{"id":5954,"date":"2021-08-10T22:23:15","date_gmt":"2021-08-11T01:23:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5954"},"modified":"2021-08-10T22:23:29","modified_gmt":"2021-08-11T01:23:29","slug":"um-pais-famelico-e-um-dos-maiores-produtores-de-alimentos-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/08\/10\/um-pais-famelico-e-um-dos-maiores-produtores-de-alimentos-do-mundo\/","title":{"rendered":"UM PA\u00cdS FAM\u00c9LICO E UM DOS MAIORES PRODUTORES DE ALIMENTOS DO MUNDO"},"content":{"rendered":"<p>Nossos contrastes e paradoxos est\u00e3o vis\u00edveis em todas as partes no campo pol\u00edtico, social, econ\u00f4mico e educacional. A come\u00e7ar, somos uma pa\u00eds rico de um povo historicamente pobre e desigual. As riquezas naturais s\u00e3o imensas e belas, mas est\u00e3o sendo destru\u00eddas, casos espec\u00edficos dos nossos biomas pantanal e amaz\u00f4nico, sem falar do cerrado, da caatinga, da mata atl\u00e2ntica e dos pampas.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o vice-campe\u00e3o, mas \u00e9 tamb\u00e9m um pa\u00eds de gente fam\u00e9lica de cerca de 50 milh\u00f5es de habitantes que t\u00eam profundas defici\u00eancias nutricionais. Uma grande parte populacional vive \u00e0 base do feij\u00e3o com arroz, isto quando consegue comprar esses produtos, agora os vil\u00f5es dos altos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>O Nordeste \u00e9 a regi\u00e3o que mais passa fome (s\u00f3 na Bahia quase um milh\u00e3o), tanto que seu povo apresenta defici\u00eancias em sua estrutura f\u00edsica em termos de tamanho e massa corp\u00f3rea. Morre-se mais cedo. \u00c9 onde est\u00e1 o maior \u00edndice de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza, que mal fazem uma refei\u00e7\u00e3o por dia. Nossas crian\u00e7as j\u00e1 nascem sem futuro.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 muito ir\u00f4nico e vergonhoso quando o Brasil \u00e9 o maior produtor de caf\u00e9, de soja e carne bovina do mundo.\u00a0 \u00c9 tamb\u00e9m um dos maiores na produ\u00e7\u00e3o de frutas, hortali\u00e7as, milho, cana-de-a\u00e7\u00facar, carne su\u00edna e av\u00edcola. Temos comida para abastecer parte do mundo.<\/p>\n<p>Mesmo com essa grandeza, falta alimento na mesa de milh\u00f5es de brasileiros, principalmente agora com a alta inflacion\u00e1ria que incide sobre esses produtos, a maioria com pre\u00e7os cotados no mercado internacional. O economista pode at\u00e9 explicar esse processo cambial do sistema capitalista da oferta e da procura que faz os pre\u00e7os oscilarem, mas n\u00e3o convence o pobre quando se trata de barriga vazia. Nas sinaleiras crescem o n\u00famero de cartazes avisando \u201cT\u00f4 com fome, ajude!<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas mat\u00e9rias-primas agr\u00edcolas de exporta\u00e7\u00e3o, onde o Brasil \u00e9 autossuficiente, existem produtos, a exemplo do arroz, que o pa\u00eds \u00e9 deficit\u00e1rio, isto \u00e9, o consumo \u00e9 maior que a demanda, mas, mesmo assim, a prefer\u00eancia \u00e9 exportar para o exterior. O contraste \u00e9 que toda produ\u00e7\u00e3o \u00e9 vendida l\u00e1 fora, e o governo \u00e9 obrigado a importar o arroz de outros pa\u00edses asi\u00e1ticos a um custo maior. L\u00e1 se v\u00e3o nossas reservas cambiais.<\/p>\n<p>A agropecu\u00e1ria no Brasil \u00e9 altamente subsidiada, a come\u00e7ar pelo cr\u00e9dito a juros mais baixos, e quase tudo que produz \u00e9 comercializado para fora, na cota\u00e7\u00e3o internacional. Ent\u00e3o, o brasileiro de menor poder aquisitivo paga o mesmo valor de outro pa\u00eds, cujo povo possui melhores condi\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>Outra ironia que pagamos por essa pol\u00edtica de priorizar o mercado externo \u00e9 que os produtores sempre se fazem de \u201cbonzinhos\u201d, dizendo que s\u00e3o respons\u00e1veis por colocar comida em nossas mesas, o que \u00e9 uma mentira. Acima de tudo, o neg\u00f3cio deles s\u00e3o os d\u00f3lares, e quem puder que siga o c\u00e2mbio. Os outros que passem fome. Isso, no m\u00ednimo \u00e9 desumano.<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m outra ironia e paradoxo. Para o exterior, os alimentos de melhor qualidade, como a manga, o mam\u00e3o, o mel\u00e3o, a carne e outros itens, que s\u00e3o selecionados para esse fim. O consumidor brasileiro fica com a parte inferior, com o refugo e as sobras, pagando o mesmo valor. As frutas, principalmente, est\u00e3o carregadas de agrot\u00f3xicos venenosos.<\/p>\n<p>Quem ainda ameniza essa situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria e n\u00e3o \u00e9 reconhecido pelo governo, especialmente o atual, \u00e9 o agricultor familiar que d\u00e1 um duro danado, sem recursos para aumentar a produtividade e enfrentar as adversidades clim\u00e1ticas. Este ainda \u00e9 roubado pelo atravessador; termina ficando praticamente sem nada; e passa necessidades tamb\u00e9m, inclusive fome.<\/p>\n<p>O familiar ainda tem a virtude de preservar o meio ambiente. O contr\u00e1rio do agroindustrial que derruba e queima nossas florestas para plantar soja para a China. Para quem est\u00e1 distante dessa cruel realidade fica at\u00e9 com pena quando v\u00ea um empres\u00e1rio desse setor se queixando e derramando \u201cl\u00e1grimas de crocodilo\u201d. Eles n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed para quem est\u00e1 passando fome. \u00c9 a lei do mais forte. Como educar um pa\u00eds fam\u00e9lico? Sem educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe desenvolvimento, e as desigualdades sociais s\u00f3 aumentam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossos contrastes e paradoxos est\u00e3o vis\u00edveis em todas as partes no campo pol\u00edtico, social, econ\u00f4mico e educacional. A come\u00e7ar, somos uma pa\u00eds rico de um povo historicamente pobre e desigual. 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