{"id":5875,"date":"2021-07-16T22:48:29","date_gmt":"2021-07-17T01:48:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5875"},"modified":"2021-07-16T22:48:42","modified_gmt":"2021-07-17T01:48:42","slug":"remanso-uma-comunidade-magico-religiosa-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/07\/16\/remanso-uma-comunidade-magico-religiosa-iv\/","title":{"rendered":"&#8220;REMANSO &#8211; UMA COMUNIDADE M\u00c1GICO-RELIGIOSA&#8221; (IV)"},"content":{"rendered":"<p>A GARIMPAGEM E A CULTURA DIAMANTINA NA BAHIA<\/p>\n<p>Nesse cap\u00edtulo, os autores e acad\u00eamicos Ronaldo Senna e Itamar e Aguiar falam da Chapada Diamantina como polo produtor e comercial das pedras, atraindo indiv\u00edduos de etnias e culturas diferentes. Essa cultura garimpeira, como j\u00e1 foi dito, prosperou mais em Mucug\u00ea, Andara\u00ed, Len\u00e7\u00f3is, Iraquara e Palmeiras onde foram criadas as \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental, o Parque Nacional da Chapada e a APA Marimbus Iraquara.<\/p>\n<p>Os autores citam no livro que os pesquisadores alem\u00e3es Spix e Martius percorreram o interior da Bahia, entre os anos de 1817 e 1820, indo de Malhada de Pedras \u00e0 capital. Os estrangeiros descreveram os aspectos do solo e as atividades agr\u00edcola, pecu\u00e1ria e a minera\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos costumes e h\u00e1bitos dessa gente. Na Villa do Rio de Contas encontraram semelhan\u00e7as com a regi\u00e3o do Tijuco (Diamantina) Minas Gerais.<\/p>\n<p>Como em Minas Gerais, tamb\u00e9m se verificou a presen\u00e7a do diamante no cascalho aur\u00edfero, caso de Rio de Contas. Na obra \u201cRemanso\u201d, ainda s\u00e3o citados os pesquisadores e estudiosos da regi\u00e3o, como o engenheiro Teodoro Sampaio e o escritor Afr\u00e2nio Peixoto.<\/p>\n<p>O primeiro percorreu o Vale do S\u00e3o Francisco e da Chapada pelos anos de 1979 a 1980, tendo visitado Mucug\u00ea (Santa Isabel do Paragua\u00e7u) onde teve in\u00edcio a garimpagem do diamante, predominando a etnia mesti\u00e7a. A Serra do Sincor\u00e1 foi onde se encontrou grandes quilatagens das gemas (Andara\u00ed, Mucug\u00ea, Len\u00e7\u00f3is, Palmeiras e a Villa de Xiquexique-Igatu).<\/p>\n<p>Os autores constataram em seus trabalhos, que o ciclo do ouro (um s\u00e9culo) foi bem mais longo que do diamante (um quarto de s\u00e9culo). Em Len\u00e7\u00f3is, a decad\u00eancia foi extrema, n\u00e3o se encontrando diamantes de mais de uma oitava, mas os carbonatos (utilizados na ind\u00fastria de perfura\u00e7\u00e3o de t\u00faneis) eram mais abundantes.<\/p>\n<p>O segundo indicado no livro foi o romancista e escritor de Len\u00e7\u00f3is, J\u00falio de Afr\u00e2nio Peixoto (1876-1947), membro da Academia Brasileira de Letras, com v\u00e1rios livros que falam da Chapada, narrando costumes e h\u00e1bitos do povo.\u00a0 A obra \u201cBugrinha\u201d, inclusive, serviu de argumento para o roteiro de \u201cDiamante Bruto\u201d, do diretor Orlando Senna, em 1977, filmado em Len\u00e7\u00f3is.<\/p>\n<p>De acordo com os acad\u00eamicos, a cultura garimpeira se organizou atrav\u00e9s da economia do diamante e do carbonato. Itamar e Ronaldo descrevem sobre a consci\u00eancia mineral da magia, com seus mitos, c\u00f3digos e mitemas, apontando os aspectos folcl\u00f3ricos das festas populares (sacerdotes, brincantes e m\u00fasicos). A popula\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio acompanha com fervor a dois principais calend\u00e1rios, de 20 de dezembro a seis de janeiro (reisados) e o 2 de fevereiro, que \u00e9 a festa do Senhor Bom Jesus dos Passos.<\/p>\n<p>Esses eventos sempre tiveram uma grande participa\u00e7\u00e3o dos garimpeiros, moradores do munic\u00edpio e de vizinhan\u00e7as da Chapada. Dois hinos neste calend\u00e1rio, o dos garimpeiros e do Senhor dos Passos s\u00e3o citados no livro. \u201cNo m\u00eas de abril, tamb\u00e9m era comum alguns terreiros realizarem toques para os caboclos de pena, em fun\u00e7\u00e3o da data do descobrimento do Brasil. Nestes dias, rendem-se homenagens aos \u00edndios\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNos dias 7, 17 e 27 de setembro soam os tambores de pau cavalo, heran\u00e7a dos atabaques de feituras dos candombl\u00e9s nag\u00f4s&#8230; Os tambores de homens livres ecoam dos quatro cantos da cidade, em louvor aos santos Cosme e Dami\u00e3o. No m\u00eas de outubro, algumas casas de Jar\u00ea batem atabaques para os meninos, os \u00cares\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs anos 70 foram uma d\u00e9cada importante para o processo de mudan\u00e7as culturais na cidade, uma vez que nela registra-se a cria\u00e7\u00e3o da Casa de Cultura Afr\u00e2nio Peixoto. A cidade foi tombada e transformada em Monumento Hist\u00f3rico, Art\u00edstico e Cultural Nacional\u201d. Ainda nesta d\u00e9cada aconteceu a filmagem de \u201cDiamante Bruto\u201d e tiveram in\u00edcio as primeiras medidas para a cria\u00e7\u00e3o do Parque Nacional da Chapada (1985).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A GARIMPAGEM E A CULTURA DIAMANTINA NA BAHIA Nesse cap\u00edtulo, os autores e acad\u00eamicos Ronaldo Senna e Itamar e Aguiar falam da Chapada Diamantina como polo produtor e comercial das pedras, atraindo indiv\u00edduos de etnias e culturas diferentes. 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