vit\u00f3ria est\u00e3o nas \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es no Brasileir\u00e3o; na s\u00e9rie &#8220;D&#8221;, o Vit\u00f3ria da Conquista n\u00e3o venceu nem uma partida, e a Jacuipense jogou em Feira de Santana por falta de campo em Riach\u00e3o do Jacu\u00edpe. Com rela\u00e7\u00e3o ao amadorismo fa\u00e7o unicamente um registro: para a constru\u00e7\u00e3o da Arena Itaipava, a Bahia perdeu um gin\u00e1sio de esportes, uma piscina ol\u00edmpica e uma pista de atletismo. Junto com os escombros foram \u201csepultados\u201d os nomes dos ex-governadores baianos Oct\u00e1vio Mangabeira, Ant\u00f4nio Balbino e Juracy Magalh\u00e3es, que batizavam o complexo esportivo situado na Fonte Nova.<\/p>\n<p>Nessa \u201cbriga\u201d, torcedores nortistas e nordestinos, em sua maioria, ficar\u00e3o contra a separa\u00e7\u00e3o. Afinal de contas, eles s\u00f3 lotam os est\u00e1dios locais quando por aqui se apresentam os times do Rio e S\u00e3o Paulo. No Brasileir\u00e3o deste ano, onde a m\u00e9dia de p\u00fablico no Maracan\u00e3 n\u00e3o chega a 15 mil pagantes, o Botafogo pediu desculpas \u00e0 sua torcida e levou seus jogos para Manaus e Natal.<\/p>\n<p>Fluminense de Feira de Santana, Corinthians de Alagoas, Flamengo do Piau\u00ed, Botafogo da Para\u00edba, Am\u00e9rica do Rio Grande do Norte, revelam o amor do torcedor nordestino pelas cores dos clubes do Sudeste. Essa paix\u00e3o vem desde a d\u00e9cada de 40, quando as r\u00e1dios Globo e Nacional levavam atrav\u00e9s de suas ondas poderosas o futebol carioca para todo o Brasil.<\/p>\n<p>Testemunhei, como rep\u00f3rter esportivo de \u201cA Tarde\u201d, na cobertura do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que precedeu o Campeonato Brasileiro, a afei\u00e7\u00e3o profunda dos sergipanos pelos clubes cariocas e paulistas. \u00danico representante do Nordeste na competi\u00e7\u00e3o, o Bahia teve em 1971 seu mando de campo transferido para Aracaju porque o est\u00e1dio da Fonte Nova estava em obras para coloca\u00e7\u00e3o do segundo anel de arquibancadas. Desportistas locais formavam caravanas para ir ao aeroporto recepcionar as delega\u00e7\u00f5es do Sudeste, e, no \u201cBatist\u00e3o\u201d, torciam contra os baianos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez &#8211; Jornalista Os n\u00fameros da \u00faltima elei\u00e7\u00e3o presidencial elevaram o clima de animosidade entre o Norte e o Sul do Brasil. 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