{"id":5898,"date":"2021-07-23T23:06:25","date_gmt":"2021-07-24T02:06:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5898"},"modified":"2021-07-23T23:06:36","modified_gmt":"2021-07-24T02:06:36","slug":"remanso-uma-comunidade-magico-religiosa-v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/07\/23\/remanso-uma-comunidade-magico-religiosa-v\/","title":{"rendered":"&#8220;REMANSO &#8211; UMA COMUNIDADE M\u00c1GICO-RELIGIOSA&#8221; (v)"},"content":{"rendered":"<p>O JAR\u00ca, O GARIMPEIRO E OS DIAMANTES EM LEN\u00c7\u00d3IS<\/p>\n<p>\u201cO Jar\u00ea \u00e9 uma religi\u00e3o de base angolana, bastante influenciada pela cultura jeje e com muitas faces das aquisi\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em as encantarias, entre as quais destacamos a caboclariza\u00e7\u00e3o dos orix\u00e1s\u201d \u2013 ressaltam os autores da obra, Ronaldo Senna e Itamar Aguiar, que descrevem a forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is, que contou com a colabora\u00e7\u00e3o cultural do garimpeiro, a grande maioria vinda das Minas Gerais.<\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o desse cap\u00edtulo, os acad\u00eamicos d\u00e3o ao leitor uma vis\u00e3o pol\u00edtico-administrativa sobre o munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is, antes pertencente a Mucug\u00ea (Santa Isabel do Paragua\u00e7u), tornando-se cidade em 20 de maio de 1864, e comarca das Lavras Diamantinas at\u00e9 31 de dezembro de 1937.<\/p>\n<p>Em seguida, citam os nomes dos intendentes e prefeitos, inclusive do famoso coronel Hor\u00e1cio Queiroz de Mattos, dentre outros que contribu\u00edram para o desenvolvimento socioecon\u00f4mico do munic\u00edpio, hoje uma refer\u00eancia no turismo, tanto no \u00e2mbito nacional, como internacional.<\/p>\n<p>Falam da grande presen\u00e7a dos cat\u00f3licos na forma\u00e7\u00e3o religiosa da popula\u00e7\u00e3o, assinalando, no entanto, que muitos tamb\u00e9m eram adeptos do Jar\u00ea, incorporando orix\u00e1s, caboclos e encantados. Essas pessoas sempre evitaram declarar dupla perten\u00e7a religiosa.<\/p>\n<p>Por outro lado, conforme pesquisadores figurados no livro, existia tamb\u00e9m essa dupla perten\u00e7a do povo de santo ao catolicismo e ao culto dos orix\u00e1s, respons\u00e1vel pelo sincretismo afro-brasileiro. Segundo os professores, esse referencial procede, pois \u201cna realidade \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o de cren\u00e7as tribais africanas, que se dividem em na\u00e7\u00f5es, que indicam a proced\u00eancia do culto e o tipo de deus que o rege\u201d (Epega, p. 160).<\/p>\n<p>Ao localizar a \u00e1rea onde o Jar\u00ea viceja, Ronaldo e Itamar observam que ela foi constitu\u00edda por brasileiros vindos de diversos lugares, como Minas Gerais, principalmente da regi\u00e3o do Gr\u00e3o Mongol, e da cidade de Diamantina, como tamb\u00e9m do Vale do S\u00e3o Francisco e da Zona do Rec\u00f4ncavo. Contou ainda com a presen\u00e7a de estrangeiros \u00e1rabes, judeus, franceses e africanos.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o com a agricultura e a pecu\u00e1ria, mais ou menos de previsibilidades, os autores dizem que a garimpagem de gemas orienta-se, na realidade, por regras do jogo, sendo o pr\u00f3prio garimpo um jogo. Mais adiante falam sobre a prospec\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Nesse quadro tem o dono da serra (propriet\u00e1rio de um trecho de terra), o dono do garimpo que arrenda a \u00e1rea por uma quantia fixa anual, ou faz um acordo com o dono da serra pela subdivis\u00e3o do quinto, e o capangueiro, que \u00e9 um tipo de comprador. Existe ainda o chamado meia-pra\u00e7a, a parte dividida entre o garimpeiro e o fornecedor (o empres\u00e1rio).<\/p>\n<p>Itamar e Ronaldo detalham o papel de cada um dentro da garimpagem, e afirmam que o garimpo pode ser classificado como seco ou molhado, isto \u00e9, aquele em que os garimpeiros t\u00eam de deslocar \u00e1gua at\u00e9 o seco. No caso dos molhados, s\u00e3o garimpos de grunas de olhos d\u00b4\u00e1gua, ou leitos dos rios.<\/p>\n<p>Existem tamb\u00e9m os garimpos equipados com infraestrutura de tanques. Neles ocorrem v\u00e1rias formas de pagamento e rela\u00e7\u00f5es entre as partes, terminando no lapid\u00e1rio que transforma a pedra num brilhante, o qual \u00e9 revendido a outros comerciantes, como ourives e joalheiros.<\/p>\n<p>Quanto a decad\u00eancia, descrevem que esta fase motivou o comportamento de n\u00e3o pagar o quinto, sob alega\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser roubo. Houve tamb\u00e9m a \u00e9poca de pagamentos de di\u00e1rias por donos de garimpo e garimpeiros, rela\u00e7\u00e3o que dispensa o fornecedor. Isso era muito usado nos tempos da floresc\u00eancia (corrida do diamante).<\/p>\n<p>\u201cO passado \u00e9 uma refer\u00eancia constante; o presente, um lamento impregnado do sentido de perda; e o futuro, algo difuso, confuso, ausente como projeto, fugidio\u201d \u2013 assinalam os autores do livro, fazendo pontua\u00e7\u00e3o sobre as lutas pol\u00edticas dos coron\u00e9is e jagun\u00e7os, durante a Rep\u00fablica Velha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O JAR\u00ca, O GARIMPEIRO E OS DIAMANTES EM LEN\u00c7\u00d3IS \u201cO Jar\u00ea \u00e9 uma religi\u00e3o de base angolana, bastante influenciada pela cultura jeje e com muitas faces das aquisi\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em as encantarias, entre as quais destacamos a caboclariza\u00e7\u00e3o dos orix\u00e1s\u201d \u2013 ressaltam os autores da obra, Ronaldo Senna e Itamar Aguiar, que descrevem a forma\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5898"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5898"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5898\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5899,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5898\/revisions\/5899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5898"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5898"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5898"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}