{"id":5856,"date":"2021-07-10T01:16:35","date_gmt":"2021-07-10T04:16:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5856"},"modified":"2021-07-10T01:18:06","modified_gmt":"2021-07-10T04:18:06","slug":"remanso-uma-comunidade-magico-religiosa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/07\/10\/remanso-uma-comunidade-magico-religiosa-2\/","title":{"rendered":"&#8220;REMANSO &#8211; UMA COMUNIDADE M\u00c1GICO-RELIGIOSA&#8221; (III)"},"content":{"rendered":"<p>A GARIMPAGEM DO DIAMANTE DE MINAS GERAIS \u00c0 BAHIA<\/p>\n<p>No livro, os autores e professores Ronaldo Senna e Itamar Aguiar fazem um relato hist\u00f3rico importante e bem fundamentado sobre a garimpagem do diamante em Minas Gerais e na Bahia, destacando os munic\u00edpios de Mucug\u00ea, Andara\u00ed, Len\u00e7\u00f3is e Palmeiras onde as primeiras explora\u00e7\u00f5es se deram por volta de 1848. Na cata do diamante, segundo eles, nesses pontos a Chapada Diamantina foi colonizada pelos mineiros e pela minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os primeiros achados do diamante no Brasil deram-se atrav\u00e9s do processo da garimpagem do ouro em Minas Gerais. De acordo com os acad\u00eamicos, Bernardo Fonseca Le\u00e3o foi quem primeiro passou a informa\u00e7\u00e3o do descobrimento do diamante \u00e0s autoridades portuguesas, mas as provas n\u00e3o s\u00e3o precisas. Conforme historiadores, a descoberta se deu em 1720. A identifica\u00e7\u00e3o dessa gema foi feita por um mission\u00e1rio enviado ao Tijuco (Diamantina).<\/p>\n<p>Vers\u00f5es de historiadores d\u00e3o conta de que a primeira descoberta de diamante na Chapada ocorreu entre 1817 e 1818, na Serra do Gagau. \u201cTamb\u00e9m se fala em achados no Sincor\u00e1, em 1821, quando os naturalistas alem\u00e3es Spix e Mratius atravessaram a regi\u00e3o\u201d. Registros, no entanto, descrevem que at\u00e9 1838 os garimpos de diamante estavam circunscritos a Minas Gerais.<\/p>\n<p>No ano seguinte, o min\u00e9rio foi encontrado em terras baianas, no local denominado de Tamandu\u00e1, pr\u00f3ximo a Gentil do Ouro (Sales 1994 p. 30). \u00a0Na Bahia, a primeira companhia de minera\u00e7\u00e3o foi criada por volta de 1848, nas proximidades da Villa Santa Isabel (Mucug\u00ea). A minuta do primeiro contrato foi elaborada por Te\u00f3filo Ottoni. Consta que existiram oito companhias.<\/p>\n<p>Logo depois da descoberta, citam os autores do livro \u201cRemanso\u201d, a Coroa Portuguesa cuidou de fazer uma declara\u00e7\u00e3o como propriet\u00e1ria dos diamantes. \u201cCa\u00e7ou as licen\u00e7as para explora\u00e7\u00e3o dos garimpos de ouro e estabeleceu uma taxa de cinco mil r\u00e9is por pessoa nos garimpos de diamantes\u201d. Outra provid\u00eancia foi proibir os escravos de adquirir o min\u00e9rio.<\/p>\n<p>A partir de 1\u00ba de janeiro de 1740, a Coroa permitiu que o trabalho fosse destinado a empreiteiros, impedindo a explora\u00e7\u00e3o individual. Cada empreiteiro, com at\u00e9 600 escravos no m\u00e1ximo, era obrigado a recolher um imposto anual de 236 mil r\u00e9is por cada negro cativo. O governo passou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de \u00fanico explorador dos garimpos at\u00e9 1832, ano da libera\u00e7\u00e3o geral da garimpagem. A partir da\u00ed houve uma corrida \u00e0 procura clandestina das gemas.<\/p>\n<p>Com isso, a vigil\u00e2ncia foi apertada contra os contrabandistas, e o transporte do diamante tinha que ter uma licen\u00e7a. Os casos de fraudes eram punidos com o confisco da mercadoria e dos bens. O fraudador, segundo os escritores, era encarcerado e podia at\u00e9 ser deportado para \u00c1frica. A repress\u00e3o gerou mais clandestinidade e muitos foram mandados para Angola.<\/p>\n<p>Ronaldo e Itamar contam que, na segunda metade do s\u00e9culo XIX, estudiosos viajaram pelo interior da col\u00f4nia, inclusive estrangeiros, como o ingl\u00eas John Mawe que narrou os atos de trucul\u00eancia usados pela fiscaliza\u00e7\u00e3o contra os garimpeiros de diamantes.<\/p>\n<p>Entre casos pitorescos para burlar as normas, o viajante descreve a hist\u00f3ria de um negro escravo que com sua ast\u00facia conseguiu passar num posto com uma pedra. Num ti\u00e7\u00e3o de fogo ele colocou um diamante na cavidade. En- quanto tocava os animais ia acendendo seu cigarro de palha. Ao empacar um deles demonstrou excesso de raiva e atirou o ti\u00e7\u00e3o que foi cair do outro lado do posto. Depois da carga ser revistada, o negro apanhou o ti\u00e7\u00e3o e seguiu acendendo seu cigarro.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o editada em 1832 foi sucedida pela lei de 24 de setembro de 1845 e exigiu outra organiza\u00e7\u00e3o administrativa atrav\u00e9s da regulamenta\u00e7\u00e3o de 17 de agosto de 1846 definindo o pre\u00e7o de arrendamento das \u00e1reas. Uma nova lei, segundo Sales, foi editada em 1852 que passou a vigorar no ano seguinte.<\/p>\n<p>Esta lei vigorou at\u00e9 1870, quando surgiu a not\u00edcia de descobertas do min\u00e9rio no Cabo, na \u00c1frica do Sul, o que provocou baixa do produto e decad\u00eancia na explora\u00e7\u00e3o no Brasil, com a consequente crise nas cidades das Lavras Diamantinas, como Mucug\u00ea, Andara\u00ed e Len\u00e7\u00f3is.<\/p>\n<p>Com isso, o Visconde do Rio Branco baixou o regulamento 5955, de 1875, ordenando as atividades garimpeiras. Esta portaria vigorou at\u00e9 a lei de Minas do Estado, em 1906, sendo, posteriormente, reformulada. A descoberta do diamante, em Mucug\u00ea, coincide com a perturba\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica em Minas e a chegada dos irm\u00e3os Ottoni entre 1847 e 1848, nascendo da\u00ed a funda\u00e7\u00e3o das companhias de minera\u00e7\u00e3o nas Lavras.<\/p>\n<p>Nos anos de 1990, o governo, pressionado pelos movimentos ambientalistas e pelas empresas de turismo, decretou o fechamento dos garimpos em Len\u00e7\u00f3is. At\u00e9 ent\u00e3o, prevalecia o sistema de garimpagem, sucessor das companhias. Conforme pesquisa dos acad\u00eamicos de \u201cRemanso\u201d, ap\u00f3s o decl\u00ednio da extra\u00e7\u00e3o do diamante restaram os garimpos artesanais, que foram substitu\u00eddos, na segunda metade do s\u00e9culo XX, pela mecaniza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das dragas, em Len\u00e7\u00f3is e Andara\u00ed.<\/p>\n<p>Esse sistema chegou a atrair muita gente de outros estados e at\u00e9 mesmo empresas multinacionais. \u201cEsse cen\u00e1rio devastador provocou a funda\u00e7\u00e3o do Parque Nacional da Chapada Diamantina, em 1985, por decreto da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, abrangendo toda Serra do Sincor\u00e1, onde est\u00e3o localizados os munic\u00edpios de Len\u00e7\u00f3is, Andara\u00ed, Mucug\u00ea e Ibicor\u00e1\u201d \u2013 destacam os autores da obra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A GARIMPAGEM DO DIAMANTE DE MINAS GERAIS \u00c0 BAHIA No livro, os autores e professores Ronaldo Senna e Itamar Aguiar fazem um relato hist\u00f3rico importante e bem fundamentado sobre a garimpagem do diamante em Minas Gerais e na Bahia, destacando os munic\u00edpios de Mucug\u00ea, Andara\u00ed, Len\u00e7\u00f3is e Palmeiras onde as primeiras explora\u00e7\u00f5es se deram por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5856"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5856"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5856\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5859,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5856\/revisions\/5859"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}