{"id":586,"date":"2014-10-23T22:27:59","date_gmt":"2014-10-24T01:27:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=586"},"modified":"2014-10-23T22:28:11","modified_gmt":"2014-10-24T01:28:11","slug":"as-tiradas-tiranas-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/10\/23\/as-tiradas-tiranas-da-ditadura\/","title":{"rendered":"AS TIRADAS TIRANAS DA DITADURA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/P1011279-C\u00f3pia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-587\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/P1011279-C\u00f3pia.jpg\" alt=\"P1011279 - C\u00f3pia\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/P1011279-C\u00f3pia.jpg 500w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/P1011279-C\u00f3pia-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria das revolu\u00e7\u00f5es, levantes, rebeli\u00f5es e golpes est\u00e1 repleta de cita\u00e7\u00f5es e tiradas de l\u00edderes, chefes, comandantes e tiranos que se tornaram imortais. O golpe civil-militar de 1964 no Brasil que se transformou numa ditadura por mais de 20 anos tamb\u00e9m teve seus protagonistas que deixaram suas marcas, algumas ir\u00f4nicas e outras divertidas e tristes.<\/p>\n<p>O presidente Jo\u00e3o Goulart era visto nos c\u00edrculos militares como um c\u00e3o leproso. Brizola era o mais afoito e pressionava o cunhado para decretar reforma j\u00e1. Sob as influ\u00eancias das ideias socialistas, as lideran\u00e7as de esquerda sacudiram os campos e as cidades. As elites burguesas revidavam. O presidente n\u00e3o sabia se atendia a direita ou acomodava a esquerda em seu ninho.<\/p>\n<p>Semanas antes do Com\u00edcio da Central do Brasil (13 de mar\u00e7o), em meio \u00e0s agitadas reformas sociais, centenas de mulheres rezadeiras com seus ter\u00e7os em m\u00e3os impediram Leonel Brizola de realizar um com\u00edcio em Belo Horizonte. Encurralado, Brizola escapou do tumulto e, para fugir de vez da ira das senhoras, sequestrou um carro apontando um rev\u00f3lver para o motorista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/RUA-M\u00c9DICI-C\u00f3pia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-588\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/RUA-M\u00c9DICI-C\u00f3pia.jpg\" alt=\"RUA M\u00c9DICI - C\u00f3pia\" width=\"550\" height=\"395\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/RUA-M\u00c9DICI-C\u00f3pia.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/RUA-M\u00c9DICI-C\u00f3pia-300x215.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No seu jornal \u201cO Panfleto\u201d, Leonel Brizola, eleito deputado federal pela Guanabara, com 270 mil votos, escrevia que n\u00e3o eram ros\u00e1rios que iam combater as reformas anunciadas no dia 13 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>No Com\u00edcio da Central, quando Jango anunciou as reformas pediu ao seu assessor de cerim\u00f4nia H\u00e9rcules Corr\u00eaa que limitasse o tempo da fala do presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE), Jos\u00e9 Serra.<\/p>\n<p>&#8211; Vou te anunciar, voc\u00ea d\u00e1 boa noite, recebe as palmas e encerra, Serra. N\u00e3o foi isso o que aconteceu. No discurso Serra chamou o general Amauri Kruel de traidor incestuoso.<\/p>\n<p><!--more--> O cabo Jos\u00e9 Anselmo dos Santos, \u201ccabo Anselmo\u201d, discursou para dois mil marinheiros no dia 25 de mar\u00e7o, no Sindicato dos Metal\u00fargicos (Rio de Janeiro). Os manifestantes declararam insurrei\u00e7\u00e3o. O ministro da Marinha, Silvio Mota pediu para sair. Depois do golpe, o cabo passou dois anos em Cuba. Voltou e foi preso, torturado e cooptado pelo delegado S\u00e9rgio Fleury que o apelidou de \u201cKimble\u201d, do filme \u201cO Fugitivo\u201d. Tempos depois dedurou 73 l\u00edderes da Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR), em Recife, inclusive sua mulher Soledad.<\/p>\n<p>No dia 28 de mar\u00e7o, o ex-governador de Minas Gerais, Magalh\u00e3es Pinto, o general Carlos Luis Guedes, o marechal Od\u00edlio Denys j\u00e1 tramavam os detalhes do Golpe.<\/p>\n<p>&#8211; Medo, o diabo n\u00e3o tem. Se ele fosse medroso, n\u00e3o chegaria ao que chegamos \u2013 comentou o general Ol\u00edmpio Mour\u00e3o. Dois dias depois queria prender Magalh\u00e3es que num manifesto n\u00e3o pedia a sa\u00edda de Jo\u00e3o Goulart. O general Guedes ignorou a ordem.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera do golpe, Tancredo Neves aconselhou Jango a n\u00e3o ir \u00e0 reuni\u00e3o do Autom\u00f3vel Clube. Os generais tramavam impedir o evento. J\u00e1 o general Ernesto Geisel disse: Deixem que se fa\u00e7a a reuni\u00e3o. Agora quanto pior melhor para a nossa causa. Ele, Golbery do Couto e Silva e Castello Branco fizeram a \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d por telefone.<\/p>\n<p>Darcy Ribeiro, o chefe da Casa Civil, o homem que tinha mania de ser imperador do Brasil, abriu, no dia 31 de mar\u00e7o, duas caixas cheias de metralhadoras e convocou um grupo de deputados para acabar com a ra\u00e7a dos Udenistas.<\/p>\n<p>&#8211; Doutor Jango, o senhor vai me desculpar, mas se o povo n\u00e3o for para as ruas, n\u00e3o tem governo \u2013 declarou o presidente da CGT (Central Geral dos Trabalhadores) e da CNTI (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores da Ind\u00fastria) Clodesmidt Riani.<\/p>\n<p>&#8211; Estou negociando com o general Kruel. \u2013 N\u00f3s vamos \u00e9 para a greve \u2013 respondeu o sindicalista. O povo e a Igreja aplaudiram os golpistas.<\/p>\n<p>O general Humberto Alencar Castello Branco, o cearense que sempre rejeitou tomar parte nos golpes (tentou voltar aos quart\u00e9is a tropa de Mour\u00e3o Filho), gostava de poesia e como ir\u00f4nico n\u00e3o era bem visto pelos seus pares. \u201cFuja dos generais intuitivos e emocionais. A hecatombe nunca anda longe deles\u201d.<\/p>\n<p>Foi, no entanto, o primeiro a criar um aparelho clandestino e obedecia a um tal Coronel \u201cY\u201d. Mesmo assim, n\u00e3o possu\u00eda a senha do movimento como \u201co beb\u00ea nasceu\u201d ou \u201co trem partiu da esta\u00e7\u00e3o\u201d. Tinha 63 anos, mas eram 66, pois o pai dele roubou tr\u00eas para garantir gratuidade no Col\u00e9gio Militar.<\/p>\n<p>Castello recomendou que Carlos Lacerda, o corvo derrubador de governos, que apoiou o movimento militar, deixasse o Pal\u00e1cio Guanabara.<\/p>\n<p>&#8211; Os civis tamb\u00e9m sabem morrer \u2013 retrucou. Para o almirante esquerdista C\u00e2ndido Arag\u00e3o, mandou um recado: \u201cCovarde incestuoso, deixe seus soldados e venha decidir comigo esta parada, de homem para homem. Quero mat\u00e1-lo com meu rev\u00f3lver\u201d. Tr\u00eas anos depois estava com Goulart, em Montevid\u00e9u, no Uruguai, para armar a Frente Ampla, que nunca aconteceu.<\/p>\n<p>Se rompesse com a ala mais radical, ainda dava para salvar o governo \u2013 conversa do general Peri Bevilacqua, chefe do Estado Maior das For\u00e7as Armadas com o presidente Jo\u00e3o Goulart em 31 de mar\u00e7o de 1964.<\/p>\n<p>No meio da prosa interrompeu o ministro da Justi\u00e7a, Abelardo Jurema, com um bilhete: o general Ol\u00edmpio Mour\u00e3o Filho revoltou a 4\u00aa Regi\u00e3o Militar de Minas Gerais (Juiz de Fora) e quer sua ren\u00fancia. Do outro lado, os generais Castello Branco, \u201co Sorbonne\u201d, e Costa e Silva, \u201co Grupier\u201d, que nunca se bicaram, conspiravam.<\/p>\n<p>Pelo telefone, Juscelino Kubitschek pediu a Jango que interrompesse a marcha da insensatez. J\u00e1 no Pal\u00e1cio das Laranjeiras, o mesmo JK o aconselhou que fizesse duas manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas: uma dirigida \u00e0 Na\u00e7\u00e3o e outra \u00e0s For\u00e7as Armadas. \u201cSe eu fizer isso dou uma demonstra\u00e7\u00e3o de medo, e um homem com medo n\u00e3o pode governar\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; No Brasil, presidente, elege-se pelo povo, mas governa-se com os olhos voltados para as classes armadas \u2013 respondeu Juscelino sentado em sua cama.<\/p>\n<p>Como \u00faltima tentativa, o presidente falou por telefone para o seu compadre general Amauri Kruel, do II Ex\u00e9rcito: \u201cpor que o general n\u00e3o vem ao Rio conferenciar comigo e com os demais comandantes? Creio que arranjaremos as coisas\u201d. O general preferiu passar para a hist\u00f3ria como traidor e vendido.<\/p>\n<p>Ol\u00edmpio Mour\u00e3o, o lobo solit\u00e1rio ou a vaca fardada da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Popeye\u201d, n\u00e3o tinha bala na agulha, mas desceu a Serra de Juiz de Fora \u00e0s cinco da manh\u00e3 com seus soldados de papel\u00e3o e entrou no Rio de Janeiro sem dar um tiro. Manobra de louco! \u201cEra minha manobra\u201d! Previu todo ex\u00e9rcito ir contra ele como ocorreu em 1932.<\/p>\n<p>Carlos Lacerda, ex-governador da Guanabara, atrav\u00e9s de um avi\u00e3o resolveu lan\u00e7ar suas chamas planfet\u00e1rias de apoio ao movimento em Juiz de Fora, enquanto os marinheiros se rebelavam.<\/p>\n<p>O ministro da Aeron\u00e1utica, An\u00edsio Botelho sugeriu jogar napalm nos recrutas de Mour\u00e3o parados no meio do caminho, enquanto o general tirava uma soneca. \u201cVai queimar gente? De jeito nenhum\u201d \u2013 recuou Goulart.<\/p>\n<p>Costa e Silva passou a rasteira e se autodenominou Comandante Supremo da Revolu\u00e7\u00e3o. Disse que era o general mais velho e, por isso, tinha direito. Mour\u00e3o teve que engolir tudo, mas, mesmo assim queria o comando do I Ex\u00e9rcito. Costa e Silva indicou outro nome e Mour\u00e3o saiu espumando de raiva do Quartel General.<\/p>\n<p>&#8211; Come\u00e7ou a\u00ed a desgra\u00e7a do Brasil. Eu tirara a Na\u00e7\u00e3o do abismo e empurrara para outro. Se eu conhecesse Costa e Silva, \u201co Grupier\u201d, como hoje o teria expulsado do Quartel General. Em mat\u00e9ria de pol\u00edtica eu sou uma vaca fardada \u2013 escreveu Mour\u00e3o tempos depois para o historiador H\u00e9lio Silva.<\/p>\n<p>&#8211; Esta revolu\u00e7\u00e3o vem atrasada em um ano \u2013 retrucou o ex-governador de S\u00e3o Paulo, no Pal\u00e1cio dos Campos El\u00edsios, Adhemar de Barros, o rouba, mas faz, cassado dois anos depois do golpe. Na marcha do meio milh\u00e3o pela liberdade, uma faixa tremulava: \u201dVerde e Amarelo, sem Foice e Martelo\u201d.<\/p>\n<p>No dia 1\u00ba de abril (Dia da Mentira), Jango rumou do Rio de Janeiro (Pal\u00e1cio das Laranjeiras) para Bras\u00edlia. De l\u00e1 partiu para Porto Alegre e depois para uma estancia em S\u00e3o Borja. Finalmente, voou para o ex\u00edlio, no Uruguai. De Bras\u00edlia, o presidente do Congresso, Auro Moura declarou vac\u00e2ncia na presid\u00eancia. Tancredo Neves tascou: \u201cCanalha! Canalha! Canalha\u201d! Era madrugada do dia 2 de abril. O mesmo Auro e um grupo de deputados armados pegaram o Ranieri Mazzilli e disseram: \u201cVamos para o Pal\u00e1cio, pois o senhor vai ter de assumir a presid\u00eancia\u201d. Waldir Pires e Darcy ainda imaginavam resistir.<\/p>\n<p>Acompanhou o presidente neste trajeto penoso o general Argemiro de Assis Brasil, chefe da Casa Militar. Depois da miss\u00e3o cumprida, retornou para Bras\u00edlia. Perdeu patente e pens\u00e3o. Morreu em 1980 dizendo que o Ex\u00e9rcito tinha uma d\u00edvida para com ele, s\u00f3 que nunca pagou.<\/p>\n<p>Certa vez o general disse que Jango tinha um bom cora\u00e7\u00e3o; era um bo\u00eamio mulherengo bom de copo, mas s\u00f3 sabia governar uma est\u00e2ncia. Foi vice-presidente invis\u00edvel de 1956 a 1961 que todo governante pediu a Deus.<\/p>\n<p>Alardeavam que o Governo tinha um \u201cdispositivo\u201d para abafar qualquer rebeli\u00e3o. O lend\u00e1rio Cavaleiro da Esperan\u00e7a, Luiz Carlos Prestes, chegou a dizer v\u00e1rias vezes que cabe\u00e7as seriam cortadas, s\u00f3 que fugiu para Moscou antes do golpe, deixando para tr\u00e1s a mulher gr\u00e1vida Maria, sete filhos e um list\u00e3o de 74 comunistas que foram indiciados.<\/p>\n<p>O historiador Jacob Gorender relatou em livro v\u00e1rios deslizes e progn\u00f3sticos calamitosos de Prestes, como seu apoio ao Estado Novo; garantia que seu PCB n\u00e3o seria proibido em 1947; ades\u00e3o \u00e0 UDN contra Get\u00falio em 1954; e em 1964 assegurou a Nikita Kruschev, em Moscou, que no Brasil tinha comunistas at\u00e9 nas For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>Em palestra ao Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica: Se a rea\u00e7\u00e3o levantar a cabe\u00e7a, n\u00f3s a cortaremos de imediato. Para a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa: Os golpistas ter\u00e3o as cabe\u00e7as cortadas. No Est\u00e1dio do Pacaembu, nos 42 anos do PCB, em 29 de mar\u00e7o, proferiu a mesma frase. Morreu em 1990 aos 92 anos.<\/p>\n<p>&#8211; Dispositivo militar era um ex\u00e9rcito invis\u00edvel. O dispositivo que disseram que montei, nunca existiu \u2013 confessou o general Assis Brasil 20 anos depois.<\/p>\n<p>Na \u00faltima hora \u201cdo pega pra capar\u201d, os chamados generais do povo e os almirantes vermelhos sumiram de cena. Eram for\u00e7as invis\u00edveis. Ainda no dia 2 de abril, Brizola defendia resist\u00eancia \u00e0 bala. Na casa do general Lad\u00e1rio Telles, comandante do III Ex\u00e9rcito (Rio Grande do Sul), Jango ouviu dele que tinha muitas armas e homens para acabar com o golpe. \u201cS\u00f3 preciso que d\u00ea ordens\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 Se for \u00e0 custa de sangue, prefiro me retirar \u2013 respondeu o abatido Goulart.<\/p>\n<p>O general do I Ex\u00e9rcito, Armando de Moraes \u00c2ncora disse que n\u00e3o ia abrir fogo contra os cadetes porque seria um peso que n\u00e3o tiraria mais de cima dos seus ombros. O jornalista do \u201cCorreio da Manh\u00e3\u201d, Heitor Conny, destacou que o I Ex\u00e9rcito aderiu aos que se chamavam rebeldes. \u201cRecolho-me ao meu sossego e sinto na boca o gosto azedo da covardia\u201d. Denominou de \u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Caranguejos\u201d.<\/p>\n<p>Da C\u00e2mara, o deputado pelo PSB, Francisco Juli\u00e3o, l\u00edder das Ligas Camponesas, incitava: \u201cQuem est\u00e1 nas ruas n\u00e3o \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 a contrarrevolu\u00e7\u00e3o. Quem vai salvar o Brasil \u00e9 o seu povo\u201d. O colega Adauto Cardoso alertou que n\u00e3o anistiaria os promotores da anarquia. Juli\u00e3o ficou trancado no Congresso at\u00e9 o dia 7 de abril e fugiu como carona num taxi de Adauto. Este passou um papel rabiscado para Juli\u00e3o : \u201cEst\u00e1 tudo perdido\u201d.<\/p>\n<p>Consumado o golpe, Castello foi indicado pelo Ex\u00e9rcito para assumir a presid\u00eancia da Rep\u00fablica em vota\u00e7\u00e3o no Congresso. A\u00ed Tancredo Neves disse para Juscelino: \u201cEu tenho todos os motivos para votar em Castello e n\u00e3o vou votar. Voc\u00ea tem todos os motivos para n\u00e3o votar e vai\u201d. Quando os militares negaram elei\u00e7\u00e3o direta em 1965, Juscelino lamentou: \u201cCai na armadilha do Castello\u201d.<\/p>\n<p>Tempos depois, numa entrevista em refer\u00eancia ao golpe que derrubou Goulart do governo, Darcy Ribeiro declarou que a culpa foi dos esquerdistas louquinhos que queriam mais caos; queriam sair do caos para o socialismo.<\/p>\n<p>Na imprensa, s\u00f3 o jornal \u201c\u00daltima Hora\u201d n\u00e3o celebrou o golpe. O \u201cCorreio da Manh\u00e3\u201d botou a manchete \u201cFORA!\u201d Uma semana depois, O \u201cCorreio\u201d protestava contra a queima de seus exemplares declarando ter sido uma opera\u00e7\u00e3o com requintes de intoler\u00e2ncia e brutalidade de regimes totalit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Na marcha da vit\u00f3ria, o arcebispo da Igreja Cat\u00f3lica, Dom Jaime C\u00e2mara aben\u00e7oou o movimento dizendo ter contado com o aux\u00edlio divino obtido por nossa m\u00e3e celestial. O mesmo Dom Jaime aben\u00e7oou a Passeata dos Cem Mil, em 1968.<\/p>\n<p>Por volta dos anos 80, final do regime, Golbery do Couto, ou \u201cColt\u201d e Silva deixou o presidente general Jo\u00e3o Figueiredo, que disse que prendia e arrebentava, mas acobertou os terroristas de farda. O cineasta Glauber Rocha o chamou de \u201cg\u00eanio da ra\u00e7a\u201d, enquanto o general Mour\u00e3o Filho preferiu afirmar que se tratava de um c\u00e9rebro doentio.<\/p>\n<p>No livro Anatomia das Revolu\u00e7\u00f5es, o historiador Crane Brinton cravou que as revolu\u00e7\u00f5es come\u00e7am com esperan\u00e7as, triunfam sob lideran\u00e7as moderadas e naufragam no autoritarismo. \u201cA revolu\u00e7\u00e3o, como saturno, devora os pr\u00f3prios filhos\u201d. Para Hannah Arendt, est\u00e1 fadada ao fracasso toda pol\u00edtica de Estado cujo objetivo seja fazer seu advers\u00e1rio desaparecer em silencioso anonimato.<\/p>\n<p>Por que os militares do regime n\u00e3o admitem que os fugitivos, os desaparecidos e suicidas foram barbaramente torturados e assassinados nos por\u00f5es macabros das casas de terror e nas salas sombrias dos quart\u00e9is dos carrascos inquisidores do \u201cSanto Of\u00edcio da Ditadura\u201d?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria das revolu\u00e7\u00f5es, levantes, rebeli\u00f5es e golpes est\u00e1 repleta de cita\u00e7\u00f5es e tiradas de l\u00edderes, chefes, comandantes e tiranos que se tornaram imortais. O golpe civil-militar de 1964 no Brasil que se transformou numa ditadura por mais de 20 anos tamb\u00e9m teve seus protagonistas que deixaram suas marcas, algumas ir\u00f4nicas e outras divertidas e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/586"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=586"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/586\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":589,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/586\/revisions\/589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=586"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=586"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=586"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}