{"id":5948,"date":"2021-08-07T01:06:36","date_gmt":"2021-08-07T04:06:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5948"},"modified":"2021-08-07T01:06:51","modified_gmt":"2021-08-07T04:06:51","slug":"intelectuais-das-africas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/08\/07\/intelectuais-das-africas\/","title":{"rendered":"&#8220;INTELECTUAIS DAS \u00c1FRICAS&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O livro \u201cIntelectuais das \u00c1fricas\u201d, organizado por Silvio de Almeida Carvalho Filho e Washington Santos Nascimento, \u00e9 uma obra elaborada e comentada por v\u00e1rias cabe\u00e7as intelectuais, inclusive conta com a colabora\u00e7\u00e3o do acad\u00eamico e professor Itamar Pereira Aguiar, que nos adiantou j\u00e1 ser um sucesso de leitura, colocado como o 12\u00ba mais procurado no Amazon.<\/p>\n<p>N\u00e3o resta d\u00favida ser um trabalho inestim\u00e1vel em termos de contribui\u00e7\u00e3o para o conhecimento humano sobre o continente africano, e de grande valia para estudantes, professores, cientistas pol\u00edticos e outros interessados pelo assunto, principalmente em salas de aulas.<\/p>\n<p>Como o pr\u00f3prio t\u00edtulo j\u00e1 diz, acad\u00eamicos e estudiosos se debru\u00e7am em traduzir o pensamento de grandes intelectuais da \u00c1frica que abriram o desconhecido e constru\u00edram pilares culturais mais s\u00f3lidos rumo a novas mudan\u00e7as pol\u00edticas continentais, especialmente no p\u00f3s-colonialismo europeu.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2266.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5949\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2266.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2266.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2266-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cIntelectuais das \u00c1fricas\u201d \u00e9 prefaciado pelo fil\u00f3sofo Renato Nogueira que abre o texto com Anta Diop, citando o professor Leakey na quest\u00e3o do povoamento do mundo onde viviam os primeiros seres na regi\u00e3o dos Grandes Lagos. \u201cIsso quer dizer que toda ra\u00e7a humana teve sua origem, exatamente como supunham os antigos, aos p\u00e9s das montanhas da Lua\u201d &#8211;<\/p>\n<p>No quesito civiliza\u00e7\u00f5es humanas, de acordo com Nogueira, a \u00c1frica \u00e9 o continente mais antigo do planeta. Em refer\u00eancia aos intelectuais, objeto de abordagem do estudo, o fil\u00f3sofo destaca o senegal\u00eas Cheikh Anta Diop que, de uma forma ou de outra, influenciou o mundo acad\u00eamico africano.<\/p>\n<p>Para o prefaciador do livro, Diop foi o primeiro grande intelectual africano do s\u00e9culo XX. Foi ele que deu voz em favor do protagonismo investigativo de africanas e africanos para contarem sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, apresentando suas teses sobre os fen\u00f4menos filos\u00f3ficos, sociais, art\u00edsticos, cient\u00edficos e pol\u00edticos \u2013 disse. Diop abriu caminho para todos os outros que vieram depois.<\/p>\n<p>Em seguida, Nogueira aponta Achile Mbembe, Valentim Mudimbe, Paulim Jidneu, Malek Chebel, Fatema Mernissi (marroquina), Osmane Sembene, Fela Kute e o afrobeat Wole Soynka, Uanhenga Xitu, Mia Couto, Chimamanda Adichie (feminista nigeriana), Pepetela, Am\u00edlcar Cabral e Frantz Fanon. Todos eles \u201cusam um sotaque africano para expor o que pensam\u201d.<\/p>\n<p>Nogueira fala de Isabelle Christine de Castro que faz um retrato de Fatema como uma das pioneiras no projeto de fazer uma tradu\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica e jur\u00eddica do lugar feminino no mundo do islamismo, com uma cr\u00edtica do lugar patriarcal.<\/p>\n<p>Outro que fez uma incurs\u00e3o na cultura \u00e1rabe-isl\u00e2mica foi o argelino Chebel, ao argumentar que o isl\u00e3\u00a0 n\u00e3o se op\u00f5e ao ocidente. Nesse cap\u00edtulo do livro, quem faz a apresenta\u00e7\u00e3o de Chebel \u00e9 o acad\u00eamico Murilo Sebe Bon Meihy. Quem traduz o pensamento do fil\u00f3sofo Valentim \u00e9 Regiane Augusto de Mattos. Na sua vis\u00e3o, Valentim \u00e9 um intelectual feito no mundo colonial, herdeiro de uma tradi\u00e7\u00e3o cultural africana, formado pela cultura cat\u00f3lica beneditina.<\/p>\n<p>Na obra aparece o professor Itamar Aguiar que descreve o pensamento do costa marfinense Paulim Jidenu. \u201cAguiar tem a felicidade de fazer uma bela radiografia da trajet\u00f3ria e interesses intelectuais de Jidenu\u201d. Trata-se de \u201cum fil\u00f3sofo influente que abriu v\u00e1rias linhas de investiga\u00e7\u00e3o, incontorn\u00e1vel quando o assunto \u00e9 hist\u00f3ria da filosofia africana contempor\u00e2nea\u201d \u00b4ressalta Nogueira.<\/p>\n<p>Do nigeriano Soynka, o autor do pref\u00e1cio cita seu livro \u201cO Le\u00e3o e a J\u00f3ia\u201d. Para ele, \u00e9 um trabalho onde a modernidade e a tradi\u00e7\u00e3o disputam protagonismo na \u00c1frica do presente. Quem fala da literatura de Soynka \u00e9 Divanize Carbonieri.<\/p>\n<p>Sobre Ant\u00f4nio Em\u00edlio Leite Couto, Mia Couto, muito conhecido no mercado liter\u00e1rio de l\u00edngua portuguesa, T\u00e2nia Macedo abre seu texto tecendo coment\u00e1rios sobre uma entrevista dado pelo intelectual mo\u00e7ambicano onde declara que deixou a milit\u00e2ncia pol\u00edtica para continuar fazendo pol\u00edtica atrav\u00e9s da sua escrita.<\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m passou a fazer milit\u00e2ncia pol\u00edtica atrav\u00e9s da literatura foi o angolano Uanhenga Xitu. Quem se debru\u00e7a sobre ele no livro \u00e9 Washington Nascimento. Xitu esteve ligado \u00e0s miss\u00f5es crist\u00e3s, inicialmente ligadas \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, e depois acolhido por grupos protestantes. O intelectual chegou a ser membro do Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola.<\/p>\n<p>O historiador Silvio de Almeida Carvalho Filho escreveu sobre o escritor angolano Artur Carlos Maur\u00edcio dos Santos, conhecido como Pepetela. O cap\u00edtulo escrito por Amilton Azevedo apresenta Fela Kuti, um dos grandes nomes da cena musical mundial, \u201cuma reinven\u00e7\u00e3o da \u00c1frica imersa no contexto daquilo que passou a ser chamado de renascimento africano\u201d<\/p>\n<p>Am\u00edlcar Cabral, de Guin\u00e9-Bissau, foi uma figura marcante no processo pol\u00edtico de descoloniza\u00e7\u00e3o africana. F\u00e1bio Baqueiro deixa expl\u00edcito que Cabral, apesar de ter vivido pouco (assassinado aos 48 anos), foi um ativista e l\u00edder pol\u00edtico que influenciou todo o continente.<\/p>\n<p>Muryatan Barbosa escreve sobre Frantz Fanon, que viveu apenas 36 anos, mas que foi um divisor de \u00e1guas para os estudos p\u00f3s-coloniais, segundo Renato Nogueira. Fanon foi um pensador muito lido pelo Movimento Negro no Brasil, nos anos 70.<\/p>\n<p>E, finalmente, Jos\u00e9 Rivair Mecedo, apresenta o camaron\u00eas Achile Mbembe, um dos maiores intelectuais p\u00fablicos do mundo contempor\u00e2neo. \u201cEste livro cumpre o papel de provocar com a devida qualidade, mobilizando leitoras e leitores para descolonizar a \u00c1frica, abandonar fic\u00e7\u00f5es m\u00edticas sobre o continente, injetando em nossos cora\u00e7\u00f5es e mentes, doses largas de elementos cr\u00edticos para releitura da realidade\u201d \u2013 finaliza Nogueira.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2269.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5950\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2269.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2269.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/IMG_2269-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro \u201cIntelectuais das \u00c1fricas\u201d, organizado por Silvio de Almeida Carvalho Filho e Washington Santos Nascimento, \u00e9 uma obra elaborada e comentada por v\u00e1rias cabe\u00e7as intelectuais, inclusive conta com a colabora\u00e7\u00e3o do acad\u00eamico e professor Itamar Pereira Aguiar, que nos adiantou j\u00e1 ser um sucesso de leitura, colocado como o 12\u00ba mais procurado no Amazon. 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